TOC, o transtorno que não é perfeccionismo

O Transtorno Obsessivo Compulsivo nem sempre é tratado como se deve. Conheças as principais características do TOC – e por que ele não é uma simples mania

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FOTO: iStock.com/Getty Images

por Redação Alto Astral
Publicado em 22/07/2016 às 19:24
Atualizado às 21:02

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Lavar as mãos várias vezes ao dia, checar se trancou a porta de casa… O que difere costumes incomuns como esses do Transtorno Obsessivo Compulsivo? É comum confundi-los, porém existem características determinantes que definem o TOC como um distúrbio mental.

Além do que se vê

Os distúrbios de obsessão compulsiva não caracterizam-se apenas por rituais que o indivíduo não consegue deixar de cumprir, como lavar as mãos com grande frequência. Mas, também, por ideias que a pessoa não tira da cabeça, como as superstições associadas ao azar – cruzar a frente de um gato preto, passar embaixo de escadas ou desvirar sapatos. Por isso, muitas vezes, é desafiador fazer o diagnóstico de TOC.

TOC

FOTO: iStock.com/Getty Images

Segundo a psicóloga Juliana Bizeto, “é possível perceber que existem alguns quadros mais aparentes do que outros. Às vezes, a questão de limpeza, por exemplo, é muito mais clara de notar do que ideias obsessivas, pois a pessoa precisa comunicá-las para o diagnóstico”.

No cérebro, o transtorno afeta principalmente o córtico-estriado-tálamo-cortical que, como explica o neurologista Mário Guimarães, “é um circuito que envolve o córtex, estrutura de onde emergem ideias e comandos motores, com os núcleos da base, estruturas essenciais na musculatura em funções nervosas”. Além disso, há uma redução do neurotransmissor serotonina, responsável pelo controle da ansiedade, e um aumento de dopamina, glutamato e acetilcolina.

TOC não é perfeccionismo

Nem todas as manias, por mais que pareçam, são diagnosticadas como transtornos. Estes possuem características específicas que evidenciam um comportamento obsessivo. Gostar dos objetos organizados é uma coisa, mas ter que deixá-los sempre no mesmo ângulo e ordem para ficar satisfeito é outra, ou seja, um distúrbio.

“As ideias obsessivas mais frequentes relacionam-se com cuidados de limpeza, medo de contaminação, agressividade, dúvida, preocupação com ordem, simetria e pensamentos relacionados à obscenidade”, explica a psiquiatra Sandra Carvalhais

Lutando contra o TOC

O processo de aceitação de um quadro obsessivo-compulsivo não é fácil, muito menos a batalha contra ele. Segundo o psicólogo Armando Ribeiro, “o tratamento com melhor evidência científica é a combinação de terapia cognitivo-comportamental e farmacoterapia”. Porém, outras novidades na área já estão disponíveis, como o bio/neurofeedback, meditação, a Dessensibilização e Reprocessamento Através de Movimentos Oculares (EMDR, em inglês) e as Técnicas de Liberação Emocional (EFT, em inglês).

Primeiramente, é importante a pessoa com o transtorno perceber a sensação de “dever cumprido” proporcionada ao realizar o TOC é passageira, e gradualmente tomará o comando no cotidiano ao ponto de o indivíduo não controlar mais a própria força de vontade.

É fundamental não prorrogar a procura por uma ajuda médica em casos como esses, principalmente se estiver em um estágio inicial, pois, quanto antes o tratamento começar, menores serão os danos colaterais, proporcionando uma qualidade de vida melhor ao paciente. Se não forem realizados diagnósticos e cuidados prévios, o distúrbio pode trazer grandes preocupações pois, como explica Bizeto, “a relação entre o TOC e o suicídio é muito alta. É o transtorno que as pessoas correm mais o risco de não suportar conviver”.

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Texto e entrevistas: Giovane Rocha/Colaborador
Edição: Augusto Biason/Colaborador
Consultorias: Armando Ribeiro, psicólogo; Juliana Bizeto, psicóloga; Mário Guimarães, neurologista e professor de medicina da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo (SP); Sandra Carvalhais, psiquiatra, coordenadora e professora na Faculdade Instituto de Pesquisa e Ensino Médico (IPEMED) de Ciências Médicas, em São Paulo (SP).

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