ESTILO DE VIDA

Autocrítica: saiba como utilizá-la a seu favor!

A autocrítica é capaz de ser bastante benéfica, da mesma maneira que pode ser destrutiva. Como se equilibrar nessa linha tênue?

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(Foto: iStockphoto)

por Redação Alto Astral
Publicado em 25/08/2017 às 18:34
Atualizado às 19:00

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De acordo com o mestre em neurociência pela Universidade de Oxford, Martin Portner, a autocrítica é uma qualidade pessoal que pode agir favoravelmente ao crescimento dos recursos da mente. “Por exemplo, podemos tornar nossas ações pessoais mais ágeis, desenvolver um empreendedorismo ambicioso e corrigir erros de percurso”.

Quer um exemplo? Em setembro de 2016, a Activia, linha de laticínios pertencente à Danone, em parceira com o Google e a Global WebIndex, divulgou uma pesquisa com 15 mil mulheres de 15 países e constatou que 58% delas veem a autocrítica como desestímulo. Portanto, mais do que desenvolver um pensamento autocrítico, é preciso saber os limites, a fim de permanecer em uma avaliação construtiva de si. “A autocrítica construtiva propicia crescimento, já que conseguimos enxergar os pontos que precisamos melhorar e, paralelamente, reforçamos o que temos de único e exclusivo. Em contrapartida, a autocrítica destrutiva limita o ser, paralisa as iniciativas e cristaliza características altamente comprometedoras”, analisa a psicoterapeuta Simone Miranda Rosa.

Martin Portner também cita o trabalho da pesquisadora Kelly McGonigal, da Universidade de Stanford, a qual descobriu que a autocrítica pode realmente ser muito mais destrutiva do que útil. “O sistema mente-cérebro raramente aciona a autocrítica com essa benevolência toda. Mais comum é escutarmos uma voz interior que nos diz ‘fracassei de novo’ ou ‘eu não presto mesmo’ e ‘nunca vou conseguir’. Isso acontece porque a autocrítica está conectada ao sistema de alarme – acionado sempre que as coisas não vão bem, ou de forma diferente daquela que gostaríamos – chamado amígdala cerebral. Esta, quando acionada, reage de maneira ‘8 ou 80’ e raramente com evasões intermediárias”, explica.

Dando uma chance à autocrítica

Já é possível notar a dificuldade de manter a autocrítica funcionando de maneira positiva. No entanto, existem alguns passos a se seguir que podem auxiliar neste processo. Primeiramente, é preciso compreender que existem várias reflexões possíveis a serem feitas por nós, pois possuímos julgamentos anteriores e podemos fazer surgir outras ideias muito possivelmente. Isso muito tem a ver com o autoconhecimento. “Se não sabemos quem somos e para onde estamos indo, a tendência é que conteúdos inconscientes nos dominem. Podemos nos considerar inferiores demais, ou excessivamente vaidosos, e ambos os extremos levam a equívocos”, pontua Simone.

Assim que é notada a gama de opções em nossas reflexões, é preciso trabalhar a autocrítica. Uma maneira sugerida pelo blog Runrun.it é a de elaborar uma crítica com dois pontos positivos e um negativo. “Ser capaz de perceber a si mesmo por meio de prós e contras coerentes é sim uma estratégia que, inclusive, pode ser aperfeiçoada com treino”, relaciona um dos trechos do texto.

Entender as dificuldades e o momento também é necessário para uma autocrítica construtiva e positiva, ou seja, aceitar o erro, reconhecer ter feito o possível no momento e aprender com a falha para poder melhorar. Outro passo seria o autocontrole emocional, capaz de evitar que a autocrítica acione estruturas cerebrais responsáveis pela fúria, geralmente voltada em culpar outra pessoa pelo erro. “O problema é que, no decurso da ira, determinados setores cognitivos do cérebro – necessários para reavaliar a situação sob crítica – são fechados. Portanto, pensamos menos. Nesse caso, a autocrítica literalmente nos deixa na mão”, alerta Martin Portner.

Se é difícil manter uma autocrítica positiva sem transgredir a linha que a separa da autosabotagem, como seria possível criar um mecanismo mais seguro que permita favoravelmente o crescimento dos recursos da mente tal qual o potencial da autocrítica? Portner sugere a autocondescendência.

Auto… o que?

Isso mesmo! O poder da autocondescendência é visto pelo neurocientista como não apenas uma ideia, mas algo real. Isso tem a ver com o acionamento de um poderoso sistema de cuidado, característica dos humanos, a fim de acalmar nossa própria frustração. “Uma maneira singular pelo qual o cuidado funciona é pela liberação de oxitocina. Pesquisas indicam que o aumento dos níveis desse hormônio no cé- rebro ativa sentimentos de confiança, calma, segurança, generosidade e conexão, além de facilitar a capacidade de sentir calor e compaixão por nós mesmos”, elucida Portner.

De acordo com pesquisa divulgada pela Universidade do Texas, a autocondescendência (ou AC) também requer o estado de mindfullness – estar atento ao seu corpo, mente e sentimentos no momento presente, de forma a criar uma sensação de calmaria. Por meio desse conjunto, é possível notar que a voz crítica em nossa mente não está realmente tentando nos prejudicar, mas sim nos colocar de volta aos trilhos. Martin Portner ressalta: “A AC é uma forma de pensar ‘certo, eu poderia estar envergonhado de ter falhado, mas vou levantar a cabeça e tentar de novo’”.

Texto: Fabio Toledo/Colaborador

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