Entrevista com Lilia Cabral

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Direto do teatro e do cinema, a série Divã está conquistando o público também na TV

A série Divã está revolucionando a carreira de Lilia Cabral. A trama já teve seu espaço nas telonas e nos palcos, agora chegando à televisão para consagrar seu sucesso. A atriz vive a personagem de corpo e alma e explica como tem sido a sua relação esse projeto.

Entrevista com Lilia CabralGuia da TV: Fale um pouco sobre esse projeto, que é tão importante na sua carreira.

Lilia: Quando li “O Divã”, isso em 2003, a primeira ideia que me veio à cabeça foi de fazer um seriado. Porque apesar de ser uma história contada com começo, meio e fim, me veio a ideia de que eu poderia contar, todo dia, uma história onde uma mulher ia chegar no divã para conversar com o analista coisas que ela estaria vivendo, que ela viveu, que ela lembra, justamente porque eu tinha muita vontade de rever na tevê tudo aquilo que eu vi quando eu tinha 18 anos. Ou seja, “Malu Mulher”, “Mulher”, enfim, programas voltados para a mulher. Eu fiz um projeto pensando em televisão. Depois, automaticamente, fiz pensando no teatro.
 

Guia da TV: Por que você levou para os palcos primeiro?

Lilia: O teatro eu domino. Vou à luta, peço patrocínio, chamo uma equipe, produzo, então, era uma coisa que dependia mais de mim. E a TV ou o cinema não dependem de mim. O primeiro impacto que tive na TV é que tudo tem seu tempo e que poderia não ser naquela hora. Conforme ouvi isso, corri para o teatro, que é uma bênção. Além de ter uma história viva, você pode criar elementos, personagens, coisas que você conhece da sua vida e sem nenhum pudor. E foi isso que aconteceu.
 

Guia da TV: Você esperava que esse caminho acabasse trazendo você para esse seriado na Globo? Quais são as principais diferenças da série para a peça e o filme?

Lilia: A gente não sabia que daria tão certo a ponto do Alvarenga (José Alvarenga Jr.) assistir e achar que poderia levar para o cinema. Eu já achava isso, que fique claro, mas é diferente. Ele é diretor. Então, a diferença é que no teatro eu fazia uma macaca, no cinema eu fazia uma coelhinha. Sim, porque eu não poderia fazer aquelas coisas no cinema. E o pior é que você fica se policiando a sua vida inteira quando tem um Alvarenga do seu lado. É um grande mestre que me ensinou muito. E o filme foi o sucesso muito em função dele, que estava lá, me indicando todos os caminhos. Na TV, estamos contando oito histórias que nós acreditamos que cheguem ao calor do coração feminino e que, junto com elas, estejam os maridos e filhos. E que eles também aproveitem essa história que a gente está contando.

Guia da TV: A Mercedes da TV é a mesma do cinema e do teatro?

Lilia: Eu acho que estou fazendo essa Mercedes bem parecida. Antes de mais nada, ela é um sonho ainda. Nós estamos fazendo um programa de muita qualidade. Mas com o resultado, depois de ver, é que vou poder dizer quais são as diferenças. Por enquanto, ainda estou vivendo momentos de muita gratidão e generosidade. De muita entrega e confiança no trabalho, que é isso que a gente precisa ter.
 

Guia da TV: Como foi feita essa adaptação para a TV?

Lilia: Tivemos uma reunião eu, o Saback (Marcelo Saback, autor) e o Alvarenga para analisar porque haveria interesse em mostrar uma mulher sentada no divã contando histórias que não são mais as do filme. E a gente achou oito motivos. A cada semana,a Mercedes vai para o divã com um motivo que será desenvolvido com começo, meio e fim. É ali que entram personagens que até podem parecer arquétipos, mas que têm a essência do humor, da emoção… O papel é divertido, mas não é por isso que ele será sempre divertido ou engraçado. A linha condutora desse motivo tem enorme gama de cores, sentimentos até ásperos. É difícil colocar em 40 minutos uma ideia, desenvolver com começo, meio e fim tão bem elaborados.

Guia da TV: Você se envolve na produção do texto?

Lilia: Eu não influencio nas ideias. Minha colaboração é com pequenas coisas que eu acho que poderiam cair bem ali. O oitavo episódio discute a morte. E como todos os episódios têm coisas muito divertidas, o oitavo estava meio encalacrado porque o Marcelo Saback achava que não estava achando o humor do programa. Mas não é porque estamos fazendo um programa divertido que ele tem de ser “quá quá quá” o tempo todo. Já que é uma despedida, ele achava mais bacana fazer um programa de emoção. “Então faça isso!”, foi minha contribuição. É mais uma opção. E já que vamos nos despedir, podemos fazer uma analogia. Eu estou indo para uma novela. Então, o elevador fecha como se fosse uma cortina de teatro. Mas isso não é meu, não, foi ideia do Saback. Essas simbologias são todas dele. Nós conversamos sobre o que poderíamos fazer para agradar o público, não para me agradar.

Guia da TV: Na série, o filho da Mercedes se envolve com uma mulher mais velha. Você aceitaria isso numa boa?

Lilia: A Mercedes vai ao analista e diz que, se ela soubesse que homem tem mãe, jamais teria se envolvido com rapazes mais novos. No primeiro impacto, será que as mulheres que têm um filme bonito e, de repente, chega uma quarentona ou cinquentona com ele, será que as mulheres olhariam e falariam “que bonitinho”? Nunca! Quem fizer isso, acho que é exceção! Ou então é cúmplice, está pegando um garotão também. Mas depois, tudo pode mudar, nada é definitivo.

Texto: Larissa Faria
Entrevista: Marvio Gonçalves
Foto: João Miguel Júnior/Divulg/Tv Globo

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