Como a fé pode ajudar a sua saúde em tempos de crise

Pesquisas e estudos mostram como a crença em algo pode ser transformadora em diferentes aspectos

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O ato de crer em algo sempre foi considerado um grande amigo da alma. Nas últimas décadas, começaram a surgir vários estudos sobre como ter colabora com assuntos ligados à ciência, saúde e ao comportamento humano. Não é à toa que diversos tratamentos em hospitais renomados estão utilizando as crenças de seus pacientes como mecanismo de auxílio no tratamento de doenças graves.

No campo da convivência, ela nos faz mais felizes, no trabalho, ela nos dá mais força para conquistar nossos objetivos. Os benefícios de se andar com fé são os mais diversos e englobam ramificações distintas da vida. Diante de situações adversas, rotinas impregnadas de estresse e cansaço, tê-la é um alívio.

Por mais equilibrado que seja o ambiente que tentamos desenvolver e desfrutar, nossa rotina sempre apresentará riscos e desafios, e é principalmente diante das adversidades que o exercício da fé fará total diferença na vida cotidiana”, explica a psicóloga Natália Távora.

Como ter fé faz bem para saúde

Crer em você mesmo e na sua melhora em um momento delicado como o enfrentamento de uma doença pode ajudar na recuperação. Ter fé faz bem para sua saúde mental e, até mesmo, física. “Ela pode gerar uma estabilidade e um otimismo consideravelmente transformadores na vida dos indivíduos”, conta Natália.

A Organização Mundial da Saúde já reconheceu a influência da crença na saúde física e mental. Um estudo do Instituto Dante Pazzanese concluiu que a prática regular de atividades religiosas, sejam elas quais forem, pode reduzir em até 30% o risco de morte. Outra pesquisa realizada por psicólogos da Universidade Estadual de Londrina, com pacientes oncológicos, mostrou resultados positivos diante da compreensão religiosa por parte dos afetados pelo câncer.

De acordo com os resultados, saber como ter fé pode contribuir para a adesão ao tratamento, no enfrentamento do mal-estar, na redução do estresse e ansiedade, e na busca de um significado para entender a situação.

Além disso, ela pode diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, infartos, problemas respiratórios, diabetes, insuficiência renal e acidente vascular cerebral. Isso porque, em momentos difíceis, a fé traz otimismo e força ao paciente, que não necessariamente precisa acreditar em um ser superior, mas em si próprio.

O otimismo como fator de cura

Convenhamos que conviver com indivíduos otimistas é bem melhor. Quer saber como encontrá-los? Procure por pessoas que sabem como ter fé. Segundo a psicóloga Natália Távora, quem crê em algo tem mais propensão a ser otimista, quando se depara com situações infortunas.

Se inseridos em uma realidade confortável e livre de qualquer dificuldade ou ameaças, o crente e o descrente podem não ser distinguidos se ambos se encontrarem em equilíbrio com este ambiente ideal. Contudo, irão facilmente mostrar a diferença entre eles diante de um fator de risco, estresse ou ameaça real. Estudos mostram que quem não acredita em nada tem mais propensão ao pessimismo”, explica a especialista.

E, por incrível que pareça, a genética também ajuda a explicar a origem da fé. O geneticista americano Dean Hamer causou rebuliço no meio científico, em 2004, ao anunciar a descoberta dos genes da fé. Batizado de VMAT2, trata-se de um conjunto de genes que ativam substâncias químicas que dão significado às experiências humanas.

Durante a meditação, por exemplo, são esses neurotransmissores que alteram o estado de consciência. Por isso que o ato de crer manifestação a liberação de substâncias pelo corpo, causando um bem-estar e reduzindo sintomas graves.

Os benefícios da fé no organismo

Faz bem para o cérebro

Pesquisadores da Universidade de Washington, que testaram um grupo de freiras em oração e monges em meditação perceberam que durante esse período de concentração, três importantes áreas do cérebro eram ativadas:

  • Os lobos frontais: parte responsável pela concentração;
  • O sistema límbico: relacionado às emoções;
  • E o lobo parietal: responsável pelo senso que temos de nós mesmos e do mundo.

Há relatos de cura e recuperação atribuídas ao estímulo do sistema límbico, influenciadas pelo exercício de como ter fé.

Expectativa de vida

Quem tem fé vai mais longe. Segundo Natália, a fé pode aumentar sua expectativa de vida em aproximadamente sete anos. Além disso, essas pessoas têm mais chance de sucesso em transplantes e outras cirurgias, por diminuírem seus índices de estresse e propensão à infecções.

Pessoas mais felizes

A psicóloga indica que pessoas com essa convicção, além de possuírem uma tendência a ver o lado bom da vida, são também duas vezes mais propensas a se declarar “muito felizes” do que aquelas que não sabem como ter fé.

Vida em comunidade

Pessoas que tem fé ou são praticantes de uma religião participam mais ativamente da vida pública e, por viverem em comunidade, nunca estão sozinhas. Junto à vida religiosa, vem o companheirismo e a aceitação em um determinado grupo, o que também contribui para a felicidade.

A forma de levar a vida

Aqueles que têm fé, geralmente, são mais regrados quando o assunto é comportamento. Não é à toa que eles apresentam 85% menos chances de se tornarem fumantes, têm seis vezes menos chances de envolvimento com drogas ilícitas e consomem menos álcool.

Uma pesquisa realizada pela psicóloga Luciana Neves Lagercrantz observou o uso da religiosidade no acolhimento de grupos de Alcóolicos Anônimos. “A religião é capaz de inspirar sentimentos altruístas que são essenciais para readaptação social do indivíduo, pois apontam para uma nova escala de valores e condutas, novos hábitos e novas maneiras de superar as dores, as perdas, os vícios e as revoltas”, explica.

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