O que é cloroquina e como ela está sendo utilizada no tratamento da Covid-19

Conheça também outros possíveis remédios que estão sendo testados ao redor do globo

o que é cloroquina
Foto: Reprodução/David J. Phillip/AP

Com a corrida em diversos países pela busca de uma cura para a Covid-19, muito se fala sobre ela, mas você sabe o que é cloroquina? Originalmente, o medicamento é usado no tratamento e profilaxia da malária mas, em meio a um jogo político, a droga vem sendo altamente recomendada por alguns líderes para o tratamento da doença.

No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é preciso ressaltar que os resultados das pesquisas sobre seu uso ainda são inconclusivos e, apesar de alguns estudos indicarem que ela pode funcionar, outros demonstram risco de complicações causadas pela toxicidade da droga.

O que é cloroquina e como ela vem sendo usada?

A cloroquina, combinada com o antibiótico azitromicina, é uma das quatro fórmulas de remédios que estão em fase de testes segundo a OMS. Mesmo assim, em entrevista ao G1, a Organização informou que “até agora, nenhum produto farmacêutico se mostrou seguro e eficaz para tratar a Covid-19”.

No Brasil, desde o dia 25 de março, o Ministério da Saúde liberou o seu uso somente a pacientes em estado crítico e, também, naqueles em estado moderado, já internados nos hospitais. Além disso, o médico e o paciente precisam estar de acordo no uso. Isto porque ainda há “lacunas no conhecimento” sobre a droga. No último dia 3 de abril, o órgão ampliou a indicação para casos moderados de infectados que tiverem passagem pelo hospital.

“Será que se nós dermos em massa para esses, de mais de 60, mais de 70, mais de 80 anos, será que esse medicamento vai protegê-los ou será que eles podem ter arritmia, vão precisar de leito de CTI e ter infarto do miocárdio?”, questionou o atual ministro da saúde, Mandetta. De acordo com o político, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tem até 20 de abril para dar uma posição sobre o uso do medicamento.

Seguindo a linha do ministro, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também é contrária ao uso indiscriminado, já que considera que a cloriquina ainda é somente uma “terapia de salvamento experimental”.

Estudos sobre a droga

Análises feitas por Didier Raoult, diretor do Hospital Universitário Méditerranée Infection, de Marselha, apontam a eficácia da hidroxicloroquina associada ao antibiótico azitromicina. Em conclusão, o profissional aponta que 81% dos doentes puderam deixar o hospital em cinco dias, em média. Ainda assim, o resultado promissor divide a comunidade científica, que alerta sobre a necessidade de pesquisas mais aprofundadas e sobre os efeitos colaterais da droga.

Uma prova disso é que uma mulher internada no hospital de Nice, na França, sofreu complicações cardíacas após a combinação dos dois medicamentos. Outro ponto são as pesquisas realizadas ao redor do mundo sobre mortes que aconteceram após o automedicamento da cloriquina.

Um estudo feito pela Fiocruz e pela Fundação Medicina Tropical, divulgados na terça (7), mostraram que a taxa de mortes entre pacientes com Covid-19, que receberam ou não o medicamento, é bastante semelhante.

Outras alternativas

Plasma

Uma alternativa que vem sendo estudada pelos pesquisadores é o uso do plasma sanguíneo de pacientes curados, para ajudar no tratamento de infectados que estão na fase aguda da doença. Na França, estão sendo feitos testes nos hospitais das regiões mais afetadas e os resultados preliminares poderão ser divulgados em duas ou três semanas.

Brasil e Estados Unidos também começarão a fazer testes sobre a eficácia do procedimento. Na China, segundo a companhia China National Biotech Group, pacientes melhoraram rapidamente após receberem transfusões de plasma.

Verme Marinho

Na França, um outro estudo também está sendo tocado. Nele, a aposta é utilizar em pacientes com Covid-19 uma solução à base do sangue de um verme marinho da Bretanha. A hemoglobina do arenicola é capaz de transportar 40 vezes mais oxigênio do que a humana, ajudando a aliviar dificuldades respiratórias e reduzir as internações em unidades de tratamento intensivo.

Cordão umbilical

Também na França, o hospital Pitié-Salpêtrière deu início a testes com células do cordão umbilical, que serão injetadas em pacientes em estado grave (aqueles que precisam de respiradores). A intenção é entender se essas células são capazes de conter a inflamação dos tecidos pulmonares e acelerar a recuperação do paciente.

Segundo o o comunicado da organização que reúne os hospitais de Paris, a AP-HP, “o cordão umbilical é coberto de vasos sanguíneos envoltos em um tecido gelatinoso. Ele possui uma grande quantidade de um tipo de células que apresentam propriedades anti-inflamatórias, antifibróticas (que impedem fibroses) e moduladoras da imunidade”.

Antivirais (contra HIV, esclerose múltipla e ebola)

Um teste, que foi publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine, analisou o uso do coquetel lopinavir e ritonavir contra o HIV para o tratamento de pacientes de Covid-10 e constatou falha de funcionamento. Nenhum dos antivirais apresentou melhoras no quadro dos doentes.

No entanto, um estudo realizado in vitro pela Fiocruz apontou que o atazanavir – outro medicamento usado no tratamento do HIV – mostrou resultados promissores e, até mesmo, melhores do que o da cloroquina. De acordo com o resultado da pesquisa, o atazanavir é capaz de inibir a replicação do novo coronavírus e reduzir a proteção de proteínas que causam a inflamação nos pulmões.

Um outro estudo está sendo feito na Europa, nos EUA e na China com o antiviral remdesivir, que é utilizado no tratamento do ebola. Os resultados sobre sua eficácia no tratamento do novo Coronavírus é esperado até o final de abril

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