Aborto espontâneo e sangramento na gravidez: o drama de Helô chama atenção para os riscos

Em "A Lei do Amor", a personagem Helô teve um sangramento, resultado de um aborto espontâneo. Se informe sobre os riscos à saúde da gestante

Por Isabela Zamboni - 08/02/2017

Foto: Reprodução / Globo Play

Ontem à noite (07.02), a personagem Helô, da novela global “A Lei do Amor”, sofreu um aborto espontâneo. A cena comoveu pela interpretação e conseguiu passar aos telespectadores o drama e o medo ao ter um sangramento durante a gravidez.

O assunto é mais comum do que se pensa, mas boa parte das mulheres, por não esperarem passar pela situação, não estão informadas o suficiente. O portal Alto Astral se preocupa com saúde da mulher e convida você a se informar melhor sobre o aborto espontâneo, o sangramento na gravidez e as possíveis causas.

Aborto Espontâneo de Helô durante o banho

Foto: Reprodução / Globo Play

Sangramento na gravidez: não é normal e a gestante deve estar atenta

É muito comum ouvir mulheres dizendo que estavam menstruadas durante o período de gestação. No entanto, é possível confundir diferentes tipos de sangramento com o ciclo menstrual.

É o que explica a ginecologista Caroline Alexandra Pereira de Souza, especialista em obstetrícia e reprodução humana pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que ensina os tipos de sangramento que ocorrem nas primeiras doze semanas de gravidez e que precisam da atenção da gestante:

  • Nidação: “Ocorre no período de seis a dez dias depois da fecundação. O ovo vai lentamente ‘afundando’ no endométrio, que é uma membrana mucosa, formada por fibras musculares lisas, provocando um discreto sangramento menos intenso do que o ciclo menstrual normal, de cor similar a uma borra de café.”
  • Implantação: “É comum notar um pequeno sangramento vaginal logo no início da gravidez, em torno de 10 a 14 dias após a fecundação. Deve-se a implantação do embrião na parede do útero. A coloração do sangue é mais clara e a duração do sangramento é menor do que em uma menstruação normal. Não é motivo para alarde.”
  • Mudanças no colo do útero: “Quando você está grávida, mais sangue flui para o útero, por isto o colo do útero pode ficar mais sensível e sangrar após o sexo ou exame ginecológico.”

O portal Alto Astral ajuda você a se cuidar: leia mais matérias de saúde clicando aqui!

  • Gravidez ectópica: “Algumas vezes o embrião implanta-se fora do útero, geralmente na trompa. Isto é conhecido como gravidez ectópica. O embrião fora do útero não sobrevive e sem tratamento pode ocorrer sangramento vaginal acompanhado de dor pélvica ou abdominal.”
  • Infecções: “Aquelas que atingem a vagina e o colo do útero podem resultar em sangramento de cor parecida com o da menstruação.” Nestes casos, é bom se atentar à textura e ao cheiro do sangramento.
  • Aborto: “Em geral, 15% das gestações terminam na forma de aborto. O sangramento pode significar um aborto precoce. Mas não é uma regra, pelo contrário. É importante identificar as características do sangramento vaginal para saber quando consultar o profissional obstetra.”
aborto espontâneo Helo

Em ‘ A Lei do Amor”, a personagem Helô sentiu cólica e teve o sangramento durante o banho. A cena, exibida em horário nobre, comoveu e chamou a atenção do assunto pouco explorado pelas mulheres, que está diretamente ligado à saúde. Foto: Reprodução / Globo Play

Só um profissional pode cuidar de você e da gestação

“Não é normal ter qualquer tipo de sangramento durante a gestação, exceto o chamado ‘sangramento de implantação’. Em outras palavras, seria uma pequena perda sanguínea decorrente da fixação do embrião na parede do útero devido ao rompimento de um pequeno vaso. Este sangramento é, geralmente, de pequena quantidade, escuro ou rosado, semelhante ao do início ou do final da menstruação e não dura mais do que três dias”, explica a especialista.  Portanto, se perceber qualquer sangramento anormal, procure a ajuda de um médico!

 

Aborto espontâneo: tudo o que você precisa saber!

Conversamos com Leila Maria Vieira, enfermeira especialista em pediatria, professora e diretora do Centro da Saúde da Universidade do Sagrado Coração, para listar, de forma simples e didática, o que você deve saber sobre aborto espontâneo:

Principais causas

  • Em aproximadamente 50% dos casos, o aborto espontâneo está relacionado a causas genéticas, as chamadas alterações cromossômicas;
  • Outros motivos frequentes são: mudanças endócrinas e anatômicas no sistema reprodutor da mãe;
  • Incompatibilidade imunológica materno-fetal;
  • Doenças sofridas pela gestante, como obesidade e hipertensão;
  • Tabagismo, consumo de álcool, uso de drogas e utilização de medicamentos sem prescrição médica;
  • A idade da mãe também pode levar a complicações. “A partir dos 35 anos, a mulher tem maior possibilidade para o abortamento espontâneo por conta de alterações nos óvulos”, explica Leila.
Aborto espontaneo sangramento Helo

Com cenas fortes, mas que evidenciam para os cuidados e providências necessárias, “A Lei do Amor” mostrou não só o abalo físico como também o emocional vivido pela mãe que, no caso da personagem Helô, cuidava com carinho da gestação. Foto: Reprodução / Globo Play

Meses decisivos

  • A perda do bebê é mais comum nos primeiros três meses de gestação;
  • Ocorre, geralmente, pela gravidade de alterações nos cromossomos e malformações não relacionadas a divisões das células;
  • No primeiro trimestre, nem sempre o útero está totalmente desenvolvido para receber a criança. Depois desse período mais delicado, o feto está melhor fixado na parede do endométrio.

Prevenção é importante

Embora não possam garantir por completo o sucesso da gestação, algumas atitudes cuidam da saúde da mamãe:

  • Planejar a gravidez;
  • Fazer corretamente o pré-natal;
  • Evitar o contato com agentes químicos que possam causar problemas para o bebê;
  • Conversar sempre com o médico e em caso de dúvidas até consultar um geneticista;
  • Manter hábitos saudáveis, como não fumar e não ingerir bebidas alcoólicas;
  • Não tomar nenhum tipo de medicamento sem orientação médica;
  • Ter uma alimentação adequada, com a distribuição normal dos nutrientes energéticos – carboidratos, lipídios e proteínas – e também das vitaminas e sais minerais.

Emocional

“Vários sentimentos vêm à tona e a mulher necessita de profissionais especializados para acompanhá-la desde o diagnóstico confirmado até sua recuperação. Há relatos de mulheres que sofrem o luto a vida toda. Por isso, a família deve ser orientada e acompanhada na superação dessa dor”, aconselha a enfermeira.

 

LEIA TAMBÉM:

Texto: Aline Mendes e Isabela Zamboni – Edição: Loyce Policastro/Colaboradoras