Compulsão alimentar: como diagnosticar e tratar o problema

A compulsão alimentar normalmente vem acompanhada da ansiedade. Entenda como prevenir esse problema que pode causar outras doenças!

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Você já ouviu falar em compulsão alimentar? Caracterizada pela ingestão exagerada de alimentos e perda de controle sobre o que está sendo consumido, esse transtorno atinge cada vez mais pessoas. E engana-se quem pensa que se trata de uma fome descontrolada, como explica a nutricionista Talitta Maciel: “A caracterização mais importante da compulsão alimentar é que o ato de ingerir alimentos é, na maioria das vezes, independente da sensação de fome ou da necessidade física. Ou seja, a pessoa que tem episódios de compulsão alimentar não necessariamente está com muita fome ou está há muito tempo sem comer.” Além disso, o transtorno tem relação direta com a ansiedade e outras doenças da mente. Profissionais dão dicas de como controlar esse transtorno e viver tranquilamente!

Alimentação compulsiva ansiedade

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Prazer que vem de berço!

Quem é mãe sabe que não é nada fácil decidir o que fazer quando o filho está chorando. E, é nessa hora que elas, muitas vezes, alimentam a criança, achando que o choro é sinal de fome. Porém, isso pode ser muito perigoso! “Quando a mãe faz isso, o filho cresce associando emoções com alimentos, comendo por estar triste, feliz, ansioso ou por qualquer motivo, como repreensão de um supervisor e até decepção amorosa. Ao comer, vem um sentimento prazeroso. Além disso, esses alimentos são, geralmente, ricos em açúcar e gordura, substâncias altamente viciantes”, diz a profissional.

Outros fatores determinantes para a causa da compulsão são as doenças da mente, como anorexia, bulimia ou ansiedade. “É importante avaliar se estes episódios de compulsão estão associados a outros sintomas, visto que uma gama de transtornos podem causar episódios de compulsão alimentar, como a anorexia nervosa subtipo purgativo, bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódica”, conta a psiquiatra Ana Clara Floresi. A compulsão alimentar pode ser diagnosticada em pessoas de diferentes faixas etárias, classes sociais e de ambos os sexos. Portanto, fique alerta!

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“Saco sem fundo”

“O grande problema de descontar toda a frustração e ansiedade na comida está no peso que se ganha com o consumo exagerado, provocando o aumento da irritabilidade, da ansiedade, e de outros problemas de saúde, tornando-se um perigoso ciclo vicioso”, explica a nutricionista. Para o compulsivo, não existe hora certa para comer e ele é um verdadeiro ‘saco sem fundo’, abocanhando qualquer coisa o tempo todo, mesmo quando o corpo não precisa de energia. “É preciso ficar atento aos sintomas, para que eles não se tornem frequentes, abrindo espaço para outras doenças como a obesidade”, alerta Talitta. Mesmo sem ter um tempo exato para refeições sem necessidade, a nutricionista diz que é mais comum no final da tarde e da noite. “O ato de atacar a geladeira, geralmente consciente, faz o indivíduo ficar acordado durante a madrugada comendo tudo o que vê pela frente. Mas também existem relatos de pessoas que não se lembram de nada e que só se dão conta do que fizeram quando acordam com pratos de comida em cima da cama”, diz Talitta.

Existe tratamento, sim!

Talitta ainda diz que o ideal é fazer um plano alimentar adequado e personalizado elaborado por um profissional que poderá corrigir problemas relacionados com a ingestão, digestão e, principalmente, com a absorção dos nutrientes. Além disso, há tratamento psicológico e farmacêutico, voltados para controlar a ansiedade. “Diante do diagnóstico de algum transtorno alimentar, o paciente deve ser encaminhado para um tratamento multidisciplinar, que inclua, pelo menos, profissionais de psicologia, psiquiatria e nutrição. Neste contexto, a psicoterapia, principalmente a de enfoque cognitivo comportamental, tem um papel muito importante no tratamento e, para alguns destes transtornos, é considerada a abordagem terapêutica com os melhores resultados”, afirma Ana Clara.

Os exercícios físicos também podem ajudar a aliviar a tensão e se manter saudável, assim como adotar novos hábitos. “Nos momentos de ansiedade e quando der vontade de comer, mesmo sem fome, uma dica é ter consigo cravos-da-índia e fazê-los como se fossem balas, que alivia essa sensação. Além disso, ter o hábito de registrar o que se consome, espécie de um diário alimentar, contribui com a observação do compulsivo, pois ele pode registrar horários, alimentos, quantidades e emoções”, fionaliza Talitta.

 

Texto: Redação Alto Astral

Consultoria: Talitta Maciel, nutricionista; Ana Clara Floresi, psiquiatra

 

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