Temporada de alergias: como manter esses incômodos longe das crianças?

Respiratórias, cutâneas, alimentares... A temporada de alergias afeta as crianças e pode causar diversos incômodos. Saiba como prevenir!

criança com alergia espirrando
Por Juliana Borges - 23/11/2017

Foto: Thinkstock/Getty Images

Os números revelam que a temporada de alergias afeta, principalmente, os brasileirinhos: atualmente, uma em cada quatro crianças sofre com esse problema. Respostas exageradas do organismo a determinadas substâncias, as reações alérgicas levam a um processo inflamatório que atinge diferentes órgãos, como nariz, pele, olhos, pulmões e intestino. Então, como cuidar dos seus filhos e prevenir essas doenças?

Temporada de alergias: pulmões em foco

• Segundo Fátima Rodrigues Fernandes, pediatra e alergista do Hospital Infantil Sabará, cerca de 10 a 20% das crianças brasileiras sofrem de asma, doença que constitui uma inflamação pulmonar, causando estreitamento dos brônquios e dificuldade na passagem do ar.

• Além da queda de temperatura nesta época do ano, novos hábitos de vida, como ambientes mais fechados, pouco ensolarados e propícios ao acúmulo de alérgenos (ácaros, insetos e epitélios de animais domésticos) são fatores que propiciam o aumento da doença. Níveis elevados de poluentes também contribuem para a sensibilização à alergia.

• Os principais sintomas da asma são: cansaço aos esforços, crises de chiado, tosse, dificuldade para respirar e, em crises mais graves, falta de oxigênio no organismo.

• De acordo com a especialista, a rinite é outro tipo de alergia respiratória que requer atenção, pois afeta entre 20% e 25% da população urbana. Pessoas com o problema costumam apresentar coceira, espirros, obstrução nasal e coriza.

Campeã de consultas

• A alergia de pele, como a dermatite atópica e de contato, é a doença que mais leva as crianças ao dermatologista. A manifestação começa com vermelhidão, descamação e coceira, e pode causar à lesão da pele pelas escoriações e complicar-se devido a processos infecciosos.

• “Também são comuns os quadros de urticária, caracterizados por coceira intensa com placas vermelhas pelo corpo e, às vezes, inchaços localizados e deformantes (angioedemas). Uma causa comum é a sensibilidade a alimentos e medicamentos como anti-inflamatórios”, lembra a pediatra.

• Mas é preciso saber diferenciar a alergia da intolerância a certos alimentos, conforme diz a especialista: “as alergias dependem de uma resposta do sistema imunológico, enquanto a intolerância está relacionada a uma deficiência enzimática”.

• Entre os alimentos que mais dão alergia nas crianças estão leite, ovo, trigo e peixe. Os sintomas incluem vômitos, diarreia e má absorção intestinal, além de quadros cutâneos como eczema e urticária.

Cuidados

• Grande parte das alergias são hereditárias: se um dos pais tem o problema, a chance de ocorrência nos filhos é de 40%. Quando ambos são alérgicos a possibilidade é dobrada, 80%.

• “Não há como evitar a herança genética, portanto, na prevenção primária temos que diminuir as sensibilizações, ou seja, estimular o aleitamento materno, ter hábitos de vida saudáveis, evitar ambientes com carga exagerada de alérgenos e alimentos que causam o problema”, alerta Fátima.

• Além disso, é importante fazer o tratamento preventivo indicado para cada caso. “Na asma, por exemplo, é ideal que o tratamento seja feito de forma contínua e não somente em momento de crise”, finaliza.

Texto: Giovana Sanches | Consultoria: Fátima Rodrigues Fernandes, pediatra e alergista do Hospital Infantil Sabará

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