Entrevista com Rezende Evil, o rei do YouTube

Conversamos com o youtuber mais famoso da internet, Rezende Evil. Ele conta como foi o começo do canal e como chegou aos 7 milhões de seguidores

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Foto: Divulgação Instagram

por Redação Alto Astral
Publicado em 08/07/2016 às 11:36
Atualizado às 20:52

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Prestes a fazer 20 anos, o jovem paranaense alcançou a marca de 7 milhões de seguidores em seu canal do YouTube, o rezendeevil. Além de gravar vídeos para seu canal, o gamer apresenta a peça de teatro Paraíso – O Espetáculo pelo Brasil inteiro e até já escreveu um livro, Dois mundos, um herói – uma aventura não oficial de Minecraft. Mas nem tudo foram mil maravilhas na vida do gamer e, mesmo com pouca idade, ele tem muita história para contar! Confira a entrevista que fizemos com Pedro Afonso Rezende, o Rezende Evil, para saber um pouco mais sobre sua trajetória on-line e off-line.

Nome completo: Pedro Afonso Rezende Posso
Data de Nascimento: 24/8/1996 – 19 anos
Cidade onde nasceu: Londrina/PR
Game favorito: Minecraft
Filme/Seriado favorito: Arrow e Flash
Livro favorito: Dois mundos, um herói – uma aventura não oficial de Minecraft
Para quem daria nota 10: meus pais
Para quem daria nota zero: para todas as pessoas que têm atitudes erradas
Um defeito: ansiedade
Uma qualidade: persistência
Um sonho: continuar com a vida que tenho atualmente
Um pesadelo: perder as pessoas que amo

Você era o tipo de criança que sonhava em ter um videogame? Com quantos anos você ganhou seu primeiro?
Eu tenho videogame desde pequeno, mas nunca fui fissurado. Até pouco tempo atrás eu tinha outras atividades: jogava futebol, ia para a aula… Então, eu acabava tendo pouco tempo para o videogame. Mas sempre tive um em casa. Ganhei meu primeiro, um Playstation 1, quando completei 7 anos. Eu me lembro que queria demais o videogame porque meu amigo já tinha. Meu pai me deu de aniversário e eu fiquei felizaço!

E como você migrou do videogame para o computador?
Essa transição foi até um pouco estranha porque meu primo sempre jogou no computador e ele insistia que era melhor do que no videogame. Eu ficava bravo porque eu nunca achei que o computador era melhor. Mas quando o Minecraft foi lançado, só era possível jogá-lo no computador, não tinha opção em videogame. Para não ficar de fora, porque eu gostava muito do jogo, troquei o videogame pelo computador.

E como você começou a postar vídeos no YouTube? Quantos anos você tinha quando abriu seu primeiro canal?
Eu tinha de 13 para 14 anos quando criei um canal chamado Gamer Mestre. Eu jogava Residente Evil no Playstation 3 e, em uma determinada parte do jogo, não conseguia passar de fase de jeito nenhum. Então, resolvi procurar no YouTube pra ver se tinha algumas dicas e encontrei um canal que ensinava um tutorial de como passar de fase. Achei a ideia muito legal e quis fazer igual.

No começo, como você fazia para produzir os vídeos?
Eu fazia uma pilha de livros gigante, colocava uma câmera em cima e ficava do lado jogando. A gravação ficava horrível (risos)! Eu postava os vídeos em um canal chamado Gamer Mestre, que foi meu primeiro canal. Lá postei 16 vídeos. Eu gravava um vídeo a cada três dias. Mas o resultado era tão ruim que acabei apagando este canal. Hoje eu me arrependo. Gostaria de rever o primeiro vídeo que eu gravei pra ver a evolução.

De onde surgiu Rezende Evil, o nome de seu atual canal?
Foi uma ideia do meu pai. Na época eu jogava um game chamado Resident Evil. Quando falei para meu pai que precisava de um novo nome para o meu canal, ele sugeriu Rezende Evil, porque Rezende é meu sobrenome e combina com o nome do jogo.

Pai!!! Hoje é seu dia!! O exemplo da minha vida, a pessoa que me ensinou tudo que sei, junto da minha mãe!! Você é o homem mais incrível que eu conheço… Obrigado por tudo que fez e faz por mim, desde dormir do lado meu berço por medo de eu me afogar com minhas secreções, até viajar de avião comigo por eu ter medo, ou me dar conselhos no meu canal!! Você é uma pessoa muito seria, tanto comigo e com João, assim como com minha mãe, enfim me inspiro completamente em você. Obrigado por desde o início apoiar meu trabalho, mesmo sabendo que era algo diferente e arriscado, hoje colho os frutos da confiança e orgulho que sempre teve do que fazia e faço!! Sempre vou viver para não te decepcionar, obrigado por tudo mesmo, você é e sempre será o melhor pai do mundo, e o maior exemplo da minha vida!! Te amo!! Parabéns pelo seu dia, todas as felicidades do mundo e que cada vez mais eu consiga dar o orgulho que você merece. Te amo!

A photo posted by Snap: pedro_afonsooo (@rezende_oficial) on

Como eram seus primeiros vídeos no Rezende Evil?
Meu primeiro vídeo já foi sobre Minecraft. Tinha um mode que eu gostava muito e comecei com ele. Já comecei animadasso, porque no outro canal eu era meio morto. Como o canal era novo, já comecei gritando. Se você assistir o primeiro vídeo vai ver que até estoura o áudio de tanto que eu grito (risos). Mas eu comecei bem! Eu tinha, na verdade, visto alguns canais da época, peguei umas dicas de como os caras faziam e comecei a fazer meus vídeos.

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Um de seus vídeos de mais sucesso no canal é o Paradise, onde você narrou uma história tendo como personagens os avatares e o cenário de Minecraft. De onde surgiu essa ideia?
Isso foi em 2012. Na época, rolava uma história de que o mundo ia acabar. As pessoas não paravam de falar isso. Daí eu pensei que poderia contar essa mesma história em Minecraft, como se fosse uma realidade paralela. Eu fiz bem nos dias que antecediam o fim do mundo. Foram 5 episódios e o último saiu no dia em que supostamente o mundo ia acabar. O mundo acabou no jogo, mas não aqui (risos!)

E a produção foi tão grande que até seus pais foram convocados para participar, né?
Meu pai me ajudou desde a montagem do roteiro, que nós esquematizamos antes de começar a gravar. Depois, meu pai fez a voz do narrador e minha mãe da personagem mulher. A série ficou muito boa porque foi tudo bem pensado. Os personagens principais se chamavam Bruce Adam e Evaner Folk. No último episódio, Adam e Evaner saem da caverna onde estavam escondidos e encontram um jardim, dando a entender que são Adão e Eva com a missão de recomeçar o mundo novamente. Só no último episódio que as pessoas ficam sabendo o que vai acontecer. Foi a primeira série minha que bombou.

Quando você alcançou a marca de 20 mil inscritos mostrou o rosto pela primeira vez. Como foi a reação de seus seguidores?
Ah, a galera ficou surpresa, porque é sempre estranho quando a gente só ouve a voz da pessoa e não conhece o rosto. Mas hoje eu esperaria um pouco mais, esperaria até os 100 mil inscritos pra criar um suspense maior (risos).

Nessa época você disse que sonhava em alcançar a marca de 200 mil inscritos no seu canal e que acreditava que só alcançaria 1 milhão quando estivesse com barba branca. Como está sua barba neste momento, visto que seu canal tem mais de 7 milhões de inscritos? Você um dia sonhou com tudo isso? Você entende a grandiosidade desta marca?
Minha barba está crescendo, ainda não tenho muita, mas a que tenho não está branca, não (risos)! Tudo isso inda é meio estranho para mim. É muito interessante saber que eu comecei depois de muito cara fera, que tinha muitos seguidores e que eu cheguei lá em cima e que hoje sou o maior gamer do Brasil.

E seus pais, esperavam tudo isso?
Não, vixi… foi surpresa pra geral!

Depois de mostrar o rosto pela primeira vez, você começou a fazer vlogs. Você acha que o fato de seus seguidores ficarem sabendo mais sobre o seu dia a dia fez com que vocês se tornassem mais próximos?
Eu acho que sim. Eu gravava pelo celular, com uma qualidade ruim, mas filmava coisas que as pessoas se identificavam. No começo, eu filmei no colégio, nos treinos de futsal… Teve uma vez, no terceiro colegial, que eu fiz um vídeo de um dia especial na escola, um dia de trote em que os meninos se vestem de mulher. Aquele vídeo bombou (risos)! A galera se identifica, né?

E você morou na Itália por um tempo. Isso fazia parte dos seus planos?
Eu estava terminando o terceiro colegial, era no fim de 2013. Na época, eu era goleiro e treinava futsal. Eu sabia que aqui no Brasil eu não teria muita oportunidade porque o futsal não é tão forte. Um dia, eu tava disputando o campeonato paranaense e um olheiro me viu jogando e foi conversar com meu pai. Eu me lembro que eu teria três jogos seguidos neste campeonato: sexta, sábado e domingo. No primeiro jogo eu fui superbem. Daí meu pai me disse que eu devia dar meu máximo nos outros jogos porque ele tinha uma surpresa para me contar, mas que só me contaria no domingo, com o término do campeonato. E foi o que aconteceu: no domingo eu fiquei sabendo da possibilidade de treinar na Itália.

Em algum momento você pensou em não aceitar a proposta?
Não. Eu falei que ia e fui. Fiquei lá de novembro a fevereiro, mas não era o que eu esperava.

Em quê o sonho era diferente da realidade?
Em muitos aspectos. Achei que ia chegar lá e que ia ser um milhão de maravilhas, mas não foi. Tinha muita coisa ruim. Eu era moleque, tinha acabado de fazer 17 anos, não sabia cozinhar nem falar a língua local, que é muito difícil. Sem contar que lá os brasileiros são mal vistos porque tomam o lugar dos italianos. Para ajudar, quando eu cheguei , fui morar com cinco italianos em um lugar superdistante. Eu morava nas montanhas, em um lugar frio e eu não sabia dirigir. Os caras pegavam o carro à noite, saiam e me deixavam lá. Aí eu tinha que me virar. Perdi as contas de quantas vezes liguei pra minha mãe de madrugada – por causa do fuso horário – para perguntar como se frita um peixe, por exemplo. Ela me ajudava pelo celular, mas sempre ficava horrível, frio por dentro! Nessa época eu cheguei a comer hambúrguer cru porque achei que estava frito, mas não estava. Para completar, os caras me colocavam pra treinar cedo, à tarde e à noite, todos os dias.

E o canal, ficou abandonado neste tempo?
Por um tempo, sim. Eu não tinha computador lá e nem tempo de fazer os vídeos. Então fiz alguns Vlogs, mas o número de acessos caiu um pouco. Depois, usei todo o dinheiro que eu tinha pra comprar um computador, que eu uso até hoje.

É possível dizer que essa experiência rendeu a você alguma coisa boa?
Voltar para o Brasil foi a melhor decisão da minha vida. Me arrepio até hoje só de lembrar do que passei na Itália. Mas eu considero a Itália como se fosse a Ilha do Oliver Queen, da série Arrow, onde coisas ruins acontecem, mas elas colaboram para que você se torne uma pessoa melhor. Comigo foi assim: foi ruim, mas ao mesmo tempo foi muito bom porque eu amadureci e voltei com vontade de fazer meu canal dar certo.

Nessa época, você pensou em desistir do canal? Por quê?
Ah, eu pensei em parar, sim. Porque eu sou muito assim: se começa a ficar ruim, ruim, ruim, eu não consigo seguir em frente. Ou eu paro ou eu melhoro. Na época, eu não conseguia melhorar, não tinha como. Nem tempo eu tinha pra gravar direito! Mas superei!
E o futebol, você deixou na Itália? Não sente saudade?
Quando eu voltei para o Brasil eu nunca mais quis jogar futebol (risos). Esses tempos, o Palmeiras, time que eu torço, me chamou pra ir lá conhecer os jogadores, visitar o Centro de Treinamento e assistir a uma partida entre Corinthians e Palmeiras. Deram para mim, para meu pai e para meu irmão camisetas autografadas escrito Rezende atrás. Nesse dia até me deu vontade de voltar a jogar, mas passou (risos)!

A partir de quando você percebeu que o canal, que era brincadeira no início, se transformou em algo sério?
Assim que eu voltei da Itália tive certeza de que era isso que eu queria para a minha vida. Comecei a postar vídeos com frequência, duas vezes por dia, e a brincadeira virou trabalho.

Como surgiu a hashtag #ADR? De quem foi a ideia? Como foi a reação dos seus seguidores?
Eu queria criar um elo com meus inscritos para que eles pudessem se identificar como parte de alguma coisa. Na época, eu estava chegando na marca de um milhão de inscritos no canal, então, criei a Aliança do Rezende. Todo mundo aderiu super rápido. No Twitter, praticamente todo mundo usa a hashtag ADR no nome. Quanto mais os haters zuavam mais meus seguidores usavam a hashtag.

Sobre essa dedicação ao canal, alguma vez você já se sentiu pressionado ou desanimado por conta de tanto esforço e cobrança?
Todos os dias eu me sinto assim. Eu sou muito perfeccionista, quase radical. Se cai o número de visualizações, por exemplo, eu já fico superpreocupado. Quando eu comecei o canal isso era pior. Eu não saia dos sites de estatística.

É chato ser um astro do YouTube?
Não, eu gosto bastante. No geral é bem tranquilo.

Até rap você já fez! Como foi isso?
Sim. É o vídeo com mais visualizações do canal e é sobre a série Paraíso. Eu que tive a ideia e chamei um outro youtuber para fazer parceria. Apesar de rap não ser meu estilo musical favorito, acho que ficou legal. Combinou com a série, que é de aventura.

Você pretende fazer outras músicas?
Provavelmente! Eu fui a um evento esses dias e tive uma ideia bacana, já. Vamos ver se dá certo.

Quais são seus 5 vídeos favoritos do canal?
O primeiro é o Rap Paradise. O segundo é um que eu trolo a minha mãe: eu finjo que cortei a mão e quando ela entra no quarto, grita e se assusta, então, meu irmão joga um copo de água na cabeça dela. O terceiro é o primeiro episódio de Paraíso, porque foi muito marcante. Em quarto, coloco o último episódio de Paraíso, que tem oito minutos de animação e ficou bem legal. Por último, gosto de um vídeo que trolo meu irmão no dia do aniversário dele.

Familia LINDA!!

A photo posted by Snap: pedro_afonsooo (@rezende_oficial) on

Assim como você se inspirou em outras pessoas para começar, muita gente se inspira em você. Que dicas você daria para quem quer começar um canal?
Na verdade, hoje a galera está entrando no YouTube achando que vai ficar rico e famoso. Assim não dá certo. Quando eu fiz meu canal nem imaginava que dava pra ganhar dinheiro com isso. Então, minha dica é: faça um canal porque você gosta, porque você quer e curte. Não entre achando que você vai ser o melhor youtuber de todos os tempos, porque senão você desiste na primeira dificuldade que aparecer. E saiba que você terá que se abdicar de muitas coisas, como deixar de sair com seus amigos para gravar vídeos, por exemplo. Então é isso: tenha dedicação e vontade!
Você faria tudo de novo?
Com certeza!

O que mudou do Rezende que comemorou 20 mil inscritos para o Rezende que soma mais de 7 milhões de fãs?
Agora eu tenho barba (risos). Ah, eu mudei bastante. Naquela época eu falava palavrão, não tinha a mínima noção de nada, era um garoto brincando de videogame e fazendo vídeos. Hoje, eu levo como trabalho. Sei que tem pessoas trabalhando comigo para fazer a o canal dar certo. Sobre a parte de gravar os vídeos só mudaram os números, porque eu faço com o mesmo objetivo, que é para as pessoas curtirem. Minha vontade é a mesma. A vontade de alegrar a galera que assiste é a mesma.

Quantos vídeos você grava por dia?
Eu passo de cinco a sete horas por dia gravando. Geralmente gravo em um dia os vídeos que serão lançados no dia seguinte. Às vezes eu adianto três ou quatro dias e vou pra São Paulo ou fico aqui mesmo descansando um pouco.

Você tem medo que um dia tudo isso chegue ao fim?
Eu morro de medo, mas, se algum dia isso acabar eu dou meu jeito, vou fazer outra coisa.

Quais são seus planos para o futuro?
Com relação ao canal eu quero chegar a 10 milhões de inscritos até o fim do ano sem ter a barba branca (risos). Também quero postar mais vlogs no RezenDay. Para a vida, eu quero em um ano e meio ou dois anos iniciar uma faculdade. Pode ser de medicina, porque meu pai é médico; de direito, porque gosto de argumentar; ou até mesmo alguma coisa ligada à publicidade. Ainda estou decidindo. Mas sei que preciso ter um plano B. Além disso, quero investir o dinheiro que ganho atualmente.

Quer deixar alguma dica para seus seguidores?
Sim. Quero agradecer todo mundo que apoia. Quando eu estou triste e coloco alguma mensagem no Twitter é a galera que me dá força para o canal continuar com frequência e ânimo. Obrigado por tudo!

Texto: Júlia Prado e Wanessa Ferrari

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