Grécia e Roma: as diferenças entre a religião na origem desses povos

É de conhecimento histórico que Grécia e Roma assemelham-se em alguns pontos, uma vez que a cultura grega possui bastantes influências na romana. Porém, quando se trata das crenças religiosas de ambas, algumas diferenças devem ser destacadas. Saiba tudo sobre as religiosidades grega e romana

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Foto: IngramPublishing/OtherImages

por Redação Alto Astral
Publicado em 05/03/2018 às 11:30
Atualizado às 11:50

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Ambos esses povos da antiguidade tiveram em comum a crença em um panteão de deuses, pelo menos até os romanos adotarem o cristianismo. Graças a isso mantivemos na nossa cultura as figuras mitológicas como Zeus, Hércules, Poseidon e outros mais. Entretanto, é comum hoje em dia cometermos o erro de acreditar que as crenças dos dois os povos eram exatamente iguais. Entenda as principais diferenças entre Grécia e Roma em suas crenças religiosas.

Entre heróis e deuses

Ao abraçar os deuses da mitologia grega, os romanos deixaram do lado de fora os heróis helênicos. Não era do feitio dos cidadãos de Roma idolatrar tais personalidades, como Aquiles, que, apesar dos feitos incríveis, tinha pouca relação com a cidade. Pelo contrário, os romanos desaprovavam a adoração a figuras gregas, preferindo falar dos feitos de personagens etruscos e de outros povos que haviam feito parte da formação da cidade.

“Os heróis romanos, em geral, são ligados à história de Roma, e o único herói comum à mitologia grega e à romana é Hércules”, explica a professora Miriam Sutter, do departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

“A epopeia romana Eneida, de Vergílio, nos apresenta Eneias, um herói troiano que logrou salvar-se da destruição da cidade e, juntamente com outros patrícios, sob o desígnio dos deuses, fundou uma nova Tróia em terras da Itália. Esta nova Tróia viria a ser chamada de Roma, a partir de Rômulo, fundador da cidade e descendente longínquo de Iulo, filho de Eneias”, completa ela.

Posições sociais

As deusas eram mais respeitadas pelos romanos, uma vez que dentro da sua sociedade as mulheres tinham direitos com os quais não contavam entre os gregos, como o direito à propriedade.

Muitos artigos científicos que tratam sobre as diferenças entre as culturas religiosas falam sobre como os romanos davam maior importância às divindades “femininas”. Colocam a figura de Vênus como um exemplo disso, uma vez que a deusa tinha um papel especial no mito de formação de Roma.

A professora Miriam Sutter, entretanto, discorda: “Como civilizações centradas na organização social gentílica, as deusas tutelares enunciadas como ‘femininas’, tais como Héstia/Vesta, a deusa do lar, eram comuns as culturas de Grécia e Roma. Para os romanos, o colégio das Vestais era exclusivamente feminino. Vestais eram as ‘virgens caladas’ (a elas era vedado sair do templo e falar em público). Se a tradição romana tem heroínas, estas o são por estarem vinculadas à história romana. Quando se trata de Roma, o estatuto da mulher era o de filha ou mãe. Mesmo se viúva, ainda assim, estaria sob a tutela de um preceptor”.

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Texto: Rafael Guimarães/Colaborador – Edição: Giovane Rocha

Consultoria Miriam Sutter, professora do departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ)

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