Saiba por que é importante organizar as finanças pessoais

Organizar as contas é o primeiro passo para ter suas finanças sob controle

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Foto: miker / Shutterstock.com

Não existe finanças em dia sem organização. Fazer uma lista com todos os tipos de gastos e recebimentos em um mesmo lugar, seja no papel ou no computador, é essencial para ter controle de cada centavo.

Como organizar

Sair de uma dívida, alcançar sonhos, garantir o futuro e muito mais: tudo isso é possível com a organização financeira. Uma das formas mais usadas por quem quer ter as economias sob controle é utilizar planilhas no computador. Essa ferramenta realiza os cálculos de entradas e saídas automaticamente. Também existem aplicativos para celulares e tablets que têm a mesma função. No entanto, para quem não é familiarizado com a tecnologia, uma cardeneta ou bloco de anotações cumpre bem o papel. “O instrumento é o de menos; o mais importante é você saber que precisa ter algum tipo de controle”, destaca o economista Samy Dana, referência em economias pessoais e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para Marcelo Cambria, professor de finanças e mercado financeiro da Fundação Instituto de Pesquisa Contábeis, Aturiais e Financeiras (Fipecafi) é importante que a planilha seja prática e de fácil visualização, que dê uma somatória que ajude a não gastar mais do que você recebe. “Hoje em dia, com os artefatos de smartphone e tablets, existem diversos softwares que podem ajudar você a controlar os seus gastos. Mas de nada vai adiantar se não tiver disciplina e uma planilha, que eu recomendo que seja mantida, independentemente de você possuir outras ferramentas”, complementa o especialista.

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Na ponta do lápis

O primordial na hora de usar a ferramenta de controle é ter clareza de tudo o que se recebe e o que se gasta. Para isso, crie uma planilha prática e desenvolva uma rotina de anotar todas as ações e consultar as anotações frequentemente. Antes de comprar alguma coisa, por exemplo, é preciso olhar na tabela se é possível fazer tal gasto. “Essa disciplina, no primeiro momento, requer um esforço maior, mas, com o passar do tempo, se torna natural e passa a orientar a pessoa na hora de decidir por um gasto ou não. É o processo de reeducação”, explica a diretora comercial.

“Não existe um instrumento mágico, pois é preciso atitude. A planilha é o principal instrumento: ou seja, é necessário analisar a receita e confrontar com todas as despesas, principalmente as pequenas, que somadas podem causar um buraco no orçamento”, ressalta a professora Myrian Lund, da Fundação Getulio Vargas (FGV). A especialista ainda destaca uma estratégia para perceber o real sentido de cada gasto: multiplicar por 12. Ou seja, R$ 50,00 gastos por mês com algum produto ou serviço supérfluo pode parecer pouco, mas ao longo do ano, este valor é R$ 600,00. Não parece tão pouco assim, certo?

O mesmo vale para gastos diários. R$ 2,00 todos os dias equivalem a R$ 730,00 em um ano! “Não basta só fazer planilha, é necessário ainda analisar item a item para iniciar o enxugamento do que não é mais tão importante”, ressalta.

Reflexo no futuro

O cuidado com o futuro também é reflexo das atitudes atuais, isto é, a garantia de uma aposentadoria tranquila depende de como você lida com as finanças hoje. Segundo a diretora comercial Carla Abreu, as mudanças que vêm ocorrendo na sociedade, com as pessoas vivendo cada vez mais e com melhor qualidade, além do cenário econômico do país mais delicado, estão refletindo no regime previdenciário do INSS, ou seja, a aposentadoria tende a ficar mais difícil. “Isso tem feito as pessoas entenderem que cuidar do futuro financeiro, próprio e da família, é cada vez mais uma responsabilidade individual, e não só algo garantido pelo governo ou pelo empregador”, destaca a especialista.

 

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Consultoria: Carla Abreu, diretora comercial Regional Leste da seguradora Mongeral Aegon; Marcelo Cambria, professor de finanças e mercado financeiro da Fundação Instituto de Pesquisa Contábeis, Aturiais e Financeiras (Fipecafi) na Faculdade de Economia, Adminstração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP); Myrian Lund, professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV); Samy Dana, economista, consultor de empresas e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Texto: Natália Negretti