Por que estou sozinha?

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Por que estou sozinha?

Foto: Thinkstock/GettyImages

Por Aline Mendes

Apaixonar-se completamente e viver um lindo romance parece ser um sonho perseguido por muitas pessoas. Entretanto, o que se observa é que a maioria sofre por amor, seja porque não se sente realizada na relação, muda de parceiros, mas não de problemas, ou não sabe lidar com a solidão.

Para o psicoterapeuta Flávio Gikovate, a solução está em substituir o amor romântico, esse que desperta o desejo de se entregar de corpo e alma à pessoa amada e viver em função dela, por um sentimento que não crie dependência e respeite as vontades de cada um, como costuma ser a amizade. É o que ele defende no seu 26º livro, Uma história do amor… Com final feliz, da MG Editores. “Os relacionamentos que vão durar são aqueles que aproximam duas pessoas inteiras, e não duas metades”, afirma o psicoterapeuta.

Amor X individualidade

O amor, como o ser humano percebe desde bebê, é uma sensação de aconchego e paz. Diferente da sexualidade, que é um prazer descoberto de forma individual, o amor necessita do outro. Durante toda a vida, a pessoa vive um conflito entre amor e individualidade. Ainda criança, ela se vê dividida entre a necessidade de ser protegida o tempo todo pela mãe e a vontade de brincar sozinha ou com outras crianças.

Na adolescência, quando se rompe parte da dependência da família e se quer reforçar a própria personalidade, é comum buscar paixões impossíveis, pois elas não atrapalham a individualidade. Também é normal se concentrar nos amigos, que têm interesses em comum e respeitam o espaço do outro.

Quando os jovens crescem e vai cada um para o seu lado, volta a necessidade de paz e aconchego, logo identificada com o amor romântico. Esse sentimento tende a ser possessivo, criar algum tipo de dependência e encobrir os anseios individuais em nome do bem-estar da relação a dois.
E se um abre mão dos sonhos pessoais por amor, provavelmente se sentirá frustrado e irá, um dia, odiar o outro.

Por que não dá certo?

De acordo com o psicoterapeuta, os casais são formados por um generoso, aquele que cede e doa tudo ao par, e um egoísta, que oferece muito pouco ou quase nada. A união entre dois generosos é rara, pois o egoísta é mais sedutor e parece interessante buscar nele as qualidades que o outro pensa não ter. Já o encontro de dois egoístas dura pouco, pois há mais competição do que carinho. Com o tempo, o generoso fica carente, frustrado, perde o desejo e a relação acaba, ou porque o egoísta não tolera ser rejeitado, ou porque aquele que se doa busca um novo par, geralmente, reproduzindo o mesmo tipo de relação.

Por que estou sozinha?

Foto: Thinkstock/GettyImages

A solução

Buscar um relacionamento no qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer em estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar e a felicidade da pessoa amada, muitas vezes, requer o próprio aborrecimento.

A ideia romântica de que somente amar e ser amado pode trazer felicidade está condenada a acabar. Com maturidade emocional, se aprende a dar na medida em que se recebe e, ao invés de ficar frustrado, buscar a felicidade em si mesmo e outros pontos da vida. De acordo com o psicoterapeuta, o sexo passa a ser fonte renovável de prazer e alegria e não uma forma de prender ou manipular o outro.

Para Flávio Gikovate, a mudança é progressiva e embora os dois estejam sufocados, um pode se sentir ofendido ou perdido com a liberdade. Entretanto, somente livre se pode amar pra valer. Haverá final feliz quando ambos estiverem conscientes da importância de trocar cobranças, ciúme, frustrações e desgastes por projetos de vida que respeitem os sonhos de cada um.

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