A força da mulher frágil

Blogueira com Lúpus escreve mensagem especial para o Dia Internacional da Mulher

por Redação Alto Astral
Publicado em 08/03/2016 às 11:50
Atualizado às 21:03

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Lady Gaga, Astrid Fontenelle, Selena Gomez e Toni Braxton, como eu, têm Lúpus. Mesmo sem conhecê-las, me sinto próxima e me identifico com essas mulheres tão fortes e bem-sucedidas no que fazem. O Lúpus Eritematoso Sistêmico, doença autoimune, crônica e incurável, não nos derruba. No entanto, muitas mulheres ainda não encontraram esse caminho porque, acredite, há outro mais fácil: o da depressão.

Foto: Montagem/Fernando Teixeira

Foto: Montagem/Fernando Teixeira

Estima-se que o Brasil tenha 200 mil pessoas com a doença, sendo que a cada dez afetados, nove são mulheres. Por ironia, o Lúpus é cruel com um bem feminino: a vaidade. Problemas de pele, que se intensificam com o sol, são normais. Dores nas articulações, que impedem a prática de atividades físicas, também. Fora uma série de outros sintomas bem mais graves que não vou citar aqui porque, hoje, Dia Internacional da Mulher, é dia de lembrar que não adianta pensar em dormir e só acordar quando o Lúpus passar (ele não passa). Dá sim para viver bem, apesar da doença. Não há cura, mas há tratamento. E isso também se aplica a tantas outras doenças tão sérias quanto. 

Tiro meu chapéu para Astrid, Gaga, Selena e Braxton, para mim e todas as mulheres vitoriosas que acompanho na luta por qualidade de vida e também em meu blog, que passam todos os dias por cima de suas dores (emocionais ou físicas) para tentar manter a casa arrumada, não faltar ao trabalho, cuidar de seus filhos e levar uma vida normal. Mulheres que, apesar da doença que maltrata, aprenderam a se amar e a se valorizar muito além da forma física, estejam elas gordas ou magras, com ou sem cabelos, com manchas na pele ou não. E, sabemos, o Lúpus não é a única doença que testa a habilidade de uma mulher em se manter alheia à ditadura da beleza. Em todas, a superação não pode ser uma opção, e sim uma necessidade.

Eu descobri a doença na puberdade e nunca tive a opção de não ser forte, de não ser responsável, de não lutar pela minha saúde e pela minha qualidade de vida. O nosso mundo muda quando nos vemos doentes e frágeis, mas eu optei por mim. Faço o meu tratamento corretamente e não me deixo abater por quase nada. Sou vaidosa, sou guerreira, sou mulher.

 Parabéns a todas nós, mulheres! E especialmente àquelas que, apesar de “frágeis”, se mantêm fortes no caminho da vida!

Por Ana Geórgia Simão, autora do blog A Menina e o Lúpus.

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