Relatos de enfermeiros: o desabafo de quem trabalha na linha de frente

Relatos de enfermeiros que trabalham na linha de frente no combate ao coronavírus

Leia os desabafos dos profissionais que se expõem diariamente à doença

relatos de enfermeiros
Foto: Instagram/Pablo Miranda

Na última terça (12), foi comemorado o Dia do Enfermeiro – uma profissão que trabalha diretamente no combate ao coronavírus dentro e fora de hospitais. Entre dias muito intensos, cercados pelo medo e plantões contínuos, alguns relatos de enfermeiros chamaram a atenção e comoveram pessoas ao redor do país sobre as condições de trabalho que vêm enfrentando para conseguir atender a população.

Segundo o Conselho Nacional de Enfermagem, cerca de 13 mil profissionais da área já foram contaminados com o coronavírus e 98 morreram em decorrência das complicações da doença. O número de óbitos desses prestadores de serviço no Brasil já são maiores do que Espanha e Itália juntas.

Os relatos de enfermeiros que arriscam suas vidas diariamente

Graziele Dias

Em entrevista ao jornal Extra, a chefe da enfermagem da Clínica de Doenças Renais de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Graziele Dias, de 37 anos, confessou preocupar-se com o risco de contaminação pela Covid-19. “Todos os profissionais de saúde estão muito abalados. Cada dia que passa, vem a notícia de algum colega que se contaminou com o novo coronavírus ou de alguém que morreu”.

E esse medo do sofrer o contágio não é apenas sobre sua própria vida, mas também daqueles que a cercam. “Mesmo tendo todos os equipamentos de proteção individual e com todos os cuidados redobrados, minha maior angústia é voltar para casa, com medo de contaminar a minha família.”

Ainda assim, Graziele prefere continuar exercendo o seu trabalho e enfrentar a doença de frente. “Ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que atuamos para salvar a vida das pessoas todos os dias”, finaliza a profissional.

Natália Guedes

Entre tantos relatos de enfermeiros, quem também revelou um pouco sobre suas aflições, em entrevista ao Jornal Estado de Minas, foi a profissional da instituição Novo Céu – que trabalha diretamente com adolescentes e adultos com paralisia cerebral em situação de vulnerabilidade social – Natália Guedes, de 35 anos. Seu maior receio é que a doença atinja os pacientes.

“Tenho muito medo. Medo porque esses meninos não têm chance contra o vírus. E medo de que eles sejam contaminados. Mas, ao mesmo tempo, sempre digo: é meu trabalho e não tem muito para onde correr. Somos instrumentos de Deus. O que eu faço é seguir todas as orientações. Vou de casa para o trabalho e do trabalho para casa, sem colocar em risco ninguém”, desabafa.

Natália foi uma das cinco milhões de cadastradas no programa ‘Brasil conta comigo’, do Ministério da Saúde, para atuar no combate direto do Sistema Único de Saúde (SUS) ao novo coronavírus.

Alessia Bonari

Ainda no início da pandemia, quando o quadro da doença no Brasil era infinitamente menor, a enfermeira italiana Alessia Bonari, comoveu internautas com seu desabafo sobre o surto e os casos crescentes de Coronavírus em seu país, deixando também um sinal de alerta para outras nações ao redor do mundo em seu Instagram.

“Também tenho medo, mas não de ir às compras, tenho medo de ir trabalhar. Tenho medo porque a máscara pode não aderir bem ao rosto, ou posso ter me tocado acidentalmente com luvas sujas, ou talvez as lentes não cubram completamente meus olhos e alguma coisa possa ter passado”, escreveu.

A enfermeira ainda mostra se solidarizar com o momento e que continuará a ajudar como puder. “Estou fisicamente cansada porque os dispositivos de proteção machucam, o jaleco me faz suar e, uma vez vestida, não posso mais ir ao banheiro ou beber água por seis horas. Estou psicologicamente cansada e, como eu, todos os meus colegas estão na mesma condição há semanas, mas isso não nos impedirá de fazer o nosso trabalho como sempre fizemos”, relata a enfermeira.

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