Saúde mental: entenda como maus hábitos te atrapalham como mecanismos de fuga!

Os maus hábitos estão ligados a um meio de escapar de assuntos dolorosos ou difíceis para o indivíduo, mas podem causar problemas e precisam ser mudados

foto de um homem em fundo preto, com a cabeça abaixada, como se estivesse sofrendo
(Foto: Shutterstock)

Você já se pegou cultivando um hábito sem racionalizar muito sobre seus efeitos em sua vida, mas o repete porque simplesmente é um costume e de certa forma garante uma segurança ou prazer para você? Saiba que esse tipo de comportamento é uma ferramenta da mente que pode ser prejudicial em determinados casos. Ter pensamentos autodepreciativos, descuidar do asseio pessoal, procrastinar, fumar constantemente…

Todas essas são ações rotineiras se enquadram como maus hábitos. E a saída para mudá-los está na mesma estrutura que os cria: a mente.

Fuga dos problemas

Quando se vivencia uma perda muito dolorosa ou com a qual não se sabe lidar, a mente pode criar mecanismos de resposta para fugir da situação projetando uma outra realidade com uma felicidade aparente. Conforme isso se repete nas vivências do indivíduo, o cérebro assimila esse modo de defesa e passa a repetir o processo de respostas.

Esses mecanismos de fuga são o que a psicologia considera como maus hábitos. O professor de psicologia Carlos Gustavo explica que “a expressão ‘maus hábitos’ envolve comportamentos repetitivos que são executados em função, principalmente, da resposta que causa no corpo, geralmente de satisfação ou inibição de sensações ruins”.

Um exemplo dessa construção de realidade de prazer para não encarar os problemas é a ingestão excessiva de doces, que são alimentos compostos de carboidratos e lipídios que ativam regiões do cérebro ligadas ao prazer e sensação de recompensa. Esse é um hábito problemático, que pode acarretar doenças ligadas ao consumo excessivo de açúcar, além de perda de memória e capacidades cognitivas.

Novos significados a realidade

O mecanismo de fugir das dificuldades está ligado a uma complicação que o neurocientista Aristides Brito explica como “a falta de capacidade que a pessoa tem de ressignificar as coisas que acontecem no seu dia a dia”. Entender as situações da vida e dar novos significados a elas é parte importante do processo de crescimento pessoal e, dessa forma, evita-se cultivar práticas negativas para o indivíduo.

O autoconhecimento é uma ferramenta essencial para parar, olhar o cotidiano e identificar os pontos negativos que precisam ser mudados. Respeitando a si e entendendo a origem dos problemas, fica mais fácil de tomar uma iniciativa para mudá-los e parar de sofrer. A psicoterapia é a principal forma de ajuda a que se pode recorrer, já que essa prática ajuda o paciente a se conhecer, compreender suas dificuldades e ressignificá-las.

Outras terapias podem contribuir para romper com o ciclo de maus hábitos. Meditação e ioga podem aliviar o estresse e a tensão, além de ajudar na positividade dos pensamentos. Aromaterapia e acupuntura trabalham o sistema nervoso por meio de aparatos como ervas e agulhas, colaborando com o processo também. Cuidar da respiração ajuda a oxigenar o cérebro, dessa maneira é possível pensar melhor sobre as coisas e reduzir os efeitos do estresse e da ansiedade. Exercícios físicos podem contribuir com seu hábito de respirar corretamente.

Acreditar em seu potencial e se valorizar também são formas importantes de ajuda. “Se você está negativo, passe a praticar positividade, olhe-se no espelho e comece a se elogiar, diga coisas boas a seu respeito, mas busque dizer aquilo que realmente é uma qualidade sua e enalteça como isso pode te elevar. Assim, você substitui velhos e maus hábitos de autodepreciação”, recomenda Aristides Brito.

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