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Adolescente negra e estudante da rede pública passa em primeiro lugar em Medicina na USP

Estudante da rede pública, negra e da periferia, Bruna Sena passou em 1º lugar em Medicina na USP. Saiba mais sobre a menina que venceu vários obstáculos

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Foto: Milena Aurea / A Cidade

por Vítor Ferreira
Publicado em 08/02/2017 às 13:58
Atualizado às 16:19

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Bruna Sena, adolescente de 17 anos, passou em primeiro lugar em Medicina na USP de Ribeirão Preto, curso mais concorrido da Fuvest, com 75,58 candidatos por vaga.

Negra, moradora da periferia em Ribeirão Preto e estudante da rede pública, Bruna foi criada pela mãe – seu pai a abandonou quando ainda tinha nove meses – e é a primeira da família a ingressar no Ensino Superior. No Facebook, ela fez uma postagem de comemoração com a frase “A casa-grande surta quando a senzala vira médica”, em referência ao livro clássico “Casa-Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre.

Estudante que passou em primeiro lugar em Medicina na USP é negra e pobre

Foto: Reprodução/Facebook Bruna Sena

Bruna é defensora das cotas sociais, de maiores oportunidades para negros e ativista racial. “Claro que a ascensão social do negro incomoda, assim como incomoda quando o filho da empregada melhora de vida, passa na Fuvest. Alguns se esquecem do passado, que foram anos de escravidão e sofrimento para negros. Não há como concorrer de igual para igual quando não se tem oportunidade de vida iguais”, contou em entrevista para a Folha de São Paulo.

Família como base

Para o orgulho da mãe e da família, a filha sempre teve bom rendimento escolar. Para atingir o primeiro lugar de Medicina na USP, ela focou nos estudos desde cedo. Cursou o ensino médio na Escola Estadual Santos Dumont, fez Kumon de matemática com a ajuda financeira de amigos e, durante a noite, estudou no “Cursinho Popular de Medicina”, preparatório para o vestibular com aulas ministradas pelos estudantes da USP.

“Minha escola era boa, apesar da falta de verba. Mas esse cursinho foi a salvação”, diz Bruna. Foi durante o preparatório que ela decidiu prestar o vestibular e ser médica.

Aluna negra e estudante da rede pública passa em primeiro lugar em Medicina na USP

Foto: Milena Aurea / A Cidade

“Tudo na nossa vida foi muita luta, desde que ela nasceu, prematura de sete meses, e teve de ficar internada por 28 dias. Não tenho nenhum luxo, não faço minha unhas, não arrumo meu cabelo. Tudo é para a educação dela”, conta a Dinália à Folha.

A jovem ainda não sabe qual área da Medicina seguirá, mas afirma que quer “atender pessoas que precisam de alguém para dar a mão e de saúde de qualidade”.

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