Entrevista com Caio Ribeiro

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Entrevista com Caio Ribeiro 

Ex-jogador de futebol, Caio fala da profissão e como se tornou o apresentador do “Globo Esporte”

 

Guia da TV: Você trabalha como comentarista desde 2007, não é mesmo? Como é que surgiu essa oportunidade?

Caio: “Eu comecei na rádio Globo em 2007 e fiz, em paralelo, o “Arena” e o “Bem Amigos” pela TV Globo. Aí, em 2008, pintou o convite pra fazer as transmissões dos jogos, então eu assinei com eles e já estou no meu terceiro ano de comentarista.”

Guia da TV: Como é trabalhar ao lado do Tiago Leifert? Durante a “Copa do Mundo”, vocês bateram um bolão na “Central da Copa”, não é verdade?

Caio: “A gente já faz o “Globo Esporte” há um ano e meio juntos. Então, isso ajuda muito na hora de você fazer uma cobertura de “Copa do Mundo”.

Guia da TV: Na época da Copa, o pessoal do “Casseta e Planeta” brincou dizendo que você tinha se mudado pra Globo porque não saia mais de dentro da  emissora. Como foi esse trabalho full time?

Caio: “É um mês de cobertura de um evento que é o maior do futebol, então, é normal que a gente trabalhe um pouquinho mais do que em “Campeonato Brasileiro”, na “Copa Libertadores”, porque você tem mais jogos em um período muito curto entre eles.”

Guia da TV: Você já era famoso como jogador de futebol, mas ganhou uma exposição maior ainda depois que começou a aparecer na telinha como comentarista, já que o público feminino principalmente passou a prestar mais atenção nas notícias do esporte.  O assédio das mulheres aumentou? Como você está encarando isso?

Caio: “Mudou o tipo de assédio, por exemplo, quando você joga, tem muita menininha apaixonada, gritando seu nome, porque tem aquela coisa do ídolo”.

Guia da TV: Como comentarista, você já passou por alguma saia justa?

Caio: “O que acontece, até o Tiago brincou comigo num jogo da Argentina, em que eu falei que não colocaria o jogador Higuaín, colocaria o Milito, e isso aos cinco minutos do jogo. Acaba o jogo com três gols do Higuaín. E o Tiago disse: “poxa, e você não ia colocar o Higuaín.” Então, tem essas coisas assim. E lidando com naturalidade, com bom humor, até com o seu erro…”

Guia da TV: Você encerrou a carreira de jogador aos 30 anos de idade. Por que abandonou os gramados tão prematuramente?

Caio: “Foi uma série de fatores… Resumidamente, as propostas que eu tinha já não eram as que eu gostaria, eu estava com 30 anos e já estava mais pra fim de carreira, e sempre tive uma preocupação muito grande em saber a hora de parar. Eu sempre achei que quem tinha que saber o momento de parar era eu, e não o que diziam os comentaristas, os torcedores, enfim… É desagradável você ser criticado, apesar da crítica fazer parte da profissão. Uma coisa é saber que jogou mal e outra coisa é um cara dizer que você jogou mal. Além de abrir o jornal ou ligar uma televisão e ouvir as pessoas dizerem que você devia parar, que você está mal, que você  não rende mais… Então, foi uma somatória de fatores, mais a vontade voltar pra São Paulo, eu fiquei muito tempo distante da minha família, dos meus amigos, então, eu achei que era a hora.”

Guia da TV: E já pensou ou pensa em ser técnico?

Caio: “Sabe que muita gente me pergunta isso, mas não! Até os próprios jogadores quando eu encontro, brincam comigo. Perguntam se eu penso em fazer alguma coisa nesse sentido. Vai nascer meu primeiro filho. E estou curtindo a repercussão do trabalho desses 3 anos, da “Copa do Mundo”.

Guia da TV: Qual foi o melhor momento vivido como jogador de futebol?

Caio: “Eu acho que o meu início de carreira pelo São Paulo, e a minha passagem pelo Flamengo.”

Guia da TV: Que lições o esporte trouxe pra sua vida?

Caio: “Pra ter a formação de alguns valores que eu acho importantes… Eu venho de uma família de classe média e desde muito novo eu convivi com uma realidade totalmente diferente da minha.”

Guia da TV: E esses valores aprendidos durante sua carreira como jogador você procura aplicar na sua vida pessoal também?

Caio: “Acho que independente da profissão que você exerça, seja futebol, médico, professor, a gente sempre está lidando com pessoas, né? Então, tudo é uma questão de gestão de pessoas, e se você souber se relacionar, se respeitar as pessoas com as quais convive, independente de cor, classe social, a mente abre.”

Entrevista: Eliane Calixto
Foto: Zé Paulo Cardeal/Divulgação TV Globo