Por que os casos de divórcios aumentaram durante a quarentena?

Entenda o motivo das buscas por separações online terem disparado e o que isso revela sobre as relações

divórcio na quarentena
Foto: Reprodução

Como muitas temas durante a pandemia, o assunto “divórcio na quarentena” tem sido tratado com muita atenção e cuidado. Números de pesquisas revelam que a taxa de rompimento entre casais tem crescido nos últimos três meses, que coincidem com o isolamento social aplicado em todo o Brasil.

Além da busca por escritórios especializados em separações ter crescido 177% em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com um levantamento do Google, a pesquisa por “divórcio online gratuito” cresceu quase 10 mil %. Pouco tempo depois, uma nova busca por “divórcio virtual” também teve um aumento significante de 850%.

No entanto, o que isso diz sobre os relacionamentos que mantemos? Por que as expectativas são sempre tão baixas e o quê esse cenário que estamos vivendo escancara com tanta facilidade? Ainda que, em um primeiro momento, esses questionamentos pareçam um pouco vagos, o fato é que, infelizmente, os meses se passaram e os dados vieram para formalizar esse contexto.

Como funciona o processo?

Por conta do isolamento social, os pedidos de divórcio estão sendo realizados por meio de uma via eletrônica que é disponibilizada pelos cartórios. Além disso, muitos advogados não encontram seus clientes pessoalmente e tudo foi feito por meio de chamadas de vídeo.

Mas isso também depende do tipo de processo. Os chamados extrajudiciais, quando a decisão está de acordo entre ambas as partes e o casal não tem filhos menores de idade, são realizados em cartórios. Já os mais complexos, devem ser feitos judicialmente.

Aumento do divórcio na quarentena cria panorama sobre relacionamentos

Diferentemente do que muitas pessoas vêm fazendo, culpar a quarentena pelo fim dos relacionamentos está longe de ser uma justificativa plausível. É claro que ela, claramente, acentua os tantos problemas vividos pelos casais, mas está longe de ser o conflito central.

A verdade é que o isolamento só mostra o quanto algumas relações já estavam instáveis muito antes de nos encontrarmos em um cenário de pandemia. Sim, é perfeitamente normal que as brigas aumentem um pouco durante este período, afinal, todos nós temos infinitas manias que podem incomodar quando a convivência é grande.

Mas, pode acreditar que não são exatamente essas discussões que levam uma pessoa a buscar por “divórcio online gratuito” em um ato desesperado de se ver livre do compromisso. Pense no tanto de responsabilidades conjuntas que um casal costuma ter quando é casado. Elas vão desde filhos a questões financeiras e divisão de imóveis.

Portanto, será que os conflitos não estão partindo de uma negligência por parte de um ou de outro (ou de ambos) com o relacionamento que está sendo empurrado com a barriga há tempo? Reflita sobre qual é o real problema e os motivos que nos levam a acreditar que está tudo bem continuar com algo que não nos faça feliz só porque a rotina está corrida.

E, antes de mais nada, lembre-se por quantos meses você não adiou aquela conversa supernecessária para manter os sentimentos nos trilhos. Pois bem, agora tudo explodiu e o divórcio na quarentena se tornou uma realidade.

Mesmo assim, isso não é exatamente um problema. Muitos relacionamentos, na verdade, precisam acabar e, como nós bem sabemos, não faltam motivos para isso. Contudo, esse contexto deixa um aviso sobre o quanto podemos deixar coisas que deveriam ser prioridade para depois. E, às vezes, o depois não dá mais para ser resolvido mais.

A questão é que, além de tudo, deixar nossas relações em segundo plano pode indicar que estamos nos deixando de fora da nossa lista de prioridades. Seu trabalho, seu dinheiro, suas metas fazem, sim, parte do que você é, mas não tem nada que nos atinja mais diretamente e nos diga respeito do que os relacionamentos que mantemos, tanto com amigos, como parceiros. Essas são as pessoas que deveriam estar nos fazendo bem e se deixamos que façam o contrário, o que isso diz sobre como tratamos a nós mesmos?

Leia também: