Menopausa não deve ser sinônimo de invisibilidade feminina

Aceitar o envelhecimento de maneira natural nem sempre é fácil para as mulheres, mas é um processo possível que traz vantagens

A menopausa provoca uma série de mudanças que afetam o corpo, a autoestima e a libido
A menopausa provoca uma série de mudanças que afetam o corpo, a autoestima e a libido - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 30/11/2021 às 17:00
Atualizado às 17:00

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Depois de causar furor na internet com uma cena de masturbação, Rebeca (Andréa Beltrão) deve voltar a movimentar as discussões entre os telespectadores de Um Lugar ao Sol com outro aspecto envolvendo a sexualidade feminina: a menopausa. Seguindo a mesma corrente de opiniões recentes de famosas como Claudia Raia e Malu Mader, a ex-modelo da trama global das 21h pretende abordar temas sobre o envelhecimento e o fato de que o passar dos anos não significa tornar as mulheres maduras “invisíveis” na sociedade, por maior que seja o culto à juventude.

De fato, a menopausa provoca uma série de mudanças que afetam o corpo, a autoestima e a libido. Porém, essas transformações não indicam o fim da linha: uma mulher pode e deve ser produtiva, interessante, sensual e sexualmente ativa independentemente da faixa etária. As alterações hormonais que causam ressecamento vaginal e queda no desejo, por exemplo, podem ser contornadas conforme orientação médica. 

Em relação à autoimagem, a psicóloga Flávia Teixeira observa que quando o envelhecimento passa a ser entendido e sentido como algo natural da vida torna possível  lidar melhor com todos os fatores relacionados à essa nova etapa. "Ao aceitarmos a realidade, podemos escolher como administrar as dificuldades, e usufruir dos ganhos. Se perdemos algo, com certeza estamos ganhando outras possibilidades. De um modo geral, as pessoas tendem a valorizar mais as perdas do que os ganhos. Esse modo de experimentar os fenômenos da vida acaba trazendo limitações, muitas vezes autoimpostas, por não acreditarem que podem ter desejos e necessidades diferentes dos padrões sociais estabelecidos", comenta Flávia.

Envelhecer pode ser libertador

Para Adriana Drulla, especialista em Psicologia Positiva, é importante lembrar que, segundo pesquisas, os níveis de felicidade das pessoas passam a aumentar a partir dos 50 anos. "Envelhecer é um processo que naturalmente passa pela surpresa, seguida da comparação com quem éramos e um luto por aquilo que nunca seremos. Abandonar nossos ideais aprisionadores é difícil em um primeiro momento. Afinal de contas, depositamos nestes ideais as nossas fantasias ingênuas de felicidade eterna e onipotência. Porém, quando conseguimos abandonar estas metas irrealistas, experimentamos um senso de liberdade emocional”, diz.Ao longo da história foi construída uma imagem de que para a mulher ser útil ela precisa ser mãe. Dessa forma, a interrupção da menstruação decorrente da menopausa pode gerar conflitos internos. “É preciso ter em mente que, atualmente, mulheres de 50 anos estão absolutamente funcionais no mercado de trabalho, buscando o seu espaço, e não se atendo exclusivamente à maternidade. Muito pelo contrário, a tendência é buscar a maternidade mais tardiamente. E está tudo bem nisso”, diz a psiquiatra e geriatra Roberta França.

O enfrentamento está muito ligado à aceitação. Uma questão importante a ser respondida na menopausa é: quando você se olha no espelho, está feliz com o que vê? Tem consciência de quem é, de que o envelhecimento faz parte da vida e que isso não a diminui como mulher? “É preciso olhar para o envelhecimento como um processo natural. Se quisermos viver muito, temos que envelhecer. Se eu quiser ser jovem para sempre, eu tenho que morrer jovem”, explica Roberta.

Vale dizer que amadurecer esse entendimento é o ponto-chave para ganhar espaço socialmente e encarar a fase com maior tranquilidade e naturalidade possível. Roberta completa ainda: “quanto mais anos eu vivo, mais eu estou produzindo, e isso precisa ser honrado e não punitivo”.

Fontes: Adriana Drulla, mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pennsylvania (EUA) e pós-graduada em Terapia Focada em Compaixão pela Universidade de Derby (Inglaterra); Flávia Teixeira, mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ (Universidade do Rio de Janeiro) e Roberta França, geriatra, pós-graduada em psiquiatria e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Neuropsiquiatria Geriátrica.   

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