Veja como está Luiza Vitória, a bebê que nasceu de cinco meses

Com 27 centímetros e pesando apenas 328 gramas, a filha de Karla Manoela e Igor Batista é um dos menores bebês nascidos vivos do mundo

bebê de 5 meses
Foto: Bruna Brandão/CLAUDIA

Em reportagem especial à revista Cláudia, a mineira Karla Manoela Mesquita Paiva relatou em detalhes como foi dar à luz a uma bebê de 5 meses, a pequena Luiza Vitória. Ela tinha 27 centímetros e pesava apenas 328 gramas quando veio ao mundo, tornando-se um dos menores bebês nascidos vivos do mundo. A mãe conta a história de superação após precisar esperar os 127 dias que a filha passou na UTI antes de segurá-la pela primeira vez no colo.

Minha gravidez foi desejada e planejada. Eu sonhava em fazer as clássicas sessões de fotos com o barrigão de fora, ter um chá de fraldas e sentir o bebê chutar e mexer dentro de mim. Mas não pude viver nada disso. Minha filha, Luiza, nasceu quando eu estava com pouaco mais de 5 meses e meio de gravidez, na 25ª semana de gestação“, conta.

A história impressionante da bebê de 5 meses

Na manhã de 3 de julho de 2019, Karla resolveu ir ao hospital ao perceber que estava mais inchada do que o normal. Ao ser analisada pelos especialistas, se chocou ao receber a notícia de que era considerada uma gestante de alto risco por ter perdido quase todo o líquido da placenta. “O médico foi taxativo. ‘Você teve eclâmpsia (pressão alta na gravidez), perdeu todo o líquido amniótico e o bebê está em sofrimento fetal. A única solução é fazer o parto imediatamente. O problema é que provavelmente não conseguiremos salvar os dois. Então vocês precisam escolher entre a vida da mãe e a do bebê. Nós, da equipe médica, priorizamos a mãe. Você é jovem e poderá voltar a engravidar. Já as chances de sobrevivência do bebê, assim tão prematuro, giram em torno de 10%'”.

Com a dura notícia, Karla e seu marido Igor Batista precisaram tomar uma decisão rápida.  “Eu e o Igor estávamos tínhamos cinco minutos para decidir entre a minha vida e a da Luiza“, revelou à Cláudia. “Depois de muitas lágrimas, concordamos com o médico e optamos por preservar a minha vida. Mas, ainda assim, nunca deixei de acreditar que minha filha sobreviveria.“, continuou.

Passamos a madrugada toda esperando Luiza nascer, e nada. Eu já não tinha mais esperança dela nascer viva. Começamos a nos preparar para aceitar o fato. Quando deu 6 da manhã do dia seguinte, decidiram que era melhor eu ir para o centro cirúrgico. Não dava mais para esperar. Às 6h52 do dia 4 de julho, nascia o nosso milagre, Luiza Vitória“, disse a mãe.

Depois disso, o processo todo começou a ficar ainda mais difícil. “Não me deixaram vê-la. Ela foi rapidamente encaminhada para a incubadora da UTI neonatal. Como eu também corria riscos, tive de ser transferida para um hospital com UTI para adultos. A eclâmpsia havia evoluído para síndrome de Hellp, complicação rara e grave da gestação, que tem, entre outras consequências, a baixa contagem de plaquetas. Não há uma causa conhecida para a síndrome. Basicamente, consiste em uma má adaptação do organismo à gravidez, ativando fatores imunes e provocando alterações vasculares. Fiquei internada por cinco dias na UTI e por mais três no quarto. Igor mostrava que, quando conversava com Luiza, ela se mexia. Era muito emocionante.

bebê de 5 meses

Foto: Acervo pessoal/Reprodução

Assim que tive alta, corri para a UTI neonatal da maternidade em que ela estava. Ao vê-la pela primeira vez e naquela situação, minhas pernas bambearam. Eu não podia pegá-la no colo ainda por causa do risco de infecção. Só podíamos tocar seu corpinho pelos orifícios da incubadora. A partir daí, passei a ficar dia e noite ao lado dela“, relembrou a mãe da bebê de 5 meses.

Quando completou 30 dias, o médico deixou que pegássemos nossa pequena no colo usando o método canguru, em que o peito do bebê fica colado ao peito da mãe ou do pai. Foi o melhor momento da minha vida. Fiquei com Luiza no colo das 4 horas da tarde às 7 da noite. Não queria mais soltá-la. Poucos dias depois, ela pegou uma infecção e teve que receber antibióticos por dez dias. Em seguida, outro susto: o tubo que a mantinha respirando entupiu e nossa pequena precisou ser reanimada pela equipe. Mais um milagre na vida dela“.

Karla conta que ao todo, Luiza Vitória passou 75 dias entubada e foram várias as tentativas de extubação. “Ela Recebeu seis transfusões de sangue e uma de plaquetas. Assim, vivemos dias e noites dentro daquela UTI, vendo outras mães e pais passando pelo mesmo desespero que nós, muitos bebês partindo, outros chegando. No dia 10 de outubro, pude colocá-la no peito para amamentar. Não sei nem explicar a emoção que senti. Dia após dia, ela mamava cada vez mais e ia ganhando peso.”

As coisas só realmente começaram a melhorar para a família após 127 dias de UTI. “Recebemos a tão sonhada alta e pudemos levar nossa guerreira para casa. Com quase 5 meses, Luiza media 42 centímetros, pesava 2 quilos e estava absolutamente saudável. O ultrassom neurológico não mostrava nenhuma alteração. Aquele bebê, nascido prematuro extremo, com 25 semanas de gestação, pesando apenas 328 gramas – menos do que um pote de margarina –, estava viva“.

Grandes vitórias 

E para quem duvidou que a bebê de 5 meses superaria tantos obstáculos, a mineira de 27 anos afirma que hoje sua filha leva uma vida normal. “Na parte da manhã, faz fisioterapia, hidroterapia e terapia ocupacional. Já de tarde, o tempo é todo ocupado na escola. O estrabismo é tratado com o uso do tampão, 6 horas por dia em cada olho. Além disso, tem rigidez no braço e na perna esquerdos, mas, segundo a equipe que cuida dela, tem tudo para evoluir bem“.

Por fim, Karla deixa registrado uma lição de vida que tirou após passar por isso tudo. “Luiza Vitória veio ao mundo para nos dar uma lição. Não tive barrigão para tirar foto e nunca mais vou ter, pois, se eu engravidar de novo, há o risco de enfrentar o mesmo problema. Mas Deus sabe das coisas. Se não passei por isso, é porque não era para ser. Mais importante do que um álbum de fotos de grávida é ter meu maior milagre, a Luiza, em meus braços todos os dias.

Leia também: