IST: como evitar as infecções sexualmente transmissíveis?

IST é a sigla para infecções sexualmente transmissíveis, perigo constante para quem pratica relações sexuais desprotegidas

Com mais de 900 mil casos registrados entre 2010 e 2021, o Brasil enfrenta uma crescente e silenciosa epidemia de sífilis
Com mais de 900 mil casos registrados entre 2010 e 2021, o Brasil enfrenta uma crescente e silenciosa epidemia de sífilis - Shutterstock

por Loyane Lapa
Publicado em 04/03/2022 às 22:00
Atualizado às 22:00

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Você já ouviu falar em IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis)? Talvez você conheça pelo antigo nome adotado: Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), acertei? Pois é!

O termo IST é considerado o mais correto pois uma pessoa pode estar aparentemente sadia, mas infectada. Como resultado, ela passa a transmitir da mesma forma, sem sinais ou sintomas de uma doença. O que é muito perigoso, não é mesmo?

Esse é um assunto que precisa de visibilidade, principalmente agora, após o período de Carnaval. Mesmo sabendo que a folia foi cancelada, isso não impediu as infecções de continuarem acontecendo. Até porque, é nessa época do ano que surgem aumentos consideráveis por conta das relações sexuais desprotegidas

“O Carnaval é uma época de grande extravasamento e alegria, especialmente após um período prolongado de restrição a eventos sociais. As pessoas costumam ir a baladas e festas e podem acabar abusando de bebidas alcoólicas e/ou drogas. Dessa forma, é muito importante chamar a atenção para o tema”, afirma Ana Paula Bento Lima, que é enfermeira e trabalhar com o serviço de controle de infecção de um hospital.

Como acontecem e quais as ISTs mais comuns?

Antes de mais nada, as infecções sexualmente transmissíveis podem ser causadas por vírus, bactérias, parasitas e outros micro-organismos. As transmissões acontecem por meio de contato sexual – seja ele oral, vaginal ou anal – com uma pessoa que esteja infectada e que não esteja usando preservativo. 

Entre as infecções mais comuns, estão:

  • Herpes genital;
  • HPV;
  • Gonorreia;
  • HIV/AIDS;
  • Hepatites B e C;
  • Clamídia;
  • Tricomoníase;
  • Sífilis.

Dentre todas as listadas, a que mais preocupa no momento é a sífilis, por conta de uma epidemia silenciosa que vem ocorrendo no Brasil. De acordo com dados do boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, cerca de 917.473 casos de sífilis adquirida foram notificados entre 2010 e junho de 2021.

“Hoje em dia há a falsa sensação de que, caso a pessoa se infecte, é só tratar, dispensando o uso do preservativo. Isso é uma falácia. Algumas ISTs acabam tornando-se doenças crônicas e podem gerar complicações futuras”, alerta a enfermeira.

Casal segurando preservativo
A camisinha ainda é hoje a barreira mais eficiente contra ISTs (Foto: Shutterstock)

Prevenção:

O primeiro passo para a prevenção é o uso de camisinha, seja ela masculina ou feminina. Esse é o único método eficaz para se prevenir de uma gestação não planejada e também de infecções sexualmente transmissíveis.

Ter uma relação sexual sem proteção te deixa exposto a contrair uma IST, e isso independentemente de idade, gênero, estado civil ou orientação. Ainda assim,  Ana Paula lembra que o uso exclusivo de camisinha não faz seu papel sozinho: “Vale ressaltar que apenas uma oferta exclusiva de preservativos não é suficiente para garantir os diversos aspectos da saúde sexual”, explica a enfermeira.

Para isso, é necessário praticar a "prevenção combinada", que abrange o uso de preservativos, ações de cautela, diagnóstico e tratamento. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que impede que o HIV se estabeleça e se espalhe pelo corpo. Tanto o tratamento quanto preservativos são fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o tratamento é possível melhorar a qualidade de vida e também interromper esse ciclo de transmissão das infecções. 

Sintomas:

Normalmente, os sintomas das ISTs costumam aparecer principalmente nos órgãos genitais, mas essa não é uma regra, viu? Alguns podem surgir na palma das mãos, olhos e outras partes do corpo.

“Durante a higiene pessoal, observe seu corpo, isso pode ajudar a identificar uma infecção em estágio inicial. Caso perceba algum sinal ou sintoma, procure o serviço de saúde, independentemente de quando foi a última relação sexual”, explica a enfermeira.

A especialista destaca ainda que algumas destas infecções podem passar despercebidas por um longo período. “Esses casos são considerados assintomáticos. Se não forem diagnosticados e tratados, podem levar a graves complicações, como infertilidade, câncer e até mesmo óbito.”

O que fazer em caso de relação desprotegida?

Caso ocorra uma exposição sexual de risco, a enfermeira alerta que é possível recorrer à Profilaxia Pós-Exposição, conhecida popularmente como PEP. Essa é uma medida preventiva de urgência à infecção pelo HIV, disponível em unidades de saúde.

“A PEP consiste no uso de medicamentos capazes de reduzir o risco de adquirir essas infecções. Seu uso deve ser feito em até 72 horas após a relação desprotegida, ao longo de 28 dias”, afirma Ana Paula.

Por fim, mesmo com o uso da profilaxia, o preservativo ainda é a barreira de proteção mais eficiente, já que ele é capaz de prevenir outras infecções, como sífilis e gonorreia, não abrangidas pela PEP. “Quando for sair para a curtição, tenha sempre preservativos em mãos. Por meio deles, podemos prevenir as ISTs e gestações indesejadas. Além disso, é de extrema importância um acompanhamento regular”, conclui.

Fonte:Ana Paula Bento Lima, enfermeira e líder do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Geral de Itapevi.

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