Entre opiniões e pontos de vistas, qual a importância do diálogo nos dias atuais?

Principalmente nas redes sociais, a oportunidade de se expressar e emitir opiniões sobre os mais diversos temas tem causado muitas discussões intolerantes

Ilustração de duas cabeças com o cérebro recortados, em formas de balões, conectados, como se representassem diálogo e opiniões
(Foto: Shutterstock)

Todos nós sustentamos uma infinidade de ideias e pontos de vista sobre as pessoas e as coisas que nos cercam. É natural e inevitável: faz parte da nossa construção enquanto indivíduo. Quando expressamos nossas opiniões, através de argumentos ou em diálogos, estamos exteriorizando parte do nosso “eu” para o mundo – e isso costuma ser uma ação um tanto delicada.

Isso porque as percepções que temos do mundo ao nosso redor não constituem uma ciência exata, não são compartilhadas pelas pessoas de modo igualitário. Possuímos maneiras diferentes de ver a vida. As situações e fatos do cotidiano são analisados a partir de nossas próprias vivências, conceitos e crenças.

Dessa forma, os nossos ideais e pontos de vistas acerca de um assunto podem colidir com os de outras pessoas, gerando discussões e divergências que muitas vezes se transformam em debates pouco frutíferos para todos, pois as pessoas envolvidas frequentemente se encerram nas suas próprias ideias, sem abertura para buscar compreender a posição dos outros. E isso se transforma em um ciclo aparentemente infindável em nossa sociedade atual, onde todos possuem – principalmente nas redes sociais – a oportunidade de se expressar e emitir opiniões sobre os mais diversos temas. No entanto, nestes mesmos ambientes, é muito menos comum encontrar debates saudáveis sobre esses mesmos assuntos, a partir dos diferentes posicionamentos individuais.

A dificuldade em aceitar e conviver com percepções diferentes acabam por polarizar a sociedade em grupos e/ou individualismos antagônicos, que ao invés de absorver e tentar desenvolver um repertório mais abrangente sobre determinada questão, passam a alimentar discursos que visam atacar o diferente, o oposto. Vemos isso nas discussões políticas, no clubismo praticado por torcedores de alguns esportes, nas conversas de pessoas que gostam de estilos musicais diferentes… A lista poderia ocupar esta matéria toda. E, no entanto, quem ganha o que com tudo isso?

Para a palestrante e especialista em inteligência emocional, Semadar Marques, a dificuldade em aceitar opiniões diferentes das que uma pessoa já possui consolidadas dentro de si pode estar relacionada à insegurança com o seu próprio discurso. “Pessoas que desconsideram as opiniões dos outros, na realidade, possuem uma visão fechada e uma necessidade de provar que a sua verdade é a única, quando existem milhares de verdades e formas de ver o mundo diferentes”, afirma Semadar.

Vale o esforço

Buscar o diálogo em meio a diferentes opiniões não é tarefa fácil, mas vale a pena. Nossas ideias e crenças, muitas vezes tão concretas internamente, podem se desenvolver para uma visão mais ampla e empática sobre o mundo. Bayard Galvão, hipnoterapeuta e presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo, explica que o diálogo cria a possibilidade para o crescimento individual e interno. Muitas vezes pode ser um desenvolvimento árduo, pois implica em descobrir e reconhecer alguns de seus próprios erros, mas que inevitavelmente se torna uma “semente para a evolução”, garante Bayard. Reconhecer que não sabemos tudo acerca de tudo é essencial para novas construções internas.

Então vamos lá

Que tal dar início a uma nova etapa em sua vida? Uma que seja mais flexível e que a convivência com pessoas e ideias diferentes de você seja leve e agradável? Semadar Marques explica que, para isso, uma opção é buscar ser maleável com você mesmo. “Começar a ouvir a si próprio é um bom caminho. Entender o motivo da sua inflexibilidade de ideias e falta de empatia com o que o outro pensa e sente. Aceitar e ter um bom diálogo interno é fundamental para iniciar o caminho da aceitação do que o outro pensa e sente”, diz.

Experimentar a convivência com pessoas e opiniões divergentes das suas – buscando evitar fazer julgamentos ou impor o seu próprio ponto de vista a elas – também é um grande passo. “Exercite discordar de maneira respeitosa, pontuando aquilo em que acredita e sem precisar ofender ao outro por não ter a mesma opinião que a sua”, sugere a especialista em inteligência emocional.

Empatia também ajuda

Exercitar a empatia, procurando colocar-se no lugar das pessoas ao seu redor é outra recomendação de Semadar para aprender a dialogar e absorver opiniões diferentes. Afinal, cada pessoa tem uma trajetória de vida única e isso é determinante na construção de sua personalidade e opinião. Compreender isso de maneira empática pode ajudar a exercitar outros pontos de vista e a enxergar as coisas por novas perspectivas, o que certamente lhe trará novos aprendizados.

Texto: Vinícius Gálico/Colaborador

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