Abaixe o volume!

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A exposição excessiva a ruídos começa com um simples desconforto e pode desencadear estresse, insônia, problemas cardíacos e até depressão

Poluição sonora: abaixe o volume!

Você corre para escapar do trânsito, buzinas, britadeiras… trabalha ouvindo o telefone tocar o dia inteiro. Vai pra academia e malha com o som no último volume! Mais trânsito barulhento! Daí você vai pra casa, toma um banho e cai na cama com a certeza de que ali está o último reduto de silêncio do mundo, mas a gritaria nos bares, os alto-falantes dos carros, as sirenes de viaturas e ambulâncias deixam claro que você não vai descansar. Sem contar os fones de ouvido tocando aquela música que você ama no último volume, o dia todo!
Esses são apenas alguns exemplos da poluição sonora a que somos submetidos diariamente. “O desconforto causado pelos sons pode modificar a qualidade do sono, que, por sua vez, potencializa o estresse. Se o incômodo for contínuo, o organismo vai somando e acaba estimulando o desenvolvimento de doenças, apresentando consequências na saúde emocional, psicológica e física”, afirma a médica Nadja de Sousa Ferreira.

Limites sonoros
Tecnicamente, a poluição sonora se caracteriza com a exposição a sons acima de 90 decibéis (dB), durante 8 horas consecutivas, sem proteção auricular, segundo Nadja. Nessas condições e de maneira contínua, a saúde pode ser afetada de modo grave e até irreversível. No entanto, vale ressaltar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que o estresse auditivo tem início sob exposições acima de 55 decibéis. Veja as consequências de acordo com a intensidade dos sons:

• Até 55 decibéis – não causa problemas.
• Entre 56 dB e 75 dB – pode incomodar, mas não gera malefícios à saúde.
• Entre 76 dB e 89 dB – pode afetar a saúde.
• Acima de 90 dB – dependendo do tempo de exposição, a saúde pode ser prejudicada de modo irreversível.

Corpo, cabeça e coração
A exposição a ruídos desconfortáveis pode prejudicar o convívio social, o desempenho no trabalho e até o funcionamento do organismo. Saiba como isso acontece:
Corpo: a poluição sonora pode elevar o ritmo cardíaco, a pressão sanguínea e as contrações musculares; aumentar os níveis de glicose (podendo desencadear o diabetes tipo 2); prejudicar a circulação do sangue (gerando eventuais infarto, derrame e impotência sexual); interromper a digestão, a produção de suco gástrico e o fluxo de saliva; gerar dores de cabeça e náuseas; entre outros.
Cabeça e coração: perda de concentração, irritação permanente, diminuição dos reflexos, desânimo, redução do apetite sexual, fadiga mental, insônia, ansiedade, depressão, tensão e medo são alguns dos distúrbios emocionais e psicológicos.

Hormônios e tratamentos
A sonoridade do dia a dia interfere diretamente na produção de hormônios, aumentando as doses de adrenalina e cortisol, substâncias relacionadas ao estresse. “Por isso os jovens, que já têm muitos hormônios, aceitam bem sons altos sem se estressar, ou seja, esses hormônios que surgem com a poluição sonora não interferem na carga hormonal deles. Por outro lado, os idosos tendem a ser mais intolerantes a barulhos, pois os sons afetam significativamente sua carga hormonal”, esclarece a médica. Sem dúvida a melhor solução para o problema é evitar situações de exposição a ruídos. Mas como isso quase sempre é inviável, existem outras maneiras de combater a fadiga e o estresse causados pela poluição sonora. A principal delas é fazer a reposição do aminoácido arginina, tanto através de medicamentos como pela alimentação. Laticínios, aves e peixes são ótimas fontes de arginina. Momentos de lazer em parques, campos e praias também podem auxiliar na “desintoxicação” física e emocional, bem como a prática de yoga, caminhadas e ginástica.

Texto: Rafael Tadashi

Foto: Glow Images/Latinstock

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