Gula ou compulsão alimentar: quando comer se torna um vício

Ansiedade, agressividade e alterações de humor são realidades na sua vida quando há falta de comida? Saiba quando a gula se torna compulsão alimentar

menino comendo bolo lambuzado gula
Foto: cc.photoshare via Visual Hunt

O desejo além da conta pela comida, ou seja, a gula, já foi apontado como um dos sete pecados capitais a atormentar quem pretende levar uma vida de virtudes. Entretanto, não se trata de um mal somente para a alma, como também para o corpo. Por trás da vontade descontrolada, um desajuste no mecanismo de recompensa leva à dependência.

“Só de ver ou sentir o cheiro de uma comida calórica, o cérebro já libera dopamina. Isso gera motivação e desejo de comer. Quando, de fato, a pessoa come o prato desejado, libera mais dopamina, gerando satisfação e vontade de comer mais e mais”, afirma a psicóloga Virgínia Aquino.

rony harry potter comendo gula

A profissional ainda faz um alerta para quem, à mesa (e em vários momentos fora dela), vê sua força de vontade esmorecer e a gula tomar conta: “Podemos dizer que o compulsivo por comida busca o alimento desejado tal qual o dependente químico busca a droga”. Em outras palavras, comer também pode se tornar um vício. Em linguagem clínica, uma compulsão alimentar.

Um vício que, como todos os outros, torna-se continuamente mais difícil de se satisfazer. Sobretudo quando se trata de alimentos com grande teor de açúcar e sal, a exemplo das frituras, embutidos, refrigerantes e doces. Com o tempo, vai se tornando cada vez mais difícil dizer não à tentação.

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De acordo com o psiquiatra Leonard Verea, “o consumo compulsivo e incontrolável leva a uma menor sensibilização do organismo à substância. Quando está é suprimida, aparecem sintomas como ansiedade, agressividade e alterações de humor. Só que, diferentemente das drogas, os alimentos são necessários à vida. Comer é um comportamento que envolve vários processos hormonais. Por isso, fica tão difícil comprovar que a vontade excessiva de ingerir algo seja um vício. A cada dia, novas pesquisas comprovam que certos alimentos podem, sim, alterar o funcionamento cerebral, como faz a cocaína, por exemplo”.

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Texto: Redação Alto Astral/ Edição: Érika Alfaro/ Consultorias: Virgínia Aquino, psicóloga do Centro Integrado de Psicologia, em Poços de Caldas (MG); Leonard Verea, psiquiatra especializado em medicina psicossomática e hipnose dinâmica