Ellen Roche critica os padrões de beleza e confessa que adora comer

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Mulher fruta? Só mesmo na ficção! Ellen Rocche conta como é interpretar a Mulher Mangaba em ‘Sangue Bom’, uma personagem que faz tudo pela fama. “Na verdade a novela gira em torno do ter e do ser, da essência do ser humano. Quem é de verdade e quem quer ser e ter. Gira em torno da futilidade e de conquistar a fama facilmente. É uma crítica às mulheres que fazem de tudo pra aparecer”, disse a atriz, que nas horas vagas adora escrever poemas e crônicas.

Entrevista com Ellen Rocche: a atriz não descarta posar nua novamente

Foto: Francisco Cepeda / AgNews

Guia Astral –  Em Sangue Bom você interpreta uma mulher fruta, como está sendo viver um personagem completamente diferente de você?

Ellen Rocche – Faço uma funkeira, a mulher Mangaba. A Alessandra, minha amiga, já está por dentro de tudo, sabe melhor do que eu sobre essa fruta. Eu nunca experimentei, mas estou desesperada pra ver onde eu consigo achá-la. Essa é uma fruta típica do nordeste e ela se parece com uma laranja ou maracujá. Mas dizem que é muito gostosa, tem sorvete, suco. Dá pra fazer várias coisas com ela. Todo mundo que prova, diz que é gostoso. Eu li que no tupi-guarani significa fruta boa de comer (risos).

GA – Hoje em dia têm várias mulheres que se intitulam mulheres frutas. Sua personagem é uma forma de homenageá-las?

ER – Na verdade a novela gira em torno do ter e do ser, da essência do ser humano. E no mundo da fama também. Quem é de verdade e quem quer ser e ter. Gira em torno da futilidade e de conquistar a fama facilmente… É uma crítica às mulheres que fazem de tudo pra aparecer. E ao mesmo tempo também quer dizer que nem tudo é o que parece ser… Porque ela trabalha, faz seus shows… Ela se sensibiliza com o outro também. Ou seja, tem o outro lado. Mas ela faz tudo e mais um pouco pra aparecer.

GA – Você conhece alguma mulher fruta? Sabe se a rotina dela às vezes é parecida com a da personagem?

ER – Eu conheço pelas redes sociais, mas não tive a oportunidade de ver uma mulher fruta, de conversar com ela. Conversei com algumas funkeiras que não são conhecidas em São Paulo. Mas a Mangaba é paulista. Por enquanto estou de olho nas redes sociais. As funkeiras de Sampa se vestem de maneira diferente. É mais vestidinho justo e saltão. Ela quer aparecer, gosta da fama. Nada me assustou no universo das frutas. Têm umas mais saidinhas, outras que parecem uns travestis… Cada uma tem sua personalidade. A Mangaba é uma mistura de todas. Considero-me uma mulher salada de frutas (risos).

GA – Algumas músicas que você canta na novela serão adicionadas ao CD. Ficou feliz com a notícia?

ER – Fiz apenas três aulas de canto e as músicas vão para o CD da novela. Fiquei surpresa com essa notícia. Soube agora pouco antes de entrar no estúdio. Pra mim está sendo muito divertido, e ao mesmo tempo bem desafiador.

GA – E você vai dançar de shortinho curto na novela?

ER – Vou dançar sim, aliás, já estou dançando, até o chão e estou ficando toda durinha… Estou fazendo aulas de dança com o coreógrafo Fly. E também estou fazendo aulas de música. Mas o grande lance é aprender a desafinar, porque sou uma cantora de funk.

GA – De uns tempos pra cá você emagreceu bastante…

ER – Você acha? Que maravilha! Com essa malhação, estou fazendo musculação três vezes por semana. Estou trocando a gordura por massa magra e acaba dando uma secadinha. Não tenho muito tempo para fazer exercícios aeróbicos, se faço meia hora é muito. Só intensifico para o carnaval. Durante O Astro eu também tinha uma maratona pesada. E estava começando a me alimentar menos, porque comecei uma reeducação alimentar. Quando a gente faz o que gosta, como foi o caso da dança, a alimentação acaba sendo mais saudável porque se você só come feijoada não vai ser normal. O organismo está acostumado com o natural, o frango grelhado, a salada, sem muita gordura… A única coisa que eu falo é pra não pedir pra eu ficar sem comer. Eu adoro comer! Fico muito mal humorada se não me alimento. É claro que tenho um bom humor, mas quando acordo tenho que comer. Se não como o que gosto, é ruim porque a vida fica triste… (risos)

GA – Numa entrevista você comentou que é viciada em chocolate. Como controla esse desejo?

ER – Adoro chocolate! Sorvete! Adoro uma gordura vegetal hidrogenada (risos). Mas hoje em dia os padrões mudaram muito. As pessoas estão mais exigentes e, infelizmente, não sei quem fez isso, não sei se foi a mídia. Existiu uma época, durante o carnaval, que eu estava malhando e normalmente fico mais cheinha. Automaticamente as minhas medidas aumentam quando estou malhando. Percebi uma inversão de valores. E as pessoas começavam a falar que eu estava gorda. É uma cobrança tão grande que só traz infelicidades para as mulheres. É bacana estar magra também, e quando você busca o personagem em que usa-se o corpo, pra mim só vem somar. É claro que fico feliz porque as roupas caem melhor, fotografo melhor no vídeo… Acho tudo isso uma bobagem. A mulher tem que se sentir bem, independente de quanto ela pesa. Prezo sempre a saúde! A estética vem como consequência. Força de vontade é fundamental e acreditar que nada é impossível. Não deixo de comer as coisas que gosto.

GA – Você tem um dia em que come tudo que tem vontade?

ER – Como disse, todo dia é dia, mas não enfio o pé na jaca, pois passo mal. Prefiro comer o que me dá vontade, sem ansiedade e respeitando o meu corpo.

GA – Como você procura manter a pele e os cabelos bonitos? Aliás, você tem algum truque para evitar estrias e celulites?

ER – No cabelo, faço hidratação a cada quinze dias, e na pele uso sempre protetor solar. Não sei se é um truque, mas acho que pra evitar celulites e estrias, é dormir bem, beber muita água, fazer drenagem linfática, exercícios físicos e, claro, ter uma boa alimentação.

GA – Propostas para posar nua não faltarão. Você pensa em aceitar algum desses convites?

ER – Não é o meu foco, mas vamos ver. Vamos aproveitar que estou com a essência da mulher Mangaba (risos).

GA – Quando você está de folga das gravações e consegue um tempinho livre, o que mais gosta de fazer?

ER – Adoro caminhar na Orla, mas meu hobby é escrever. Eu adoro! Escrevo poesias, crônicas… Pra mim é uma terapia. Principalmente quando estou longe da minha terapeuta, que fica em São Paulo. E, quando tenho tempo, gosto de ir ao cinema, teatro…

GA – Já que você adora escrever, pretende um dia publicar essas crônicas?

ER – Quem sabe… Estávamos falando de nu e eu até escrevi algo sobre o mais difícil de desnudar, que é desnudar a alma. O corpo é fácil, mas mostrar quem você é de verdade é complicado. Eu morria de vergonha de mostrar para as pessoas o que eu pensava referente às minhas emoções. Mas, com a minha carreira, quanto mais tenho contato comigo mesma, com o meu interior, mais tenho vontade de mostrar. Quem sabe um dia, né?! Tenho um super caderno com as minhas anotações, observações sobre a vida…

 

Entrevista por: Ester Jacopetti

 

 

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