Entrevista com Irene Ravache, a Charlô do remake de Guerra dos Sexos

Irene Ravache em coletiva de imprensa de Guerra dos Sexos

Foto: Estevam Avellar / Rede Globo

Ela tem 68 anos de idade e 51 de carreira. Com tantos papéis memoráveis na tevê, não é surpresa que Irene Ravache foi a escolhida para dar vida à Charlô, personagem interpretada por Fernanda Montenegro, na versão original de Guerra dos Sexos. Novamente ao lado de Tony Ramos,  a atriz vai ser a responsável por fazer o público dar altas gargalhadas com as eternas brigas com Bimbinho, personagem vivido pelo ator. Aliás, quando o assunto é o colega de elenco, Irene é só elogios e fala com carinho do amigo. Além de Tony Ramos, Irene comenta a relação com outro grande ator. “Eu trabalhei com o Paulo Autran no teatro e na tevê. Fui apaixonada por ele quando era jovem, ainda estudante. Ele era o máximo!”, afirma. Confira outras revelações nesta superentrevista:

 

Guia da TV: Em Guerra dos Sexos, você interpreta eum personagem que foi de Fernanda Montenegro. Como se sente?
Irene: “Primeiro, é uma honra. O trabalho de Fernanda e do Paulo Autran é um clássico! Eu me sinto privilegiada porque sou cria de Fernanda e de Paulo, sou amiga deles.  Existe uma coisa que eu acho que é muito especial no nosso trabalho que é essa multiplicação de possibilidades. E um ator fica muito contente, vibra quando vê o trabalho do outro. Existe a responsabilidade, mas ela vem abonada por um carinho e um afeto muito grande. Isso me dá chance de fazer a minha Charlô.”

Guia da TV: Como era seu contato com o Paulo Autran?
Irene: “Eu trabalhei com o Paulo no teatro e na tevê. Fui apaixonada por Paulo Autran quando era jovem, ainda estudante. Uma das primeiras peças que assisti foi My Fair Lady, com Bibi Ferreira e ele. Fui ao camarim, estava toda borrada de rímel, chorava demais. Ele era o máximo! Eu era apaixonada por ele. Quando ele foi fazer Pato com Laranja, fui a quarta esposa dele. Ele fez com Marília Pêra, com Susana Vieira, Eva Wilma e, depois, comigo. E ele fazia uma coisa linda, o único colega que tive que fez isso. Nós entrávamos juntos em cena. Ela passava no meu camarim, batia na porta e me buscava para ir com ele até o palco.”

Guia da TV: Como tem sido o clima nas gravações?
Irene: “Muito bom! O Jorginho  conseguiu pegar as equipes técnica e artística e dar um norte. E nos motivar para que fizéssemos o nosso trabalho da forma mais objetiva e coesa que se pudesse ter. O trabalho tem corrido muito bem, nesse clima de amizade e descontração mesmo.”

Guia da TV: Você acha que hoje ainda existem diferenças gritantes entre homens e mulheres?
Irene: “As mulheres continuam ainda na sua luta. Hoje, esses casos ainda que nós temos, de mulheres presidentes de países, são minoria ainda se consideramos o nosso próprio país, onde mulheres ainda são assassinadas porque lutam por um pouco de independência. Onde existe um preconceito grande ainda. Você sai do eixo Rio-São Paulo ou de uma outra capital e as mulheres ainda estão em segundo, terceiro plano. Elas ainda têm de brigar – e bastante! Não é só no âmbito profissional. Em muitas cidades, mulheres ainda não têm os mesmos salários que os homens, mesmo desempenhando funções iguais ou tendo o mesmo currículo. Em muitos lugares, o homem fala pela mulher, escolhe pela mulher. Hoje, é vendida uma imagem da mulher que aparentemente é de liberdade, de mulheres que se exibem, mas isso é o contrário, é uma prisão em retrocesso.”

Guia da TV: Você contracena mais uma vez com Tony Ramos. Fale um pouco sobre essa parceria.
Irene: “Nós nos conhecemos há muitos anos. Conheci o Tony quando ele ainda era solteiro. Trabalhamos juntos na TV Tupi. Meu marido e a esposa dele são amigos também. É claro que isso é facilitador. E temos também o mesmo tipo de humor.”

Guia da TV: O humor é um gênero que te atrai mais?
Irene: “Sou uma atriz. Faço coisas. É o que temos para hoje. É assim o nosso trabalho.”

Guia da TV: Sua personagem tem um lado aventureiro forte. Você também tem?
Irene: “Não, eu nem sei andar de bicicleta! A sorte que temos dublês e recursos técnicos para as cenas.”

Irene Ravache e Tony Ramos em cena de guerra de comida em Guerra dos Sexos

Foto: Estevam Avellar / Rede Globo

Guia da TV: Como foi gravar a cena da guerra de comida?
Irene: “A cena emblemática é uma cena transformadora na televisão brasileira por ser inusitada, arrojada e diferente. Lógico que ficamos muito emocionados. Nós iríamos fazer uma cena que amigos queridos, atores que nós admiramos, haviam feito. E feito maravilhosamente bem! A cena correu, dentro do que é possível, de forma boa, e tranquila. Se é que podemos chamar de tranquilo receber um pote de iogurte na cara, né? Você fica sem enxergar. Eu ouvia a voz do Tony, mas não tinha mais noção de onde ele estava. Foi muito bom. Teve iogurte, gelatina, café, suco de laranja… O café, o suco, batem e escorrem. O iogurte não, desce lentamente, entra pelos olhos. Você limpa do olho e ele continua descendo. E eu não sou muito boa de pontaria, ainda mais sem enxergar. O Tony é muito peludo, disse que tinha cereja e framboesa nos pelos dele!”

Guia da TV: Em Guerra dos Sexos você reencontra vários colegas de Passione. Como se sente?
Irene: “É muito bom quando você vai trabalhando com companheiros de longa caminhada. Mas não só atores, técnicos também. Sou produtora de teatro e durante muitos anos trabalhei com a mesma equipe. Você vai aprendendo a conhecer bem as pessoas.”

Guia da TV: Você é uma mulher muito querida pelo público. Tem noção da dimensão do carinho do público com você?
Irene: “Eu acho as pessoas muito gentis comigo. Carinhosas e gentis. A abordagem deles vem muito naturalmente.  E eu continuo fazendo as minhas coisas. Como ir ao supermercado, por exemplo. Não estou nem falando em mercado chique, eu vou a supermercado popular mesmo. Então, acho que isso facilita também o contato. Uma vez ouvi algo bonito de uma mulher. Ela disse que o que sentia a meu respeito era que eu era uma delas que deu certo. E eu respondi que elas também deram certo, eu só fiquei conhecida.”

 

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