Intersexo: o ponto de intersecção entre o masculino e feminino

Nem masculino, nem feminino: as pessoas intersexo nascem no ponto de intersecção entre os dois sexos. Saiba mais sobre esta condição!

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Foto: Wikimedia Commons

por Redação Alto Astral
Publicado em 15/12/2016 às 14:08
Atualizado às 16:44

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Imagine nascer com partes de genitais dos dois sexos: testículos, ovário, pênis e vagina combinados das mais diversas formas ou em dimensões incomuns, formando nove tipos diferentes de alterações anatômicas e impossibilitando a classificação entre masculino e feminino. A situação pode parecer um tanto quanto anormal, mas é a realidade de uma a cada 1.500 crianças que nascem ao redor do mundo – as chamadas pessoas intersexo.

Estátua intersexo

Foto: Wikimedia Commons

Por exemplo: uma pessoa pode nascer com uma aparência exterior feminina, mas com anatomia interior totalmente masculina. Ou apresentar genitais que se situam na intersecção entre os dois sexos – como clitóris visivelmente grande com ausência de abertura vaginal, ou ainda pênis anormalmente pequeno e com a bolsa escrotal dividida em um formato semelhante a lábios vaginais.

Enquanto boa parte dos casos é detectada imediatamente após o nascimento, outras variações se tornam evidentes apenas em estágios posteriores da vida, como durante a puberdade. Isso sem falar dos indivíduos que vivem e morrem com a anatomia sem que ninguém perceba – incluindo elas próprias. Tais variações se devem às distintas características hormonais e cromossômicas que os corpos podem apresentar.

De acordo com o psicólogo e educador sexual Breno Rosostolato, o conceito de intersexualidade foi sendo construído ao longo dos anos. “Na esfera da biologia, o primeiro que usou o termo ‘intersexualidade’ foi o geneticista Richard Goldschmidt no artigo Intersexuality and the Endocrine Aspect of Sex, para o jornal Endocrinology, em 1917”, explica o especialista. Durante muitos anos, o termo “hermafrodita” foi utilizado para designar os indivíduos acometidos pela ambiguidade genital.

Contudo, segundo Rosostolato, tanto autores do campo médico como das ciências sociais rejeitam esta nomenclatura por considerá-la pejorativa. “Foram feitas referências a uma série de ambiguidades sexuais, sempre as elencando como hermafroditismo, palavra estigmatizante e inapropriada para representar os intersexuais. A medicina e a ciência produzem saberes e o poder sobre os corpos das pessoas, elaborando normatizações para eles. Com isso, dentro da dualidade masculino/feminino, a identidade do indivíduo sofre retaliações”, explana Rosostolato.

Diante das cicatrizes emocionais e físicas, o olhar preconceituoso acentua ainda mais o estado de vulnerabilidade dessas pessoas que precisam ser acolhidas. Não à toa, visto a singularidade de cada caso, o tema tem sido cada vez mais explorado interdisciplinarmente. Assim, conhecimento, mobilização e cautela se provam armas poderosas para vencer os obstáculos que impedem as pessoas intersexo de se autodenominar conforme suas próprias convicções.

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