Psicopatas: eles não estão só no cinema

A psicopatia é um transtorno real, porém, não tão alucinante como mostra a ficção. Veja as principais características dos psicopatas

psicopatas Hannibal
FOTO: Reprodução

Não são poucos os filmes, entre outras obras de ficção, como novelas e livros, que trazem personagens psicopatas, como o canibal Hannibal Lecter (foto). O comportamento egoísta, manipulador e até maléfico fascina os autores, que podem criar diversas situações envolvendo crimes e sangue – muito sangue!

Porém, na vida real, são poucos os casos de psicopatas que chegam a matar. Na maioria das vezes, eles apenas criam armações visando o próprio benefício. Indiferentes aos sentimentos alheios, são capazes de passar por cima de tudo e de todos para conseguirem o que querem.

psicopatas Hannibal

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“Não fui com a sua cara”

O termo psicopatia nem mesmo está presente nas classificações internacionais de doenças. Na verdade, é conhecido como transtorno de personalidade antissocial. De acordo com a 5ª edição do Manual de Diagnósticos e Estatísticas de Transtornos Mentais (DSM-5), estima-se que o distúrbio atinja entre 0,2% e 3,3% da população mundial.

“Os transtornos de personalidade não são doenças, mas anormalidades da psique, havendo uma dissonância do afeto e da emoção. Na psicopatia, existe uma falta de empatia e de comoção em relação ao outro. Quando há uma exacerbação desta insensibilidade, estes indivíduos são classificados como sociopatas ou psicopatas”, explica a psiquiatra Andrea Kraft.

Na mente dos psicopatas

Com o desenvolvimento da psiquiatria no século 19, muitos transtornos se tornaram mais conhecidos e explorados, fugindo do rótulo genérico de loucura. É o caso da personalidade antissocial.

Apesar de serem, muitas vezes, retratados como pessoas sem escrúpulos e dementes, os psicopatas, na verdade, têm bastante consciência do que fazem. Tanto é que suas principais características são manipulação, exploração e sadismo. Em outras palavras: o indivíduo não se importa em usar o próximo, sentindo até prazer em ver o sofrimento alheio. “Angústia e remorso são sentimentos impensáveis para pessoas diagnosticadas desta forma. Outras características que elas não possuem e merecem destaque são senso crítico e noção ética”, detalha a psicóloga Cleunice Menezes.

 

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Consultorias: Andrea Kraft, psiquiatra especializada em terapia cognitiva e comportamental; Cleunice Menezes, psicanalista especializada em doenças da mente e dependência química.

Texto e entrevistas: Natália Negretti – Edição: Augusto Biason/Colaborador