Comissário sobrevivente do voo da Chapecoense fala sobre a queda do avião

Erwin Tumiri relembrou minutos que antecederam a queda do avião e que não seguiu nenhum protocolo de poucos forçados, pois não foi avisado sobre o problema

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por Redação Alto Astral
Publicado em 04/12/2016 às 23:26
Atualizado às 14:33

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Erwin Tumiri, comissário de bordo e sobrevivente do voo que levava o time da Chapecoense que caiu na última terça-feira (29.11) falou ao Fantástico no domingo (4.12) a respeito da queda e do que ele fez após perceber que havia sobrevivido.

“No momento do acidente, era como um pesadelo, porque nem eu mesmo acreditava e eu acordei e pensei ‘o que foi que aconteceu aqui?’. E o que eu fiz, foi pegar minha lanterna e gritar ‘socorro’ e comecei a piscar a lanterna para que me vissem e me ouvissem”.

Foi então que ele viu a colega de trabalho, Ximena, que estava próxima a ele. “Corri em direção a ela. Eu a soltei. Ela estava presa e gritando, quando ela me viu, ela foi acalmando e eu disse ‘vamos embora’, porque estava escuro, era mata e eu pensei se conseguir ir em direção ao aeroporto, porque eu vi quando um avião decolava, então eu achei o sentido do aeroporto e tentei caminhar para essa direção”.

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Foto: Reprodução

Erwin ainda contou que viu muitos corpos sem vida e estava preocupado, achando que o avião podia explodir e por isso resolveu se afastar dele. “Eu escutei uma voz, que era brasileira. A minha intenção era fazer com que ele continuasse falando, era a única forma que eu tinha que ajudar”.

Antes da queda

Erwin contou que ele estava conversando com técnico da Chapecoense, Caio Júnior, que estava ensinando o comissário a falar algumas palavras em português. “Foi então que avisaram que o avião ia pousar em um pouso normal e todos voltaram para seus lugares. Então o avião começou a tremer e as luzes a piscar, eu ouvi um barulho e não me lembro de mais nada e, depois, eu levantei do chão”, disse.

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Foto: Reprodução/Facebook

Roteiro da viagem

O comissário de bordo explicou que, antes de embarcar, é preciso saber qual o roteiro de viagem que o avião fará, onde terá paradas, pois faz parte do protocolo de trabalho. Erwin disse que a aeronave ia ser abastecida em Cobija, antes de chegar a Medellin, o que não aconteceu, pois, depois do embarque, ele soube que o avião ia direto para Medellin.

Ao ser questionado sobre a decisão de não parar em Cobija, Erwin disse que a pessoa responsável por essa decisão não a fez em uma boa hora. E faz uma observação com relação a este tipo de decisão. “É preciso ser mais responsável. Que as decisões não sejam tomadas de maneira tão individual e que tudo seja comunicado, para onde vamos, o que vamos fazer. A tripulação teria que saber, tudo ser dividido”.

Sobreviveu por sorte

Muitos veículos noticiaram que Erwin teria seguido o protocolo de poucos forçados, mas o comissário nega isso. “Eu não segui o protocolo de poucos forçados. Ninguém percebeu que ia cair. Estavam todos prontos para pousar em um pouso normal”, relembrou.

Conhecer Chapecó

Erwin disse que um dia quer conhecer Chapecó e tem um motivo especial. “Eu sinto como se eu tivesse sido salvo por eles e eu sinto como se eles tivessem dado a sua vida pela minha, por isso, eu quero conhecer essa cidade”.

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