Síndrome de FOMO: sentir angústia de estar perdendo algo aumenta na quarentena

Especialista explica o que é o problema e como evitar os seus sintomas

síndrome de fomo
Foto: Shutterstock

Com a pandemia do novo coronavírus e o isolamento domiciliar, donos de pequenos negócios precisam se reinventar rapidamente, evoluindo décadas em meses. A mulher empreendedora, que, normalmente, já divide o seu tempo em uma dupla jornada, se vê diante da necessidade de estar sempre ativa e “on-line” para todas as necessidades. A nova realidade fez com que ‘medo de ficar de fora’ se torna-se mais eminente, acarretando em problemas de saúde mental, como a Síndrome de FOMO.

Nos últimos três meses, o número de pessoas que sofrem com o problema tem crescido aceleradamente. De acordo com a psicóloga e hipnoterapeuta da Epopéia Desenvolvimento Humano, Sabrina Amaral, a reclusão social, que mantém as pessoas dentro de casa, dividindo seu tempo entre atividades profissionais, cuidados com a casa e a família, e a preocupação de não saber como será o futuro, desperta um sentimento latente de que é preciso aproveitar o tempo para pensar em soluções criativas, novos produtos e serviços para driblar a crise e deixar o empreendimento longe do vermelho.

O que é a Síndrome de FOMO?

Essa sensação esta associado a chamada de FOMO (Fear of Missing Out), que na tradução literal seria algo como ‘medo de perder alguma coisa’. Ela explica a impressão de que estamos devendo ou perdendo alguma informação importante quando, por exemplo, não checamos uma notificação do WhatsApp.

“Manter o negócio rodando, dar suporte aos estudos do filho, realizar tarefas da casa que se multiplicam pelo volume de pessoas que estão ali o tempo todo, administrar conflitos da convivência forçada, buscar uma lista interminável de brincadeiras na internet para entreter os pequenos que estão angustiados de ficar em casa, tudo isso agrava a situação”, explica a especialista.

E o quadro se agrava quando também há uma necessidade de “administrar seus próprios sentimentos internos de angústia, culpa, ansiedade, medo, TPM, sem enlouquecer, nos dá a noção de que estamos em movimento constante e, contraditoriamente, com uma sensação de travamento, do dia ter passado e nós não termos sequer, saído do lugar. Pois mesmo com esforço, ainda não temos as respostas super inovadoras que salvarão nosso negócio”, completa Sabrina.

Dicas para aliviar os sintomas da FOMO

Lidar com todas essas mudanças e qual caminho para eliminar essa sensação de travamento, são perguntas que muitas empreendedoras se fazem diariamente. Para Sabrina, não existe receita pronta, porém, ela recomenda algumas alternativas que podem ajudar neste processo de se colocar em movimento e encontrar algumas respostas.

  • Respire

Calma! Quanto mais preocupada você fica com o futuro, menos oxigênio você vai ter para o seu cérebro criar, consequentemente menos energia e espaço sobrarão para as soluções inovadoras que você quer ter.

A dica é fazer cinco minutos de respiração diafragmática: inspire pelo nariz em 4, retenha 2, expire pela boca 5. Também vale movimentar o seu corpo: faça, por exemplo, 10 polichinelos, dê 20 pulinhos e encerre com 5 abdominais. E, claro, cuide da sua autoestima: tire o pijama, passe um batom, use um bom hidratante.

  • Esperança x Espera

Apesar de terem a mesma origem semântica, estas palavras possuem uma grande diferença. A esperança implica em você pensar em alternativas, caminhos, possibilidades e soluções. Inspire-se olhando a concorrência, fazendo pesquisa com pessoas próximas e observando quais são as ‘novas dores’ que surgem da crise.

Lembre-se de anotar tudo no final para não ocupar espaço desnecessário na sua mente que já está sobrecarregada. Tenha um planejamento detalhado, lista de “to do” em uma folha de papel ou no seu drive do e-mail.

  • Cursos online

Pare de consumir conteúdo aleatoriamente. Pegue um papel e uma caneta, liste que tipo de informação você precisa neste momento, que espécie de conteúdo que, se você tiver acesso, vai trazer o maior impacto positivo para seu negócio.

Então, faça o movimento contrário – vá até o curso online, não deixe que ele venha até você – e se começou a estudar e achou que o conteúdo não está agregando, encerre sem culpa. Não se cobre demais e não se ocupe demais.

  • Slow content

É o nome de um movimento que implica em aprofundar o conhecimento. Pegue um tema e destrinche-o fazendo pesquisas no Google, lendo livros ou assistindo a vídeos. Um de cada vez, sem pressa, lembre-se: menos é mais.

Ao final, liste ações práticas que você tomará, com base no que aprendeu, estabeleça prazos e separe isso em pequenas metas a serem cumpridas diariamente. Além de afastar os sintomas da Síndrome de FOMO, a prática também te ajudará no processo de alavancar sua empresa.

  • Busque apoio

Não temos que dar conta de tudo. Se está difícil se organizar em meio a tantas coisas, busque ajuda. Escolha uma pessoa próxima, que possa ajudar você no estabelecimento das suas metas, alguém para quem você tenha a obrigação de ‘reportar’ seus resultados.

“Somos melhores em nos comprometermos com os outros do que conosco mesmos. Vocês podem realizar uma ajuda mútua”, destaca Sabrina. E se sentir que a Síndrome de FOMO tem afetado muito o seu dia a dia, procure uma terapia online.

  • Aceite a situação e tire o melhor dela

Não sabemos ao certo ainda quanto tempo a crise vai durar, ou quais os impactos que ela trará para o futuro. A única certeza que temos é de que as coisas já começaram a mudar. Pense nessa perturbação como um limão azedo, que pode se transformar naquilo que você quiser.

Então, acalme sua mente, respire, pratique meditação guiada, alongue, escute músicas tranquilas e dê espaço para seu cérebro começar a trabalhar. “Tudo que você precisa fazer é manter a disciplina: de um passo pequeno de cada vez, seja um realista otimista, que sabe que as coisas não estão fáceis, mas certamente têm solução”, finaliza a psicóloga.

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