O esquecimento também é importante para o cérebro, sugere pesquisa

Ter uma memória impecável pode facilitar muitas coisas no cotidiano. Mas, segundo um estudo recente, o esquecimento também tem suas vantagens

A foto mostra uma mulher preocupada com o esquecimento. Há vários pontos de interrogação caindo sobre ela
Foto: Shutterstock.com

A capacidade de armazenar informações é útil para diversas tarefas do dia a dia: seja em relação às obrigações do trabalho, ao estudar para uma prova ou para lembrar de arrumar o quarto. Porém, como aponta um estudo publicado na revista científica Neurons, o esquecimento é um processo importante para o seu cérebro.

A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Toronto e do Hospital para Crianças Doentes, ambos no Canadá, ressalta que uma das principais funções da memória é ajudar a pessoa a tomar decisões.

Os profissionais pontuaram dois motivos que mostram a importância do esquecimento para o seu dia a dia. O primeiro diz respeito ao envelhecimento das informações, uma vez que estas, geralmente, sofrem constantes atualizações (principalmente levando-se em conta a velocidade e quantidade do fluxo de notícias na internet).

Outra razão para desprender-se de algumas memórias é priorizar os dados que são realmente relevantes para definir uma situação. Esse princípio é fundamentado em um processo utilizado em computadores, no qual as máquinas fazem generalizações com base em uma grande quantidade de informações.

O esquecimento no cérebro

Com esses motivos em mente, e visto que a maioria dos estudos estão concentrados em desvendar o armazenamento de recordações, o laboratório de Paul Frankland, cientista e coautor da pesquisa, resolveu analisar o processo de esquecimento no cérebro. Foi descoberto que existem determinados mecanismos que influenciam na perda de informações.

Em um dos experimentos realizados, concluiu-se que o crescimento de novos neurônios na região do hipocampo promove a redução das lembranças. O fato explicaria por que não nos recordamos de grande parte das experiências na infância (geralmente antes dos quatro anos), uma vez que o maior desenvolvimento das células em tal área ocorre em jovens.

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Texto: Giovane Rocha