Conheça a Teoria das Inteligências Múltiplas: 8 formas diferentes de classificar gênios

Segundo o psicólogo Howard Gardner, o ser humano possui múltiplas inteligências. Você pode até mesmo ser um gênio em uma delas – e não é sua nota escolar que dirá isso

Você tirou uma nota baixa em alguma prova ou não conseguiu entender o conteúdo de uma matéria específica e, por isso, está achando que não é inteligente? Fique tranquilo, nem tudo está perdido. E há uma tese que assegura isso: a Teoria das Inteligências Múltiplas.

Inteligência além do QI

Provavelmente você já deve ter ouvido falar do teste de QI. Ter um QI alto, às vezes, é entendido como sinônimo de ser gênio. Mas não é bem assim. Esse teste leva em conta exclusivamente os pensamentos verbal e lógico-matemático. Para alguns teóricos, seus resultados representam apenas uma parcela da inteligência humana – não sendo capaz de descrever a grande variedade dela.

Foi questionando esse método que, em 1983, o psicólogo e professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Howard Gardner desenvolveu a chamada Teoria das Inteligências Múltiplas. Para ele, a inteligência não é um conceito único, mas sim uma reunião de diversas habilidades. Com base nessa ideia, o norte-americano defendeu a ideia de que as pessoas possuem não apenas dois ou três tipos de habilidades, mas oito – isso mesmo, oito inteligências diferentes!

Segundo o psicólogo Bayard Galvão, Gardner propôs um grande avanço ao identificar as inteligências múltiplas que cada indivíduo apresenta. “Há pessoas não inteligentes para algumas coisas, mas muito capacitadas em outras, pois existem diferentes habilidades para atividades completamente distintas”, destaca.

 

Inteligências múltiplas

Imagem: Karen Zanata/Montagem sobre ilustrações de iStock.com/Getty Images

Essa nova visão revolucionou a forma de encarar as habilidades humanas. Para embasar a pesquisa, o professor avaliou o trabalho de alguns gênios como Albert Einstein, William Shakespeare e Michelangelo. “Usá-los nos estudos de caso deixou mais claro para o público que cada um deles tinha um potencial mais desenvolvido”, aponta o psicólogo Durval Pereira de Araújo. Confira abaixo os oito tipos de inteligências propostos por Howard Gardner – e descubra quais deles são os seus:

Lógico-matemática (ou inteligência de números e raciocínio)

Essa habilidade está diretamente associada aos raciocínios lógico e matemático – aqueles que consistem na resolução de problemas envolvendo números e fórmulas. Além disso, se você possui essa capacidade desenvolvida, provavelmaente gosta de usar a razão para tarefas complexas, reconhece padrões facilmente e faz conexões entre conteúdos aparentemente não relacionados. Dentro desse grupo de pessoas, encontramos cientistas, economistas, engenheiros, como o pai da física moderna, Isaac Newton, e o inventor elétrico Nikola Tesla.

Linguística (ou inteligência de palavras)

A inteligência linguística é a habilidade de usar a linguagem para expressar o que está passando em sua mente por meio de símbolos – sejam palavras, números ou sinais –, além da capacidade em se comunicar de forma universal, ultrapassando as diferenças culturais e linguísticas. As pessoas com essa inteligência desenvolvida são ótimos oradores e comunicadores. Aqui, podemos encontrar escritores, professores, advogados, líderes de opinião – como políticos e palestrantes –, e outros profissionais que utilizam a linguagem como ferramenta. O educador Paulo Freire e o poeta Fernando Pessoa são exemplos nessa habilidade.

Musical (ou inteligência de som)

Jimi Hendrix

Foto: Divulgação/VH1

Trata-se da habilidade em interpretar e produzir sons, seja por meio de instrumentos musicais ou sem eles. É associada a quem tem facilidade em compreender a música, captar sua expressão e transmitir sentimentos por meio dos sons. É a inteligência desenvolvida em músicos como Jimi Hendrix (acima, na imagem) e Tim Maia – algumas das características do cantor eram a extrema exigência com a qualidade do som e as consequentes reclamações com os operadores de áudio e integrantes da banda durante os shows: “mais grave, mais retorno, mais som. Eu não estou ouvindo o baixo”.

Espacial (ou inteligência de imagens)

Nada mais é que a habilidade de interpretar e reconhecer os movimentos e as posições de determinados objetos, além da capacidade de representar mentalmente a imagem de locais – você consegue imaginar sua casa dos sonhos ou o ambiente descrito em um livro? Artistas, navegadores e jogadores de xadrez, por exemplo, têm essa capacidade mais desenvolvida, assim como o arquiteto e projetista de Brasília, Oscar Niemeyer, e a pintora Tarsila do Amaral.

Corporal-cinestésica (ou inteligência corporal)

Muhammad Ali

Foto: iStock.com/Getty Images

É a capacidade de controlar e orquestrar os movimentos corporais. Além disso, a facilidade em se locomover pelo espaço, conhecer bem o potencial físico do seu corpo e ter boa coordenação motora são características típicas de quem possui essa inteligência. Neste segmento, podemos encontrar, por exemplo, dançarinos, atores, escultores e, até mesmo, cirurgiões. Eles são capazes de prever e controlar movimentos antes que seus próprios corpos os façam. Grandes nomes do esporte, como a maior artilheira da história da seleção brasileira, Marta, e o esportista do século, Muhammad Ali (acima, na foto), são exemplos da inteligência corporal desenvolvida.

Interpessoal (ou inteligência de pessoas)

É a habilidade em entender intenções, motivações e desejos das outras pessoas. Indivíduos com essa inteligência possuem facilidade para se relacionar de maneira geral e trabalhar em grupo, além de serem ótimos líderes e terem a capacidade de identificar a personalidade dos outros. Entender bem o que os outros dizem em uma discussão, assim como seus objetivos e metas – explícitos ou não – são características dessa inteligência. Normalmente – mas não necessariamente –, a interpessoal é acompanhada da intrapessoal. Praticamente todos precisam dessa habilidade, porém é mais aguçada em psicólogos, políticos, professores, espiritualistas e vendedores. O apresentador e empresário Silvio Santos e o líder pacifista Mahatma Gandhi ilustram essa categoria.

Intrapessoal (ou autointeligência)

Você acha que entende tudo o que acontece consigo mesmo? Bem, se assim for, deve saber que tem um desenvolvimento muito interessante de inteligência intrapessoal, que permite uma compreensão completamente precisa de si mesmo – o autoconhecimento. Ela é caracterizada pela habilidade e pelo interesse em saber quem você é, o que pode e quer fazer, como reage às situações, quais coisas deve evitar, bem como fazer escolhas certas. É, sem dúvidas, o tipo de inteligência mais difícil de ser identificado, pois é o mais raro de ser demonstrado. Terapeutas e coaches geralmente apresentam essa habilidade, assim como a religiosa Madre Teresa de Calcutá e o psicanalista Sigmund Freud.

Naturalista (ou inteligência de natureza)

Por fim, temos a naturalista, uma das primeiras inteligências desenvolvidas no ser humano e que, curiosamente, foi a última proposta por Gardner, mais de uma década após a publicação de seu livro. Essa habilidade está associada à sensibilidade em compreender e organizar os fenômenos e padrões da natureza. Isso inclui perceber o clima, identificar e classificar espécies de plantas e animais, tipos de minerais… Resumindo, pessoas com essa inteligência estimulada tendem a se sentir conectadas com a natureza de uma forma geral. Destaca-se em caçadores, agricultores, biólogos, geólogos e índios, por exemplo. O naturalista e pai da teoria da evolução, Charles Darwin, possuía essa habilidade.

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Texto e entrevistas: Augusto Biason