Renato Russo: da Aborto Elétrico para a Legião Urbana

Confira a história da banda Aborto Elétrico, que teve Renato Russo como vocalista, e a relação de outras bandas de Brasília a partir dela.

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Renato Russo - Imagem: Divulgação

por Redação Alto Astral
Publicado em 11/10/2016 às 18:14
Atualizado às 18:40

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Foi no finalzinho da década de 70 que o trio Felipe Lemos (bateria), Renato Manfredini Júnior (baixo) e André Pretorius (guitarra) se juntou para formar a banda Aborto Elétrico. Conhecida como turma da Colina, referência ao local dos primeiros ensaios e também residência de Fê — um conjunto de prédios próximo à Universidade de Brasília —, essa galera buscava seu próprio entretenimento, fazendo uma música espontânea e experimental.

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Aborto Elétrico – Imagem: Divulgação

Shows nas calçadas e em barzinhos chamaram a atenção de outro grupo, a 104 Sul, do qual fazia parte Herbert Vianna, Bi Ribeiro, Dinho Ouro Preto e Dado Villa-Lobos. “O que aconteceu com aquela turminha de uma dúzia de gatos pingados, e ter dado no que deu, é algo inacreditável”, comenta Dinho.

A propósito, mais do que qualidade musical, os caras estavam a fim de mostrar postura, emblematizada pelo lema “do it yourself” (“faça você mesmo”) pregado pelo movimento punk. E se o resultado não foi um estilo tão punk assim, certamente, a atitude renderia muitos frutos, ou melhor, muito som.

“Os adolescentes lá em Brasília, no meio do nada, embora fosse a capital do Brasil, era uma cidade do interior… Uma turma inteira conseguiu emplacar quatro, cinco bandas.” E Dinho não está exagerando: a Aborto Elétrico se desmembraria em duas (Legião Urbana e Capital Inicial), além de influenciar Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Ira! e Titãs.

Fim da Aborto

No verão de 82, a Aborto Elétrico fez seu último show — nessa época, Renato Russo resolveu deixar o grupo. Apesar da curta trajetória e um princípio de sucesso na cena alternativa de Brasília, a vida dos caras nunca mais seria a mesma daí em diante.

ainda tentou continuar com a Aborto, mas logo recebeu o convite para fazer parte do Capital Inicial. Flávio Lemos, que também tinha tocado com a banda, foi junto. Cantor, compositor e ex-guitarrista, Renato ficou sozinho durante um tempo e se auto-intitulou “o trovador solitário”, mas não demorou muito para formar a Legião Urbana.

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Renato Russo – Imagem: Divulgação

Fim da Legião

Com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá (principal formação), o grupo construiu um currículo fantástico: oito álbuns de estúdio, duas coletânias, dois CDs ao vivo, 17 milhões de discos vendidos, fãs devotadíssimos e um líder ímpar. Em 1996, com a morte de Renato, a Legião chegaria ao fim, porém jamais morreria.

“Atribuo à força de todo o repertório, das canções, de tudo, mas basicamente o resultado disso tudo é a realização de um sonho, um grande sonho, o sonho do Renato, que levou adiante, até as últimas conseqüências, o que ele pensava sobre o mundo, sobre o mundo pop, sobre o que é ser um grupo e fazer mú- sica para o jovem e o que é ser jovem”, declara o guitarrista e hoje cantor Dado Villa-Lobos.

O sucesso do Capital Inicial

O primeiro LP do Capital Inicial, lançado em 1986, trouxe um rock cheio de vigor com Dinho Ouro Preto, Fê e Flavio Lemos e Loro Jones, que ganharam disco de ouro logo de cara. No ano seguinte, já com um segundo trabalho na bagagem, o grupo abriu os shows da turnê do cantor inglês Sting em várias capitais do Brasil.

Em 1993, por conta de divergências, Dinho resolveu experimentar a carreira solo enquanto a banda seguiu com Murilo Lima. Nos cinco anos seguintes, o Capital sumiu da cena musical, voltando à estrada com pique total em 1998.

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Capital inicial no projeto Aborto Elétrico, em meados dos anos 2000. Imagem: Divulgação

Volta da Aborto Elétrico

Em 2005, com o CD e o DVD MTV Especial Aborto Elétrico, mergulharam num superprojeto de resgate das canções da lendária banda de Brasília. A resposta não poderia ter sido melhor, como conta Dinho: “Na época, a página no Orkut do ‘Aborto Elétrico’, que tinha 300 membros, em seis meses passou para sete mil. E a gente também vê na estrada a garotada vindo nos perguntar, a gente vê camisetas, bandeiras. Isso é um assunto que interessa à garotada”.

Paralamas na área

A história do Paralamas do Sucesso também começa no início da década de 80. Impulsionados pelo rock e infl uenciados pelo estilo jamaicano reggae/ska, Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone gravaram o primeiro LP em 1983. Os próximos trabalhos consolidariam o sucesso e consagrariam o grupo. Da temática descontraída e cotidiana à crítica social e política, aliada a muito bom humor, os caras engataram incursões pela América Latina, testaram outros sons, conquistaram prêmios e emplacaram hits empolgantes. Hoje, ainda não recuperado totalmente do acidente de ultraleve,  que matou sua mulher, Hebert continua vivendo a música com a mesma paixão.

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Paralamas do Sucesso no programa Alast Horas. Foto: Ze Paulo Cardeal / Divulg / TV Globo

O pessoal da Plebe Rude

Quem também fez parte da turma da Colina foi o pessoal da Plebe Rude, outra banda formada na efervescência do punk rock da capital federal. Associados a uma imagem cult, o grupo cantou sobre política, racismo, capitalismo e religião em suas letras. Encarou momentos de ostracismo e mudanças na formação da banda.

5 hits da Legião, com pitadas da Aborto

✪ Será ✪ Eduardo e Mônica ✪ Que País É Este ✪ Faroeste Caboclo ✪ Vento no Litoral

5 hits do Capital, com pitadas da Aborto

✪ Música Urbana ✪ Veraneio Vascaína ✪ A Portas Fechadas ✪ O Mundo ✪ À Sua Maneira

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Texto e entrevistas: Gabriela Besson / colaboradora – Edição: Ricardo Piccinato