A televisão é capaz de influenciar uma pessoa a ser gay?

A discussão é séria e complexa: o meio pode influenciar uma pessoa a ser gay ou a característica vem de nascença? Entenda!

Por Natalia Negretti - 18/11/2016
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Imagem: iStock.com/Getty Images

Falar sobre homossexualidade ainda é tabu na sociedade atual. Basta olhar as reações das pessoas em situações em que a relação afetiva é exposta ao público. Em meados de 2016, a Rede Globo exibiu a primeira cena de sexo gay produzida pela emissora, durante a novela Liberdade, Liberdade. Antes disso, em 2014, o canal já havia mostrado o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo, no último capítulo de Amor à Vida. Em ambos os casos, o comportamento de uma parte dos telespectadores foi semelhante: espanto e preconceito, seguidos de protestos por parte de quem achava um absurdo os atos.

Indignação da intolerância

Um dos argumentos mais usados por quem se posicionou contrariamente às cenas é de que a representação poderia influenciar o comportamento de jovens. Declarações como “o que vou explicar para os meus filhos?” e o prenúncio de uma “doutrinação ‘gayzista’ (em referência ao Nazismo)” se espalharam pelas redes sociais. Mas será que, os comportamentos homossexuais alheios ou da ficção podem afetar a orientação sexual de outras pessoas?

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Imagem: iStock.com/Getty Images

A TV influencia?

Com a resposta, a psicanalista Júlia Bárány: “as influências que qualquer ser humano sofre no ambiente social e cultural em que está inserido são exatamente essas: sociais e culturais. Essas interferências são exercidas sobre a maneira como o ser humano se manifesta e não sobre sua natureza íntima”. Portanto, é errado dizer que os comportamentos homoafetivos – aqueles apresentados na TV e motivo de tanta discórdia – afetam a orientação sexual de outras pessoas.

Gay desde o nascimento?

“Há estudos que comprovam a origem da homossexualidade já nas primeiras semanas da gestação. Portanto, não há qualquer ligação com a forma que a pessoa é criada, o ambiente, quem são os pais, nada. Ela já nasce assim”, explica a psicóloga Marina Vasconcellos. Os estudos citados pela especialista começaram a surgir no final do século 20. Em 1991, o neurocientista anglo-americano Simon LeVay anunciou ter encontrado diferenças significativas nos cérebros de homens héteros e homossexuais. Dois anos depois, uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos, apontou que uma região do cromossomo X, chamada Xq28, era a responsável pela orientação sexual. Mais recentemente, em 2015, cientistas encontraram informações genéticas que permitiriam prever a sexualidade em homens. Essas descobertas serviram para fortalecer a tese de que homossexuais já nascem com a orientação definida.

 

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Consultoria:  Júlia Bárány, psicanalista; Marina Vasconcellos, psicóloga

Texto: Augusto Biason/colaborador – Edição: Natália Negretti