Conheça as religiões que acreditam em reencarnação

Entenda o significado e as particularidades da reencarnação, ou vida após a morte, para as diferentes religiões. Leia e saiba mais

Pessoa Iluminada
Por Julia Martins - 15/09/2016

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Não é porque uma religião crê na reencarnação, ou, porque seus adeptos mantenham práticas mediúnicas que esta pode, por conseguinte, ser denominada Espiritismo. Outras correntes religiosas também se baseiam nesse princípio. Por isso é comum, por exemplo, confundir o Espiritismo com as doutrinas afro-brasileiras. Para esclarecer essa questão, conheça a seguir as diferentes religiões que acreditam na reencarnação.

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Kardecismo

Esta confusão se iniciou ainda no século dezenove, quando os cultos afro-brasileiros sofriam de perseguição religiosa, advindos de preconceitos e intolerância religiosa. A constituição brasileira de 1824 já estabelecia que a religião oficial do Estado era o Catolicismo. Visando fugir destes ataques e num gesto desesperado para consolidar e propagar sua doutrina, grupos umbandistas passaram a se autointitular espíritas, inclusive com a chancela da Federação Espírita Brasileira (por breve período), usando a alcunha de espírita umbandista. Mais recentemente, para diferenciarem-se dos grupos umbandistas que se intitulavam espíritas, adeptos do Espiritismo, insatisfeitos com a associação indevida entre as duas doutrinas, passaram a se intitularem espíritas kardecistas, mostrando claramente que seguiam a doutrina codificada por Allan Kardec.

Espiritismo: religião cristã

A Doutrina Espírita se fundamenta nos ensinamentos transmitidos pelos espíritos de ordem superior e que foram transcritos por Allan Kardec. Estes ensinamentos estão registrados nas obras básicas que compõem a codificação da Doutrina Espírita, além de citados diversas vezes nas obras do médium Chico Xavier, ou Francisco Cândido Xavier. É uma doutrina cristã, pois se baseia no evangelho de Jesus e segue seus ensinamentos visando a reforma moral e o aperfeiçoamento espiritual do ser humano.

Retrato de Chico Xavier

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O Candomblé

Embora a Umbanda e o Candomblé acreditem na reencarnação e pratiquem o intercâmbio com o plano espiritual, não se pode afirmar que elas sejam doutrinas ligadas ao Espiritismo. Ambas são doutrinas que podem ser consideradas genuinamente brasileiras: criadas e codificadas no Brasil.

O candomblecista (adepto do Candomblé), apesar de não ter um estudo sistematizado com livros próprios, segue com coerência os ensinos religiosos que são passados aos pais de santo e destes, para os membros da casa. O candomblecista, assim como o espírita, crê na existência da vida após o desenlace do corpo físico (os desencarnados no Candomblé são chamados de Eguns) e veneram os orixás (divindades), que são cultuados durante as festas e no cumprimento de obrigações (oferendas). No Espiritismo não há veneração pelos espíritos e nem há divindades, mas sim um grande respeito por aqueles seres cuja comunicação demonstre se tratar de um espírito de ordem superior (espírito evoluído).

Para o Espiritismo, qualquer espírito, pode se comunicar (de alguma forma: psicografia, psicofonia, intuição, etc.) com um médium. No Candomblé, é comum que os orixás se expressem através do jogo de Ifá (oráculo).

A Umbanda

A Umbanda, por sua vez, surgiu após o Espiritismo, no ano de 1908 através de um famoso médium chamado Zélio Fernandino Moraes, com a orientação do espírito que se identificava como Caboclo das Sete Encruzilhadas, em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. A Umbanda é uma doutrina espiritualista que, como o Espiritismo, acredita na sobrevivência do Espírito e na comunicação com o plano espiritual. Sua formação sofre influências da cultura religiosa brasileira como o Catolicismo, o Espiritismo e as seitas afro-brasileiras, com destaque para o Candomblé. Seu fundador organizou uma doutrina com conceitos próprios, diferenciando a nova religião do Candomblé e das outras seitas com inspiração afro existentes na época.

Edição: Júlia Martins/Colaboradora | Design: Aline Barudi