Saiba mais sobre transtornos mentais

Presente em um terço da população, os transtornos mentais afetam de diversas maneiras a consciência, mas não devem ser considerados doenças.

transtornos mentais
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Trasntornos mentais não avisam quando vão chegar e, muitas vezes, nem mesmo apresentam sintomas físicos. Não escolhem raça, idade ou classe social, deixando qualquer um vulnerável. Porém, conhecer os tipos e procurar ajuda é fundamental para conseguir controlar o distúrbio na busca de uma vida com bem-estar.

No mundo todo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ao menos um terço da população mundial apresenta algum tipo de transtorno mental. Um dos motivos que favorece esse quadro é o aumento significativo do número de problemas de saúde considerados distúrbios mentais no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, o livro guia de psiquiatras e psicanalistas. Desde 1952, o número passou de 106 para 365.

“De maneira geral, o que se tem observado é que alterações de comportamento que, antes não eram vistas como transtorno mental, passaram a ser reconhecidos como tal”, expõe o psiquiatra Sérgio Tamai. Um exemplo é a síndrome do pânico: até o início dos anos 1980 não era diagnosticada, e muito menos se sabia que era possível tratar. “Até então, milhões de pessoas sofriam e eram estigmatizadas”, ressalta o profissional.

 

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Os critérios que classificam uma alteração como transtorno mental estão sendo revistos por diversos cientistas. Porém, é um assunto longe de ser finalizado, já que muito do que envolve a mente é quase sempre subjetivo, ainda mais se tratando de normalidade mental.

O que são transtornos mentais?

O cérebro possui incontáveis estruturas responsáveis por diversas atividades do corpo humano. Quando uma ou mais destas estruturas sofrem alguma modificação, por qualquer que seja o motivo, surge um distúrbio mental.

“Podemos definir os transtornos mentais como alterações na cognição (ex: memória, atenção), no controle emocional ou no comportamento de uma pessoa ocasionadas por uma disfunção significativa dos processos biológicos, psicológicos e de desenvolvimento relacionados ao funcionamento mental”, afirma Tamai.

Se não tratados e controlados, podem prejudicar o convívio social e profissional das pessoas, pois trazem sofrimento e incapacidade de realizar diversas atividades.

É doença?

Na medicina, somente se classifica como doença os distúrbios que possuem suas causas totalmente desvendadas, podendo, assim, ser possível a prevenção e até a cura. Como na maior parte dos transtornos mentais não são conhecidas as causas dos quadros clínicos, eles não devem ser tratados como doenças.

Cérebro modificado

Diversos transtornos mentais afetam a fisiologia do cérebro, como no caso da depressão, quando áreas localizadas na parte frontal são menos ativas em relação a pessoas sem depressão. “Com a evolução das tecnologias que permitem ver o funcionamento cerebral com a pessoa em diversas tarefas, podemos constatar áreas que são ativadas de maneira diferente nos casos dos transtornos mentais”, destaca o psiquiatra.

De geração para geração

A complexidade dos transtornos mentais não permite afirmar com absoluta certeza se todo distúrbio é hereditário; no entanto, alguns distúrbios já têm pesquisas avançadas sobre o tema, como é o caso da esquizofrenia. “Estudos indicam que pessoas que têm parentes em primeiro grau com esquizofrenia possuem mais chance de desenvolver o quadro do que pessoas sem este histórico”, afirma o psiquiatra. O transtorno bipolar é outro exemplo de possível transmissão genética.

Em busca da cura?

A falta de precisão no conhecimento da causa dos transtornos mentais faz com que os distúrbios não tenham cura. No entanto, o diagnóstico precoce é essencial para um tratamento efetivo. “De maneira geral, são quadros crônicos, ou seja, sempre pode ocorrer uma recaída. Neste sentido, não se fala de cura, mas sim de controle”, explica Tamai.

 

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Consultoria: Sérgio Tamai, psiquiatra e presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM).

Texto e entrevistas: Natália Negretti – Edição: Augusto Biason/Colaborador