Wagner Santisteban fala sobre Anselmo, romantismo e vaidade

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Para o ator Wagner Santisteban, a novela Caras & Bocas tem sido especialmente desafiadora. Isto porque o personagem Anselmo é o primeiro que o ator interpreta sem a carga de comédia típica dos papéis anteriores (ele começou a carreira aos 5 anos, em comerciais). Além disso, o personagem passa por situações nunca vividas pelo ator: “eu tive paixões, mas não sei se foram tão intensas dessa maneira de me entregar completamente”, compara. Isso sem falar do contato com deficientes, uma experiência nova para Wagner.

Confira alguns trechos do bate-papo do ator com a Guia da TV.

Guia da TV: Como está sendo interpretar o Anselmo, um personagem tão romântico?
Wagner: “Olha, está sendo muito legal e, ao mesmo tempo, um desafio muito difícil pra mim. Porque eu sempre fui cobrado e exigido por papéis mais pra fazer humor. E esse personagem é muito romântico, muito sensível. Está sendo bem bacana porque eu estou podendo mostrar um outro lado meu como ator. Eu não tenho muita coisa do meu personagem, mas estou aprendendo muito com ele, está sendo muito divertido. Porque cada dia, cada cena é uma experiência nova. Eu trabalho há bastante tempo nisso, mas é uma coisa totalmente nova pra mim.”

Guia da TV: Você estava mais acostumado a fazer comédia, né?
Wagner:
“Na verdade, as coisas que eu fiz quando criança eram todas drama, não tinha nada de humor. Quando eu fui pra Globo, que eu fui fazer Sandy & Júnior, já fui fazer um personagem que já era humor, que chamava Basílio da Guia. E, depois, em Malhação, o Download. Não que ele era só humor, mas era um personagem que era mais carismático, era engraçado, extrovertido… Enfim, era um outro gênero. E esse (o Anselmo) é uma coisa muito difícil por lidar com a Danieli (Haloten, a Anita), também, que é uma novidade pra todo mundo ali. Eu nunca tinha convivido com ninguém que tivesse nenhuma deficiência na minha vida.”

Guia da TV: Na preparação para esse papel, você teve contato com outros deficientes visuais fora a Danieli?
Wagner:
“A princípio eu tive a ideia de fazer isso. Eu assisti tudo relacionado a cegos, eu fiz todo esse estudo. Mas eu quis me aproximar dela, eu quis conhecer a Danieli, o mundo dela. Porque é por ela que ele se apaixona. Acho que eles queriam isso, que fosse uma novidade. Porque é uma novidade para o Anselmo também. Ele não é um enfermeiro. Ele é um cara que se apaixona por uma pessoa que tem essa deficiência. Ele nunca nem pensou nisso.”

Guia da TV: O seu personagem é apaixonado pela Anita, vai fazer de tudo pra reconquistá-la. Já aconteceu com você, na vida real, de se apaixonar a ponto de fazer de tudo pra ficar com a pessoa?
Wagner:
“Pra fazer de tudo eu acho que não. Eu nunca fui assim. Tive paixões, mas não sei se foram tão intensas para me entregar completamente. O Anselmo quer casar com ela. Eu nunca tive isso até hoje, pelo menos. Mas eu já tive as minhas paixões. Já fiquei triste, já fiz coisas erradas de trair e me arrepender e mentir por isso, enfim… Só que a gente evolui, né? Graças a Deus! (risos) Eu tento botar muito os sentimentos que tive com essas ex-namoradas porque o Anselmo tem cenas em que está totalmente arrasado.”

Guia da TV: Mas você seria capaz de fazer qualquer coisa por uma mulher?
Wagner:
“Acho que sim, dependendo da mulher. Se fosse uma mulher que demonstrasse, que merecesse tudo, que eu fizesse qualquer coisa, eu faria. Por que não? Uma coisa que eu estou aprendendo muito com esse meu personagem é ser muito mais aberto. Eu sou uma pessoa, por motivos que a gente cria na cabeça, muito `defendida´ em relação a me abrir pra qualquer menina que eu me relacione. Então, esse personagem está fazendo eu aceitar um pouco mais o amor, entendeu? Porque eu nunca queria me envolver muito. Sempre desconfiado, sempre vendo interesse… E isso não leva a nada, também.”

Guia da TV: Você acha que com esse personagem, agora, todo romântico, você pode ser rotulado como galã?
Wagner:
“Olha, eu nunca gostei de rótulo desde a época em que eu fazia coisas engraçadas. As pessoas falam: `você é um ator de comédia´. Eu nunca gostei muito de rótulo porque isso limita você. Nesse lado de ego, de vaidade, eu sou bem desencanado mesmo. Sou ator e minha ideia é fazer todo tipo de personagem, buscar dentro de mim todas essas coisas que possam vir, dentro ou fora, que rolar… Mas, enfim, o Wagner Moura não é um cara tipo galã e teve esse rótulo. Acho que, como ator, se a gente acreditar a gente pode ser qualquer coisa. Não só como ator, na vida a gente pode ser assim.”

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