A importância do autoconhecimento na superação do medo

Com a complexidade alcançada das relações sociais e do próprio conhecimento humano, os medos passaram a ter significados simbólicos e muito pessoais

mulher com medo autoconhecimento
FOTO: Shutterstock

Com a complexidade alcançada das relações sociais e do próprio conhecimento humano, os medos foram além da busca por segurança física. Deixaram de ser desencadeados pelo perigo incontestável e passaram a ter significados simbólicos e muito pessoais. Dessa forma, o medo pode ser uma maneira de compreender melhor nosso interior. Segundo William Ferraz, terapeuta e especialista em inteligência emocional, existem maneiras diferentes de entendê-lo. “Algumas pessoas precisam simplesmente ressignificar o medo para entender que ele tem uma intenção positiva de proteção. Outras pessoas precisam trabalhar e entender como e porque ele foi construído”, explica. Muitas vezes somos incapazes de admitir que o medo esteja ali e evitamos nos aprofundar nas causas e consequências de seu desencadeamento, mas é importante saber que a intenção do mecanismo é positiva e visa nos proteger.

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De acordo com a psicóloga e diretora do Centro Paradigma de Ciências do Comportamento, Joana Singer, “o ideal é que a pessoa aprenda a reconhecer o tamanho do medo frente às reais ameaças da vida. Um bom trabalho terapêutico deve ajudá-las a se aproximar dos estímulos temidos de forma segura e paulatina”. Durante certos períodos da vida, o receio de fracassar, de ser ridicularizado ou colocado de lado pode aparecer. Na adolescência, período no qual o mundo começa a ser entendido de maneira mais profunda, muitos desses bloqueios surgem, e, nesse caso, têm efeitos negativos ao bem-estar. Frequentemente, esses pavores aparecem devido a experiências negativas, que geralmente são acompanhadas de outras sensações, dando complexidade a essas emoções. “Quando falamos em ‘medo de rejeição’, por exemplo, estamos empregando a palavra ‘medo’ para falar de uma série de sentimentos (como angústia, apreensão, etc.). Trata-se de ‘medos’ mais complexos. Uma intervenção focada não é suficiente”, completa a psicóloga.

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Texto: Angelo Matilha Cherubini

Consultoria: Joana Singer, psicóloga e diretora do Centro Paradigma de Ciências do Comportamento e William Ferraz, terapeuta e especialista em inteligência emocional