Cigarro ainda é a principal causa do câncer de pulmão

Fumantes têm risco 20 vezes maior de desenvolver tumores pulmonares, aponta INCA

Medicações imunoterápicas estão sendo protagonistas no tratamento de tumores de pulmão
Medicações imunoterápicas estão sendo protagonistas no tratamento de tumores de pulmão - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 27/08/2021 às 18:00
Atualizado às 18:00

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Neste domingo (29) é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data que visa conscientizar a população sobre os danos do tabaco e a importância de largar o vício pelo cigarro. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo gera consequências irreversíveis na população, sendo cerca de um a cada dez óbitos por conta do hábito de fumar - ou seja, aproximadamente, 8 milhões de pessoas morrem por ano.

Assim, vale lembrar que dentre as muitas complicações causadas pelo tabagismo estão os problemas no aparelho respiratório, como asma, bronquite, enfisema pulmonar e câncer.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o hábito de fumar é uma das principais causas do câncer de pulmão, uma vez que fumantes possuem 20 vezes mais chances de desenvolverem tumores pulmonares. O Instituto também aponta que mais de 30 mil pessoas receberão o diagnóstico da doença ainda em 2021.

Sintomas e diagnóstico

Mariana Laloni, médica oncologista, explica que os sintomas do câncer de pulmão costumam aparecer no aparelho respiratório, e podem envolver tosse, falta de ar e dor no peito. Além disso, outros sintomas não específicos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza.

Contudo, a médica ressalta que nem sempre o diagnóstico vem acompanhado de sintomas. "Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença, o que contribui amplamente para o sucesso do tratamento", diz.

Desse modo, é de fundamental importância estar sempre atento à saúde e realizar vistitas médicas periodicamente.

Laloni comenta ainda que existem dois tipos de câncer de pulmão: o carcinoma de pequenas células e o de não pequenas células. "O carcinoma de não pequenas células corresponde a 80 a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos afetados", destaca a oncologista.

Mas como evitar o câncer de pulmão?

Apesar o Brasil ter um dos menores índices de fumantes do mundo, cerca de 10% da população acima de 18 anos, segundo o INCA, fumar ainda é a principal causa de câncer de pulmão.

Inclusive, atualmente, Laloni alerta que há um desafio a ser enfrentado: os cigarros eletrônicos e outros dispositivos de vape. "Nós vemos novas formas de tabagismo chegando, como o cigarro eletrônico, por exemplo, que tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, pela novidade e pela falta de informação também sobre o impacto nocivo deles. Então, estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro, voltar para versões digamos, mais modernas, do mesmo mal", observa. 

Assim, a especialista enfatiza que parar de fumar é a forma mais segura de prevenir o câncer de pulmão - além de outros tumores, doenças cardíacas e pulmonares, como a pneumonia e o AVC (acidente vascular cerebral).

Parar de fumar X saúde mental 

A abstinência do cigarro é vista como um desafio, uma vez que a falta do tabaco pode causar ansiedade e irritabilidade. Segundo Renata Figueiredo, médica psiquiatra, a maioria dos indivíduos que decidem parar de fumar sentem alteração de humor e isso acontece porque o cigarro reduz esses sintomas de estresse. 

“Se a pessoa nunca tivesse fumado, provavelmente não sentiria esses efeitos. Na verdade, a falta do cigarro no organismo do dependente faz com que eles apareçam. Ou seja, o cigarro é o grande causador das alterações de humor e da piora da saúde mental, pois além dos malefícios já conhecidos, também prejudica a autoestima, com alterações na pele, no cabelo e nos dentes", ela explica.

Foto: Shutterstock


Por fim, a psiquiatra afirma que embora o começo seja difícil, largar o cigarro não é impossível. "Apesar de ser um período difícil, com o tempo os sintomas da abstinência somem, o cérebro se adapta a essa nova realidade e o paciente se sente bem por ter conseguido passar por ele", finaliza.

Fontes: Mariana Laloni, médica oncologista formada pela Faculdade de Medicina da PUC-Campinas com especialização em Oncologia Clínica pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer IBCC e doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP; Renata Figueiredo, médica psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr). 

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