Dezembro Laranja: os cuidados ideais contra o câncer de pele

Embora o filtro solar seja, sim, obrigatório, apostar todas as fichas nele é um erro; veja outras medidas preventivas

A campanha Dezembro Laranja visa conscientizar a população sobre o câncer de pele e a importância de preveni-lo
A campanha Dezembro Laranja visa conscientizar a população sobre o câncer de pele e a importância de preveni-lo - Shutterstock

por Thaís Lopes Aidar
Publicado em 09/12/2021 às 17:00
Atualizado às 17:00

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Depois das campanhas Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul, chegamos ao último mês do ano que também traz consigo uma cor específica: o Dezembro Laranja. Seguindo a ideia de conscientização sobre o câncer dos últimos dois meses, o laranja vem representando o câncer de pele. Com isso, os últimos 31 dias do ano são voltados à conscientizar e informar a população sobre esse tipo de câncer, ensinando como identificá-lo e preveni-lo. 

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a doença corresponde a 27% de todos os tumores malignos no Brasil, sendo ainda a neoplasia mais comum no país. Com números tão alarmantes, há urgência em falar sobre o tema e esclarecer dúvidas de diagnóstico e prevenção. Para isso, conversamos com a dermatologista Thais Bello Di Giacomo, especialista em oncologia, e respondemos às principais questões. Confira: 

Alto Astral: Quais são os principais cuidados quando o assunto é prevenção contra o câncer de pele? 

Thais Bello Di Giacomo: Sempre falo para os meus pacientes que existe uma predisposição pessoal, ou seja, genética, uma bagagem que já trazemos e não podemos mudar com cuidados. Mas existe uma outra parte, a da exposição solar, que devemos cuidar. E quais são os cuidados? O primeiro passo é não confiar apenas no filtro solar. Claro que ele é importante e obrigatório todos os dias, mas existem outras medidas que também precisam ser tomadas. Por isso, recomendo a consciência solar: um conjunto de decisões que minimizarão nossa exposição ao sol. Além do protetor, invista em roupas com proteção solar, permanência em áreas com sombra e atenção aos horários de exposição. Essas escolhas integram nossa proteção junto ao uso do filtro. 

O protetor solar deve ser reaplicado a cada duas horas (Foto: Shutterstock)

AA:  O protetor solar deve ser usado a partir de qual idade? 

TBG: O ideal é usá-lo a partir dos seis meses de vida sempre que houver exposição solar. Antes disso, não é recomendada a exposição solar direta. 

AA: Como deve ser feita a aplicação e a reaplicação?

TBG: O recomendado é que cada aplicação conte com 30 gramas de produto e que ele seja reaplicado a cada duas horas, mesmo que não haja transpiração ou contato com a água, pois o filtro solar vai neutralizando os raios ultravioletas. Por isso, reaplicá-lo é tão necessário para manter essa fotoestabilização. No entanto, na prática não é bem assim, né? Se considerarmos que um protetor tem, em média, 150 gramas, um frasco não deveria durar mais do que um final de semana. E, claro, se transpirar ou entrar na água, reaplique imediatamente. 

AA: As luzes artificiais também podem causar câncer de pele?

TBG: Hoje, sabemos que o câncer de pele é causado pelas mutações que a radiação ultravioleta causa sobre o nosso DNA. Também sabemos que a luz artificial e o infravermelho podem contribuir com o envelhecimento e manchas na pele. No entanto, até o momento não há evidências científicas de que essas luzes podem causar ou predispor a doença.

AA: Quais são os principais sinais da doença? 

TBG: As pessoas devem estar atentas em alguns fatores para procurar o dermatologista e verificar se aquela lesão é ou não um câncer de pele. Para isso, usamos a regra do 'ABCDE'. O "A" significa assimetria, ou seja, a pinta tem um lado diferente do outro? "B" de bordas para verificar se elas são certinhas ou entrecortadas, como um mapa. A letra 'C' se refere à cor: quais cores aparecem? Quanto mais colorida for, mais importante que ela seja examinada. No 'D' avaliamos o diâmetro, uma vez que pintas com mais de 5 milímetros precisam ser mostradas ao médico. Por último e, na minha opinião, mais importante, temos o 'E' de evolução, ou seja, uma pinta nova ou que esteja mudando precisa ser obrigatoriamente avaliada pelo dermatologista. Além disso, atente-se a outros três sinais: o do patinho feio, quando a pinta não se parece com nenhuma outra que você tem; uma bolinha vermelha e firme que nasça ou cresça; e também pintas que coçam e/ou sangram e feridinhas que não cicatrizam. Nesses casos, busque rapidamente ajuda dermatológica. 

Fonte: Thais Bello Di Giacomo, dermatologista com Mestrado em Oncologia Hospital A.C. Camargo, especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). 

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