Como funcionam as emoções

Acredite, suas emoções e o que você pensa podem interferir no seu corpo e na maneira de encarar a vida! Leia e saiba mais!

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por Redação Alto Astral
Publicado em 01/10/2015 às 09:22
Atualizado às 09:28

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Emoção: do latim emovere, em que o e significa “fora” e movere “movimento” – agitar, remover, mudar de lugar. Até meados do século 19, na Grécia Antiga, as emoções eram intituladas instintos básicos humanos que deveriam ser controlados a fim de evitar um possível comprometimento na capacidade de pensar.

Como funcionam as emoções?

Foto: Shutterstock Images

A razão, tida sempre como prioridade e dominadora de diversas ciências sociais e humanas, projetava as emoções para serem interpretadas como um bloqueio em relação ao desempenho apropriado da racionalidade, principalmente do pensamento.

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Apesar disso, as investigações realizadas a partir do século 20 tomaram um rumo diferente. Com a condição de que o sujeito compreendesse e estivesse ciente do seu estado, a emoção passou a ser julgada como uma qualidade que permite, inclusive, desenvolver a capacidade de relacionamento e comunicação do indivíduo com si mesmo e em relação ao mundo.

Em busca do conceito

Para a psicóloga Marina Barbi, “emoções são respostas afetivas atribuídas a eventos externos ou internos. Diante de um estímulo, o organismo reage e se prepara para atuar em resposta, e esse ‘impulso’ é a emoção”. Já para Tiago Eugênio, professor de neurociência e neuroeducação, “trata-se de experiências que envolvem reações orgânicas, bioquímicas e comportamentais. Pode-se dizer um estado mental específico que o sujeito vivencia”. De acordo com ele, são comportamentos observáveis, ou seja, a pessoa pode compreender que tipo de emoção a outra está sentindo, desse modo, esses sentimentos podem ser objetos de estudo científico.

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Categorização

Existem diferentes teorias que buscam caracterizar as emoções, mas ambos especialistas salientam a proposta realizada pelo neurocientista António Damásio.

De acordo com Damásio, há três grupos principais de emoções. As primárias ou universais são as não aprendidas, surgidas na infância e importantes para a reação rápida do indivíduo diante de alguns estímulos do meio, como raiva, alegria, medo e tristeza. As secundárias ou sociais surgem mais tarde e dependem de fatores socioculturais e do repertório individual, como inveja, culpa, ciúme e vergonha. Já as emoções de fundo são geradas por estímulos internos, por exemplo, ansiedade, mal-estar, bem-estar, calma ou tensão.

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Questão de sobrevivência

E por que temos emoções? Elas são formas, encontradas pela própria natureza, de proporcionar aos organismos comportamentos ágeis e eficazes regidos para sua sobrevivência. Suas funções básicas são nos preparar e motivar para ações e ajudar no controle das relações sociais, além de facilitar a identificação do estado mental do indivíduo. “É por meio da emoção provocada que o indivíduo reage aos estímulos. Elas motivam para a ação. Por exemplo, ao sentirmos medo, tendemos a nos afastar ou combater o causador daquele temor. Além disso, é a partir delas que podemos atribuir significado a um evento, classificá-lo afetivamente”, explica a psicóloga Marina Barbi.

Como consequência disso, “são capazes de mobilizar o sistema nervoso autônomo, órgãos e sistemas. Influenciam desde a neurofisiologia cerebral até o sistema imunológico. Seu poderoso efeito sobre o seu sistema nervoso autônomo faz com que seus efeitos sejam percebidos no sistema cardiovascular, respiratório, digestivo, dentre tantos outros”, afirma Jô Furlan, pesquisador em neurociência do comportamento.

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Isto é, as emoções modificam tanto a frequência respiratória quanto a cardíaca, a coloração da pele, a tonicidade muscular e ativa ainda áreas específicas no cérebro, interferindo no pensamento e na forma como o indivíduo percebe o mundo. Barbi declara que “elas são responsáveis por coordenar e influenciar diversos processos adaptativos como interações com o ambiente, comunicação, definição de prioridades e avaliação de situações.

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Comportamento

As emoções também ajudam a regular as interações humanas na medida em que reagimos de acordo com elas. Nosso comportamento é movido pela leitura que fazemos das emoções dos outros e as nossas”. Entre seus três principais componentes, estão o cognitivo, o comportamental e o fisiológico. O primeiro permite que o indivíduo processe os estímulos e produza reações a eles. O segundo, por sua vez, possibilita a expressão das emoções por intermédio dos comportamentos. E, por fim, o fisiológico é responsável pelas mudanças biológicas que acontecem no corpo em decorrência das emoções, tendo como exemplo liberações hormonais, taquicardia, agitações, suores, dilatação da pupila e aumento da frequência respiratória.

De acordo com Tiago Eugênio, o ser humano possui emoções, pois “são extremamente importantes em perspectivas biológica, psicológica e social. Sob o ponto de vista da primeira, induzem modificações corporais. Em uma perspectiva psicológica, modificam as características intelectuais, entre as quais estão a percepção, a memória, a atenção, a concentração, a consciência crítica, o poder imaginativo e criativo. Na esfera social, desempenham um papel importante na motivação humana e podem influenciar aspectos que vão desde a personalidade e às relações sociais ao maior ou menor empenho em um curso profissional”.

Os variados tipos de emoção se diferem em conteúdo e comportamentos produzidos. Ou seja, ela depende do estímulo recebido e torna-se diferente conforme esse disparador. Logo, cada um deles provoca uma reação fisiológica diferente, uma forma distinta de se emocionar.

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Centro de tudo

O cérebro exerce papel fundamental sobre tais processos. Assim, ele tem como principais funções relacionadas às emoções, aquelas vinculadas ao sistema límbico, dado que é dele a responsabilidade pelo controle e expressão emocional. “Quando o sistema límbico recebe estímulos sensitivos (audição, paladar, olfato e tato), ele envia essas informações para o tálamo e hipotálamo, que elaboram respostas por meio do sistema endócrino e do nervoso autônomo. Sistema límbico é o nome dado às estruturas cerebrais que coordenam
o comportamento emocional”, explica Jô Furlan.

Nosso cérebro vive em um estado de desequilíbrio dinâmico e é conduzido tanto por impulsos excitatórios quanto pelos inibitórios. Essa instabilidade acaba sofrendo alterações e reflete no estado de consciência, na qualidade das emoções, no humor e no pensamento expressado.

Segundo o pesquisador, “as informações do ambiente e do restante do corpo são constantemente ‘experimentadas’ em busca de conteúdo emocional. O principal ‘sensor’ é a amídala – muito sensível à ameaça e à perda. Ela capta diretamente as reações dos órgãos dos sentidos pelos córtices sensoriais e se conecta ao córtex e ao hipotálamo, criando um circuito.

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Quando a amídala é ativada, envia sinais para esses sistemas, que deflagram mudanças corporais na medida em que passa pelo hipotálamo e criam um reconhecimento consciente de emoção ao percorrer em um lobo frontal. Esses lobos frontais empenham-se em tornar as emoções conscientes e mediar sua intensidade”.

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Coração acelerado

Diante de cada situação ou qualquer experiência, o organismo reage de uma maneira e favorece o surgimento de inúmeras reações fisiológicas – todas as respostas são mediadas pelo sistema nervoso autônomo. No caso do medo, da raiva e da vergonha, as principais reações são parecidas e preparam o corpo para lutar, se defender ou fugir, e provocam o aumento dos batimentos cardíacos, do fluxo sanguíneo para os músculos e da frequência respiratória. Já no caso da alegria, embora as principais reações fisiológicas possam ser semelhantes às descritas acimas, em vez de prepararem o organismo para a fuga ou luta, elas estão relacionadas ao prazer e à excitação.

E por que o nosso coração acelera quando estamos apaixonados? A verdade é que experimentamos um banquete de emoções que vão desde a alegria até o medo da perda. Segundo Karina Calderoni, médica psiquiatra, “a emoção amorosa faz com que, a partir da ativação da hipófise, sejam liberados no organismo os hormônios adrenalina e noradrenalina. Tais hormônios são responsáveis pela aceleração dos batimentos cardíacos, assim como por outras manifestações físicas típicas de quem está apaixonado, como o rubor da pele”.

É possível controlar?

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As indagações a respeito da influência das emoções sobre o corpo e o modo de vida são frequentes. Mas será que existe a possibilidade de controlá-las? O que podemos fazer para evitar os pensamentos negativos e pessimistas? O ser humano é o único que tem a capacidade de dominar seus sentimentos.

Existem, ainda, inúmeras técnicas com o objetivo de aprimorar essa gestão emocional, inclusive respirar profundamente e contar até dez, muito exercitada pela maioria. Segundo Tiago Eugênio, “alguns especialistas acreditam que a habilidade de lidar com as emoções e com pessoas é mais importante do que ser considerado inteligente. A maior dificuldade no controle das emoções se refere à falta de autoconhecimento e autocontrole do indivíduo”.

Muitas vezes, estamos predispostos a perceber as situações de uma forma negativa, mas isso é tão natural quanto percebê-las de forma positiva. “Faz parte do nosso repertório comportamental e é essencial para nossa sobrevivência. Em uma experiência desagradável, a memória e ativação de uma emoção negativa evitam que o sujeito tenha novamente aquela experiência desagradável. As emoções negativas podem ser observadas como momentos importantes para reflexão do sujeito e aprendizado sobre algo. O que fazer com elas? Simplesmente as observe e procure focar no lado do ‘copo cheio’, isto é, procure tirar o proveito delas para se ter uma vida melhor”, aconselha.

Texto: Laís Cordão/Colaboradora

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