Mentiras que contamos ao ginecologista

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É muito comum para algumas mulheres ir ao médico para fazer exames de rotina e, diante de uma pessoa “estranha”, omitir algumas informações ou, quando ele perguntar, dizer exatamente o contrário. Mentir ao ginecologista é um fato que pode se repetir, principalmente quando não se tem muita confiança no profissional ou quando vai à consulta acompanhada e não quer abrir o jogo.

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Essa atitude também é chamada de auto-sabotagem, pois coloca em risco a saúde da própria paciente. O medo de levar uma bronca ou mesmo a vergonha na hora de fazer perguntas pode dificultar o diagnóstico, escondendo sintomas e sinais que fariam toda a diferença.

“Todos os dados passados ao médico são de extrema importância para a elaboração de um diagnóstico correto e um tratamento adequado”, ressalta o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli Borges Filho. Veja alguns motivos para nunca esconder nada ao seu médico:

 

Sobre a vida sexual…

Dizer que nunca tomou a pílula do dia seguinte é um tipo de mentira que pode confundir o médico na hora de elaborar um diagnóstico adequado, pois a pílula do dia seguinte pode causar uma série de alterações indesejadas no ciclo menstrual e no organismo feminino.

Em geral, há mulheres que se sentem acanhadas em confessar que mantêm relação sexual com mais de um parceiro. No entanto, o médico precisa ser informado sobre tal atitude para realizar diagnóstico correto e indicar prevenções e profilaxias adequadas para cada caso.

Dizer que faz uso do preservativo todas as vezes que teve relações sexuais – quando não o fez! – também é muito perigoso, pois faz com que o médico descarte alguns diagnósticos importantes como gravidez ou doença sexualmente transmissível (DST). Em todo o caso, diga a verdade, ok?!

 

Sobre hábitos…

Algumas medicações não podem ser receitadas para fumantes, como os anticoncepcionais. Muitas mulheres escondem esse hábito do seu médico e respondem o contrário quando eles pergunta. Porém, em pessoas que fazem o uso do tabaco, as pílulas contraceptivas podem aumentar a chance de desenvolver trombose venosa profunda, além de oferecer complicações em atos cirúrgicos.

O mesmo vale para quando é perguntado: “Faz uso de algum medicamento?”. É muito comum algumas pacientes não contarem que estão tomando medicamento para emagrecer, por exemplo. Omitir o uso de qualquer remédio, até os mais inofensivos, pode ser prejudicial se o médico receitar algum outro medicamento que seja incompatível com o que já está sendo ingerido.

A resposta “só bebo socialmente” também sai da boca de quem está ingerindo bebida alcoólica com frequência. A vergonha em confessar que exagerou ou que tem algum tipo de vício poderá comprometer a metabolização de algumas drogas, inclusive os anticoncepcionais. Na maioria dos casos, o álcool interfere no método contraceptivo e nos tratamentos indicados pelo especialista.

Aliás, outra mentirinha muito comum é chegar ao médico e dizer que tomou a medicação corretamente, sem ter tido esse cuidado. Se, por algum motivos, os sintomas não desapareceram, o médico entenderá que a medicação receitada foi ineficaz. Daí, ele receita uma nova droga que poderá ser tomada de forma errada novamente gerando diagnósticos incorretos.

 

Sobre doenças…

Por vergonha de relatar que já teve doenças sexualmente transmissíveis, as mulheres costumam esconder esse “detalhe” do seu ginecologista e se esquecem de que o médico é a única pessoa que poderá orientar a paciente sobre prevenção e tratamento. Além disso, terá as condições de fazer um diagnóstico mais elaborado.

Se há doenças precedentes na família, eles sempre perguntam. É comum esquecer todo o histórico familiar de doenças, principalmente quando se tem que ficar contando para vários médicos. Mas descrever o quadro de enfermidades da árvore genealógica da família pode interferir no diagnóstico, afinal muitas doenças têm um forte fator genético ou congênito agregados.

Contar ao ginecologista que tem corrimento vaginal também é fundamental. Ele pode ser sinal de que algum probleminha está acontecendo, portanto precisa ser investigado e tratado. Pode ser algo simples, uma alergia ou uma bactéria, mas também pode indicar um mioma, uma inflamação local, uma endometriose e até mesmo um câncer de colo de útero em desenvolvimento. Viu só como a sinceridade vale ouro?

 

Consultoria: Ginecologista e Obstetra Dr. Domingos Mantelli Borges Filho. Site- www.domingosmantelli.com.br 
Foto: Thinsktock/GettyImages

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