Filhos e más companhias. Como os pais devem lidar com essa situção?

Filhos e más companhias. Como os pais devem lidar com essa situção?
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“Com quem você vai sair, meu filho?”. A frase dita pela maioria das mães revela mais do que apenas uma curiosidade feminina e que às vezes irrita tanto os filhos. Ela sintetiza uma das maiores preocupações dos pais em geral: as amizades de seus filhos.

A preocupação tem fundamento. Em fases como a adolescência, as amizades exercem grande poder de influência sobre a formação do indivíduo. E não é difícil acontecerem casos nos quais as influências não são tão boas e que acabam levando o jovem para um caminho complicado. A psicóloga e terapeuta Miriam Barros é especialista em terapia familiar e há mais de 15 anos ajuda pais e filhos resolverem suas diferenças. Ela explica que é importante os pais conhecerem os amigos de seus filhos, deixando aberto o canal de comunicação entre eles. Se as amizades não se mostrarem muito boas, cabe aos pais alertar os filhos não com proibições, pois isso pode só aumentar a vontade dos filhos em contrariá-los, mas expondo suas preocupações e, principalmente, mostrando as consequências que essa amizade pode trazer.

 

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Foto: Thinkstock/ Getty Images

Pais, filhos e amigos: como estreitar essa relação?

 

É importante conhecer os amigos de seus filhos, e Miriam mostra como você pode fazer isso: “Aproveite as oportunidades de convivência para saber sobre eles. Não com interrogatório, mas com uma conversa amigável. Uma boa dica é abrir a sua casa para os amigos deles. Permitir que esses amigos venham almoçar num fim de semana, dormir em casa, etc. Por mais que isso dê trabalho é a melhor forma de conhecê-los de verdade, trazendo-os para perto”.

A psicóloga também afirma que a melhor forma de proteger os filhos de más companhias é sendo um bom amigo de seu filho. “Esteja por perto, ajude-o no que precisar e seja amigo dos amigos dele na medida do possível. Tente conhecer os pais desses amigos. Ensine o seu filho desde pequeno a ter valores como: amor próprio, autoestima, respeito por si mesmo e pelo outro, temor a Deus ou ao que vocês acreditam. E acima de tudo, dê o exemplo, pois o adolescente e a criança respeitam e seguem aquilo que os pais fazem e não aquilo que eles apenas dizem”, afirma Miriam.

 

E se a amizade realmente não for boa?

“É fundamental que primeiro você tenha certeza do que está falando. As aparências enganam. Cuidado com o preconceito e com os rótulos. Não é porque um amigo do seu filho usa tatuagem e piercing, por exemplo, que ele é uma má companhia. Especialmente na adolescência é muito delicado falar dos amigos dos filhos. Se você tiver certeza de que essa amizade é prejudicial , então sente com o seu filho e abra o seu coração, fale das suas preocupações e dos fatos que sabe sobre esse amigo. Se o comportamento do seu filho mudar, converse com ele e veja o que está acontecendo. Tente entender por que ele está agindo diferente. Pode ser que o seu filho não esteja conseguindo se destacar no grupo de amigos com coisas legais e esteja usando atitudes erradas para ganhar status no meio desse grupo. De qualquer forma, ele precisa de ajuda para mudar isso. Procure um profissional se não conseguir ajudá-lo sozinho”.

 

Ajuda para o amigo

Assim como uma má influência pode afetar as amizades, o contrário também pode acontecer. Muitas vezes, é o amigo “mau” que precisa de ajuda para melhorar sua postura na sociedade. Miriam alerta que tentar mudar os amigos dos filhos não deve ser o objetivo principal dos pais, mas que a boa influência pode acontecer de forma natural: “À medida que ele convive com você e sua família, pode ser que ele se identifique com vocês e com esse outro jeito de funcionar e queira adotá-lo para a vida dele”, ressalta a psicóloga.

 

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