Endometriose: cirurgia é melhor tratamento para a doença que atinge cerca de 6 milhões de mulheres

A cirurgia ganha força no tratamento. Saiba mais sobre essa e outras novidades

As pesquisas sobre a endometriose em todo o mundo estão apontando a cirurgia como a melhor opção de tratamento para a doença. Quem relata a tendência é o ginecologista Joji Ueno, especialista em reprodução humana, que participou de um congresso mundial sobre endometriose na Austrália. Conheça as novidades sobre o assunto.

O que é endometriose?

É uma doença caracterizada pela migração de partes do endométrio (camada que se forma no útero para receber o óvulo fecundado), durante a menstruação, para outros órgãos do corpo, principalmente os ovários. Segundo a Sociedade Brasileira de Endometriose, o problema atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, um total de aproximadamente 6 milhões de pessoas.

Tratamento

Ueno concorda que os procedimentos cirúrgicos ainda constituem os meios mais eficazes para acabar de uma vez com a endometriose. Eles promovem a coagulação ou a própria retirada de focos da doença (pequenos volumes de endométrio que se instalam fora do útero).

Nos casos mais graves, pode-se até fazer a retirada de parte de outros órgãos atingidos, como o intestino. “Os procedimentos cirúrgicos estão já bem estabelecidos e o tratamento medicamentoso pode ser associado a eles em algumas situações”, conta Ueno.

Amenização dos sintomas – dor e infertilidade

As fortes cólicas menstruais e a dificuldade para engravidar também vão embora depois da cirurgia. Atualmente, o uso de antiinflamatórios e pílulas anticoncepcionais ajudam a controlar a dor, e o avanço das técnicas de reprodução assistida permitem que pacientes com o problema consigam ter filhos. Porém, a doença permanece. “O que confere melhores resultados mesmo são os tratamentos cirúrgicos”, reforça Ueno.

Maternidade tardia favorece a doença

Deixar a maternidade para depois dos 30 anos e ter menos filhos são decisões que mexem não só com a vida prática, mas também com a estrutura hormonal das mulheres. Neste caso, elas se tornam mais propensas ao desenvolvimento da endometriose. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), os casos da doença cresceram 65% entre 2000 e 2007, mas o médico Joji Ueno, de São Paulo, acredita que os números sejam ainda maiores, dada a dificuldade de diagnóstico. “A desinformação a respeito da endometriose leva ao diagnóstico tardio, piorando as condições de tratamento e prolongando o sofrimento feminino”, diz.

Adolescentes – principais sinais de alerta para a doença

Além das mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar, as adolescentes devem estar atentas. Segundo o especialista, até 50% das meninas que apresentam as chamadas cólicas incapacitantes (dor intensa que requer repouso e as impede de exercer suas atividades normais) podem ter endometriose. Se for descoberta cedo, antes mesmo do início da atividade sexual, a doença tem bem mais chances de ser contornada. “A mãe, geralmente mais próxima da garota, não deve subestimar as queixas de cólica”, orienta Ueno.

Novos medicamentos

As pesquisas continuam, mas o que se tem, por enquanto, são novas estratégias de utilização dos remédios já tradicionais.
O médico explica que estão sendo investigados meios de conter o avanço da doença, deixando-a estagnada, antes de submeter a paciente à cirurgia.
A antecipação do diagnóstico é outra novidade que pode surgir por aí. “No congresso, foi apresentado um trabalho que demonstrava que, por meio de uma biópsia de endométrio, é possível predizer se a mulher teria endometriose. Mas ainda são estudos preliminares”, afirma.

Joji Ueno é ginecologista, especialista em reprodução humana e diretor da clínica Gera, de São Paulo.
Texto de Adriana Serrano

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