5 mitos e verdades sobre transtornos mentais

Apesar dos longos anos de pesquisas científicas, ainda há muitos questionamentos sobre os transtornos da mente. Tire algumas dúvidas aqui.

Por Augusto Biason - 29/07/2016
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Principalmente por questões ligadas à prevenção e à cura ainda não serem totalmente definidas, é normal que os transtornos mentais causem muitas dúvidas na população. Selecionamos alguns fatos para esclarecer sobre o tema. Confira!

1. Todo psicopata é assassino ou pode matar.

DEPENDE. Apesar de muitos filmes, livros e novelas retratarem os psicopatas como pessoas assassinas, não é bem assim na vida real, já que não necessariamente são destrutivos ou ameaçadores. A psicanalista Júlia Bárány destaca que, assim como há diferenças em uma pessoa normal, esses indivíduos também manifestam mais ou menos controle de suas ações.

“Todo psicopata é capaz de matar, pois ele não tem nenhum impedimento moral ou afetivo para tal. A grande maioria não chega a matar fisicamente, no entanto, extermina sonhos, carreiras, relações, famílias, finanças e corações. Um psicopata sempre deixa um rastro de destruição por onde passa”, afirma a especialista.

2. Os psicopatas são pessoas superinteligentes.

MITO. Essa ideia não passa de um grande mito. O que acontece é que, ao deixar suas emoções de lado, agindo de forma mais racional e calculistas, eles se mantêm no controle da situação, focando nas ações para alcançarem seus objetivos.

“Os psicopatas demonstram pensamento estratégico acima da média, boa fluência verbal e, por apresentar uma alta empatia cognitiva, são manipuladores e sedutores”, conta a neurologista Vanessa Muller. No entanto, alguns estudos apontam que esses indivíduos têm déficit de atenção e sentem tanto medo quanto qualquer outra pessoa. Porém, a distração faz com que tenham dificuldade em prestar atenção no que é assustador, tornando-os insensíveis e destemidos.

“Enquanto vai crescendo, o psicopata aprende estratégias de manipulação cada vez mais eficientes e camufladas. Muitos escolhem profissões que lhes fornecem oportunidades para ter mais ferramentas de manipulação, como médicos, pastores, empresários, psicólogos, advogados, juízes e políticos”, ressalta Bárány.

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3. Pessoas tímidas sofrem de transtorno de ansiedade.

MITO. Mesmo os indivíduos tímidos apresentando algumas manifestações parecidas com quem sofre de transtorno de ansiedade social (TAS), não significa que eles tenham o distúrbio. “A grande diferença é que uma pessoa tímida, apesar de se sentir desconfortável com exposição ou ficar mais ansiosa em situações de estresse, consegue desempenhar suas tarefas e não apresenta prejuízos na sua vida escolar, laboral ou social como acontece em pessoas com TAS”, explica Muller.

4. Pacientes com Alzheimer só se esquecem de fatos recentes.

MITO. Na fase inicial do transtorno, a perde-se neurônios em duas estruturas cerebrais: o hipocampo e o córtex entorrial. Essas regiões são fundamentais para o processo de memória e de aprendizado que estão ligadas diretamente aos fatos recentes, já que convertem a memória de curto prazo em memória de longo prazo. “Portanto, o acometimento do hipocampo impede a pessoa de construir novas lembranças, mas as antigas permanecem intactas”, explica a neurologista. Porém, com o avanço do Alzheimer, a memória antiga também vai se perdendo, já que as estruturas cerebrais ficam ainda mais comprometidas.

5. Depressão é uma das características da bipolaridade.

VERDADE. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), uma das características do transtorno bipolar é a ocorrência de episódios depressivos. Inclusive, um outro nome para transtorno bipolar é doença maníaco-depressiva. “A pessoa oscila entre manias e depressão. Por estar extremamente irritada, ela se torna exigente e se zanga quando contrariada”, destaca Bárány.

 

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Consultorias: Júlia Bárány, psicanalista; Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico, no Rio de Janeiro (RJ).

Texto e entrevistas: Natália Negretti – Edição: Augusto Biason/Colaborador