Entrevista com Bruno Gagliasso

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Entrevista com Bruno Gagliasso  

Bruno Gagliasso trouxe saudades da Itália e conta como foi a preparação para viver Berilo, um italiano divertido em Passione

 

Guia da Tevê: O que você fez como preparação?

Bruno: Acho que o histórico familiar é muito importante. Acho que ir à Itália e viver aquilo tudo, entender porque você está dizendo aquilo. É estudar como um todo.

Guia da Tevê: Você é crítico?

Bruno: Sou muito crítico. Sempre fui. Desde o meu primeiro personagem. É uma característica muito minha. É uma responsabilidade que tenho com a minha profissão. A minha cobrança é muito maior do que a cobrança dos outros. Acho que se eu desrespeitá-la, vou estar me desrespeitando. Então, não gosto de fazer muita coisa ao mesmo tempo. Faço uma coisa de cada vez e bem feita. Agora vou me dedicar a novela.

Guia da Tevê: Você fala italiano?

Bruno: Tenho minha família italiana, mas não falo. Em cena, tem que dar o tom que, aliás, tenho que elogiar, porque está todo mundo redondo. Está todo mundo na medida certa. Não pode falar italiano. Não estou chamando ninguém de burro, mas não pode. O italiano é muito próximo e a gente pode brincar um pouco mais. E no caso do meu personagem, ele mora há dois anos e meio no Brasil e aprendeu o português. É que nem brasileiro que vai pra Nova Iorque ganhar a vida: aprende inglês em seis meses. Isso tudo é um estudo.

Guia da Tevê: Teve aula de italiano?

Bruno: Na verdade a gente teve, mas a gente não pode falar italiano. Tem que ter um sotaque, só que no meu caso, eu foquei na professora. Por quê? Ela veio para o Brasil, é italiana, mora no Brasil há pouco tempo, já fala português e estava ali o que eu queria. Ela dava aula, mas eu estava interessado na maneira como ela estava falando. Acho que todo mundo acabou pegando isso. tanto que todo mundo está falando igual. Mesmo quem fala e quem não fala italiano.

Guia da Tevê: E o texto do Silvio de Abreu?

Bruno: Ele é muito bom! Lembra o texto do Gilberto Braga. Eles são muito amigos, né? O texto é ágil. Quer matar alguém, mata na hora. É tudo rápido. O diálogo dele é muito gostoso.

Guia da Tevê: Fale um pouco da Itália, do trabalho lá e de sua viagem particular.

Bruno: Eu estava há dois meses lá, na Toscana. Estava em Siena. A Itália está muito presente na minha vida. Meu sobrenome, Gagliasso, quer coisa mais italiana que isso? tenho parentes lá que tem vinícola e meu avô era italiano. Mas não deu pra visitar ninguém, porque estão todos na Sicília que fica distante de Siena. Lá, eu vivia muito o cotidiano da cidade. Ia ao cinema, restaurantes, fui para viver como um italiano. Não fui como turista.

Guia da Tevê: Trouxe muitas lembranças de lá?

Bruno: Muitas! Trouxe pra minha mãe, pra Giovanna, pro meu personagem. Trouxe um colar que é bem a cara dele. E trouxe também um óculos redondo que achei a cara dele também.  Só vende na Itália e eu achei numa ótica bem italianinha. Acho que comprei em Firenze. Gosto muito de chapéu, boina, trouxe muito. Mas foi só isso, porque acho perda de tempo estar na Itália para fazer compras.

Guia da Tevê: Como é seu método de estudo para decorar textos?

Bruno: Depende do personagem. Esse tem que estudar mais, porque recebo texto em italiano, tenho que saber como passar isso para um italiano que seja entendido, então, eu não decoro. Primeiro eu estudo. Não consigo decorar que nem a galera faz. Gosto de entender. Quero saber o que está acontecendo. E aí é que vão surgindo os gestos, o olhar certo, a maneira de se vestir. Não gosto de decorar. Eu estudo e , quando vejo, já está decorado.

Entrevista: Eliane Chimenti / Colaboradora
Foto: João Miguel Junior

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