Endometriose: saiba tudo sobre a doença que atinge aproximadamente 10% das mulheres

O Alto Astral conversou com o ginecologista Mauricio Abrão, referência internacional em endometriose, para tirar as suas dúvidas!

De acordo com a OMS, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres.
De acordo com a OMS, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres. - Shutterstock

por Giovana Meneguin
Publicado em 02/06/2021 às 22:00
Atualizado às 22:00

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Que a menstruação pode ser um período incômodo para muitas mulheres, a gente já sabe. Mas, em certos casos, os desconfortos vão além do normal, fazendo com que, algumas pessoas, sintam dores homéricas na região do abdômen.

O que muita gente não sabe, no entanto, é que sentir dores incapacitantes durante a menstruação não é normal. O sintoma pode ser um sinal de endometriose, doença inflamatória que pode afetar a mulher desde as primeiras menstruações até a menopausa. 

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), hoje, aproximadamente, 190 milhões de mulheres no mundo sofrem de endometriose - recentemente, a doença foi reconhecida pelo órgão mundial como um problema de saúde pública, uma vez que impacta a qualidade de vida e o bem-estar de diversas pessoas, inclusive em termos sexuais e reprodutivos. Mas, ainda de acordo com pesquisas, por conta dos sintomas muitas vezes tidos como naturais do período menstrual, há quem leve de sete a dez anos para descobrir o problema. 

Esse, por sinal, foi o caso da influenciadora digital Hana Khalil, que recentemente compartilhou em seus Stories ter sido diagnosticada com a doença após anos sofrendo com cólicas muito intensas. "Eu sempre tive muita cólica, mas, de uns tempos pra cá, elas têm piorado muito; eu estava há cinco dias com cólica", ela desabafou em seu perfil.

Hana Khalil
Hana Khalil falou sobre a doença com seus seguidores. Reprodução/ Instagram (@hanakhalilal).

De acordo com Mauricio Abrão, médico ginecologista e professor da Universidade de São Paulo (USP), as causas da doença são multifatoriais, ou seja, diferentes fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento. "Pode ter componente genético, fatores ambientais e fatores inflamatórios. A teoria da menstruação retrógrada (quando o sangue da menstruação volta para a cavidade abdominal) é apenas uma das teorias existentes", afirma o médico. Portanto, ainda não existe uma causa definida para o problema. 

Um quadro de endometriose é caracterizado pela presença do tecido do endométrio fora do útero, atingindo locais como pelve, ovários, tubas e ligamentos uterinos. Abrão ainda observa que o tecido pode ser encontrado em outros órgãos do corpo, como bexiga e intestino. A partir daí, "esse tecido cresce, inflama, cicatriza e forma aderências. Na época menstrual, esse tecido inflama novamente", diz o médico; mas, essa inflamação ocorre no local onde ele se encontra, levando a dores agudas e impossíveis de serem ignoradas.

Sintomas

O principal sintoma da endometriose são as cólicas menstruais incapacitantes -  quando a mulher não consegue se levantar da ou tem dores que atrapalham a sua rotina diária, por exemplo. O médico também aponta "dores profundas durante a relação sexual, dor abdominal e lombar fora do período menstrual, dor forte ou sangramento para urinar ou evacuar durante a menstruação, dificuldade para engravidar e infertilidade", como outros sintomas que podem ser indícios da doença.

Mas atenção: Abrão enfatiza que sentir dor não é normal. "Por isso, é importante detalhar para o seu médico esses sintomas, a frequência com que eles acontecem, como fica sua vida nesses dias, se você consegue trabalhar normalmente, fazer atividades do dia a dia, etc", ele pontua. De qualquer forma, o especialista observa que para o diagnóstico certeiro da endometriose, o melhor exame é o ultrassom transvaginal com preparo intestinal

Vale ainda ressaltar que, segundo estudos, 10% das mulheres que sofrem de endometriose são assintomáticas. Logo, é muito importante manter as idas ao ginecologista em dia e ser precisa ao dividir informações com seu(ua) médico(a). 

A endometriose tem cura? 

Abrão afirma que não, porém ele tranquiliza dizendo que a doença pode ser controlada. "Mesmo você tirando todo o tecido por meio da laparoscopia, uma cirurgia minimamente invasiva, ele pode voltar a crescer depois de um tempo. E as medicações atualmente visam o controle de sintomas e não a diminuição de lesões", complementa o médico.

Dessa forma, ele explica que, após o diagnóstico, podem ser introduzidos medicamentos orais, como analgésicos e anti-inflamatórios, e tratamentos hormonais.

Posso engravidar se tiver endometriose? 

Uma das principais questões levantadas pelas mulheres diante de um diagnóstico de endometriose é a possibilidade de gravidez. De acordo com o ginecologista, apesar da doença atrapalhar, muitas mulheres acometidas pelo problema conseguem, sim, engravidar. 

Todavia, ele destaca que cada caso deve ser analisado individualmente, considerando exames e fatores pessoais de cada mulher. Além disso, "aquelas que não conseguem de maneira natural, podem optar pela Fertilização In Vitro (FIV)", ele finaliza. 

Fonte: Mauricio Abrão, médico ginecologista, professor da Universidade de São Paulo (USP) e referência internacional em endometriose, sendo considerado um dos 100 cientistas mais influentes do mundo por uma pesquisa da Stanford University. Também é coordenador do departamento de ginecologia do Hospital A Beneficência Portuguesa, e é o primeiro médico estrangeiro a assumir a Vice-Presidência da AAGL (Associação Americana de Ginecologia e Laparoscopia), a maior instituição de ginecologia do mundo.