Musicoterapia: conheça o processo de cura pela audição

A musicoterapia tem muitos usos e possibilidades, mas precisa de um profissional capacitado para atingir resultados. Saiba como utilizá-la a seu favor!

Mulher de fone, dançando atrás de um fundo azul, como se estivesse participando de uma musicoterapia
(Foto: iStock / Getty Images)

A música fala ao coração de forma que poucas coisas conseguem. Mesmo tão comum no dia a dia, ela é capaz de mudar nosso estado de espírito. É contando com esse poder que surgiu a musicoterapia, que busca trazer a cura através da arte sonora. Porém, existem grandes confusões sobre como funciona esse método terapêutico e os efeitos do tratamento.

Muitas pessoas acreditam que não existe diferença entre ouvir música em casa e ir a uma sessão de musicoterapia, o que é desmentido por Juliana Bertoncel, musicoterapeuta do Espaço Terapia e Música: “Ouvir música em casa pode trazer benefícios, mas não é musicoterapia. A música estimula a liberação de hormônios do prazer, estimula a criatividade, atenção, entre outros. Mas ela sozinha não realiza resultados consistentes, transformadores e de duração de longo prazo. São benefícios imediatos e não controlados”.

Ela explica ainda que a diferença está nos métodos da musicoterapia: “Para os pacientes que participam de um processo músico terapêutico, com sessões regulares, orientado por um musicoterapeuta, as transformações que acontecem são levadas para o dia a dia do paciente, promovendo uma melhora significativa na qualidade de vida do indivíduo e dos seus cuidadores/familiares”. Como funciona? A musicoterapia se concentra na audição de músicas e por vezes na participação da pessoa nestas. Ou seja, por vezes, a pessoa participa através da própria voz, o que é chamado de cantoterapia – e é uma extensão do tratamento através da canção.

“A musicoterapia é indicada para todo mundo que gosta de música e que deseja utilizar essa afinidade e prazer como uma ferramenta para desenvolver potenciais, saúde e comunicação, a fim de alcançar uma enorme realização interna intra e inter pessoal”, explica Juliana. O processo da musicoterapia é, portanto, muito semelhante ao de alguns tipos de terapias ocupacionais, mas com um teor ainda mais artístico.

A metodologia é voltada para a participação, segundo Juliana: “Dentro das sessões, o paciente é convidado a explorar instrumentos, a cantar, a perceber como determinados sons atuam no seu corpo, quais memórias afloram, gestos-som, a compor letras e músicas completas”, explana a especialista. O estilo musical não é importante. Você não precisa ser fã de música clássica para participar. “Utilizamos as músicas que fazem parte do histórico sonoro do paciente. As músicas que são representativas para sua biografia, independente do estilo musical”, relata Juliana.

Indicações

A musicoterapia não tem grandes contraindicações, mas existe um caso claro em que ela deve ser evitada: pessoas que sofrem de epilepsia musicogênita, isto é, casos em que a pessoa sofre com crises de convulsão estimuladas pelos sons. Fora desse grupo de pessoas, a musicoterapia e a cantoterapia têm efeitos positivos em uma série de problemas, como no combate à timidez, problemas com a própria voz causados por estresse e até depressão. Entretanto, em alguns casos, deve ser associada a outros tipos de tratamento para surtir efeitos.

“Quando falamos de quadros mais complexos, como a dor crônica, por exemplo, é necessário que uma equipe multidisciplinar assista esse paciente, dentre eles médico especialista em dor, fisioterapeuta, meditação, psicóloga, acupunturista, além do amparo medicamentoso, em associação ao musicoterapeuta”, relata Juliana. Assim, caso você esteja passando por um tratamento para um problema físico e acredite que a musicoterapia pode contribuir com a evolução do seu quadro, o ideal é procurar o médico ou terapeuta atual e perguntar sobre o uso da musicoterapia e indicações de profissionais que trabalham na área. Não pense, entretanto, que qualquer profissional é qualificado para usar música no tratamento.

“A musicoterapia é uma terapia com bases científicas, não alternativa, que necessita de um musicoterapeuta qualificado para conduzir o processo”, finaliza Juliana.

Texto: Rafael Guimarães/Colaborador

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