Crase: aprenda definitivamente quando usá-la

O uso da crase é uma das maiores dúvidas da língua portuguesa. Mas não se assuste: é possível aprender suas regrinhas de uma forma bem fácil

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Imagem: Augusto Biason/Colaborador

por Redação Alto Astral
Publicado em 03/05/2017 às 13:00
Atualizado às 10:30

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Em português ocorre a crase quando utilizamos as vogais idênticas (a + a). Lembrando que o primeiro “a” é sempre uma preposição, já o segundo pode ser um artigo ou um pronome demonstrativo (aquele, aquela, aquilo), pronome relativo (a qual, as quais), pronome demonstrativo (a ou as). Agora, vamos passar para as regras de uso.

Uso da crase em casos de junção da preposição “a” + artigo “a” ou “as”:

Haverá crase sempre que o termo sobre o qual o verbo tratar admitir o artigo “a”. Exemplo: Ela se referiu a + a mãe. (Ela se referiu à mãe).

Para haver uma comprovação do uso da crase no caso do artigo, podemos trocar a expressão feminina por uma masculina, se obtivermos a combinação “ao” o uso estará confirmado. Exemplo: Ela se referiu a + o pai. (Ela se referiu ao pai).

O uso da crase em casos de junção da preposição “a” + pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”

O uso se fará necessário sempre que o termo regente exigir a preposição “a”. Exemplo: Aspiro a + aquele cargo. (Quem aspira, aspira a alguma coisa. Portanto: aspiro àquele cargo).

A forma mais fácil de verificar o uso, nesse caso, é estudando a regência dos verbos, assunto que ainda será abordado neste volume.

Uso da crase em casos de junção da preposição “a” + pronomes relativos “a qual”, “as quais”

Nesse caso ocorrerá crase quando os termos da oração exigirem o uso de pronomes relativos para sua introdução. Exemplo: A redação a + a qual me refiro é facílima. (A redação à qual me refiro é facílima).

Nesse caso se torna fácil tirar a dúvida se há ou não a necessidade da crase, trocando o termo feminino por um masculino. Exemplo: O texto a + o qual me refiro é facílimo. (O texto ao qual me refiro é facílimo).

Dica: normalmente, não há crase diante do pronome “que”, pois este não admite a anteposição do artigo. Mas pode ocorrer crase diante deste pronome quando antes dele tivermos o pronome demonstrativo “a” ou “as”. Ex.: Esta sandália é igual à que comprei.

Em caso de dúvida quanto ao uso com o pronome relativo “que”, também podemos fazer a substituição pelo equivalente masculino. Ex.: Este chinelo é igual ao que comprei.

Casos em que NÃO ocorre crase

Quando não há artigo a ou as não ocorrerá crase. 

a) Diante de palavras masculinas: Cheirava a álcool.

b) Diante de verbos: Ainda tenho muito a fazer por você.

c) Diante da maioria dos pronomes (exceto os casos já vistos anteriormente): Entreguei o presente a ela.

d) Nas expressões formadas por palavras repetidas: dia a dia, sol a sol.

e) Diante de substantivos empregados em sentido genérico: Não falou a criatura alguma.

Casos especiais

Há casos especiais em que pode ou não ocorrer crase, vamos ver quais são.

  • a) Em expressões formadas por palavras femininas: as locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas iniciadas por “a” e formadas por palavras femininas recebem crase. Exemplos: à beira de, à meia-noite, à noite, à tarde, às vezes, à moda de, etc.

Dica: nesses casos nem sempre vamos conseguir tirar dúvidas quanto ao uso substituindo os termos femininos por masculinos, pois nem sempre a crase vai indicar a fusão de dois “a”. Exemplo: Comprei à vista a blusa com a qual fui ao casamento. (Comprei a prazo a blusa com a qual fui ao casamento).

Note que, mesmo com a substituição de um termo masculino equivalente não obtivemos a combinação “ao”. Por isso, não podemos utilizar esse método em caso de dúvida. Então, o melhor é estudar cada uma das regras e guardá-las da melhor maneira possível.

  • b) A crase pode ocorrer ou não nas seguintes situações: diante de nomes de pessoas do sexo feminino, diante de pronomes possessivos femininos ou depois de “até”.

Nesses casos o uso da crase é opcional. Exemplos: Ele se referiu a Ludmila. / Ele se referiu à Ludmila. (Diante de nomes femininos a crase é opcional. Portanto, as duas formas estão corretas); Odeio a minha vizinha. / Odeio à minha vizinha. (Diante de pronomes possessivos o uso também é facultativo. As duas formas estão corretas); Fui até a sala. / Fui até à sala. (Depois da preposição “até” o usotambém é facultativo. As duas formas estão corretas).

  • c) Diante de nomes de lugar só ocorrerá crase se o nome admitir a anteposição de artigo. Para sabermos se há ou não essa possibilidade podemos substituir o verbo pelo verbo “vir”, se obtivermos a contração “da”, admite-se a crase, se obtivermos a preposição “de”não há necessidade. Exemplos: Viajei à Espanha no ano passado. (Viemos da Espanha); Viajaremos a Arraial do Cabo nesse carnaval. (Viemos de Arraial do Cabo); Vou à belíssima Paris (Venho da belíssima Paris).

Dica: no último exemplo, o uso da crase é admitido porque o nome do lugar “Paris” está sendo determinado pelo adjetivo “belíssima”. Logo, o uso da contração “da” se faz obrigatório para que haja concordância na frase, nesses casos utiliza-se crase.

  • d) Diante das palavras casa e terra: se a palavra casa estiver no sentido de lar ou moradia não será admitida a crase. Exemplo: Voltei cedo a casa.

O mesmo ocorrerá diante da palavra terra com o sentido de chão firme. Exemplo: Os marinheiros chegaram a terra.

Dicas: se as palavras “casa” e “terra” estiverem especificadas, ou seja, forem determinadas por alguma outra palavra, ocorrerá crase diante delas. Exemplos: Voltei cedo à casa de minha mãe.
Os marinheiros chegaram à terra natal.

O mesmo ocorre com o termo “à distância de”, só ocorrerá se a expressão estiver determinada. Exemplos: Estava a uma distância de vinte quilômetros; Estava à distância de vinte quilômetros.

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Edição: Augusto Biason/Colaborador

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