Ter filhos ou um cachorro? A pergunta do século 21

Ter um filho ou ter um cachorro? A nova pergunta do século 21 tem provocado polêmicas e discussões acaloradas. Mas também gerado muito amor!

Imagem de uma criança e um cachorro em um gramado
Ter filhos ou um cachorro? A pergunta está mais difícil de se responder que nunca. Foto: Pixabay / ales_kartal

Abrindo a porta de casa. Pulos e mais pulos, muitos latidos, lambidas e mais lambidas por todos os lugares, uma festa tremenda. Calma! Algo não para de balançar. Ah, o rabo! Esse não para um minuto, vai de um lado para o outro. Daqui a pouco começa a caça pelos brinquedos e o pega-pega da famosa bolinha por toda a casa – se levar um “não” ou “espera um pouco”, prepare-se para resistir a carinha que só ele consegue fazer. Se identificou? Pode fazer sol ou chuva – até neve, não importa – o nosso melhor amigo cachorro estará sempre ali nos esperando depois de um longo e cansativo dia para nos fazer companhia e esquecer os problemas porta afora.

Mudança de paradigma

O que antes era um desejo e quase uma regra dos recém-casados, atualmente não é prioridade. O Papa Francisco se pronunciou sobre esta realidade durante uma missa celebrada na Casa Santa Marta. “Esta cultura do bem-estar, de dez anos atrás, nos convenceu: ‘É melhor não ter filhos! Assim você pode conhecer o mundo, quando estiver de férias, pode ter uma casa no campo, ficar tranquilo’.Talvez seja melhor – mais cômodo – ter um cãozinho, dois gatos, e o amor vai para dois gatos e para o cãozinho. É verdade ou não? No final, esse casal chega à velhice com a amargura da má solidão”.

Mas, será que existe mesmo uma troca do amor de uma criança pelo um animal? O psicólogo Akim Rohula Neto afirma que não há como falar em substituição. “Filhos vêm de um lugar diferente dos animais, eles são fruto da relação do casal, são, por assim dizer, ‘biológicos’. A criança cresce e se desenvolve como seus pais, os animais não”. Essa é a alusão que, possivelmente, o Papa quis passar para os seus fiéis. Toda essa questão pode ser explicada, uma vez que estejam claras as mudanças que ocorrem no cérebro dos pais quando estão esperando um filho, aqueles nove meses que antecedem o nascimento. “É importante frisar a diferença entre um casal que não quer ter filhos por agora, e um casal que quer ter animais no lugar de filhos (substituição)”, lembra Akim. “Esta substituição é perigosa porque animais de estimação não são e nunca poderão ser filhos. É só olhar para uma criança e para um animal e você verá a diferença”, finaliza.

Imagem de um cachorro filhote

Apesar da pergunta ser recorrente, é difícil comparar um ao outro. Foto: Pixabay_congerdesign

Filhos ou cachorros?

“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada, ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede, ninguém podia fazer pipi, porque penico não tinha ali. Mas era feita com muito esmero na Rua dos Bobos, número zero”. A canção do Vinícius de Moraes faz alusão à barriga da mãe, a casa que abriga o filho antes de sua vinda ao mundo. Mas, hoje em dia, a música poderia ser escrita de outra maneira, com uma nova realidade. Nas famílias brasileiras, os berços das crianças estão cada dia mais se esvaziando, enquanto a compra ou adoção de “filhos” de quatro patas estão crescendo. A pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, de cada 100 famílias, 44 criam cachorros e somente 36 possuem crianças até 12 anos de idade. Contando os gatos e outros animais, o número sobe. Segundo os dados, as famílias brasileiras cuidam de 52 milhões de cães contra 45 milhões de crianças.

Viva bem (e com amor!)

Todo esse apreço pelo animal – principalmente pelo cachorro – não é algo novo. A psicóloga Thais Rabanea lembra que, já na antiguidade, no Egito e na Grécia, os efeitos terapêuticos dos cães já eram amplamente conhecidos e utilizados. “E, de fato, um cachorro pode aumentar a nossa qualidade de vida”, afirma. Essas interações com animais possuem efeitos positivos em aspecto psicológico, fisiológico e social. Pensando nisso, pesquisadores desenvolveram a terapia assistida por animais, o que tem mostrado a sua eficácia em uma ampla gama de doenças. Os estudos sugerem que os animais de estimação tendem a aumentar a adesão ao tratamento e diminuições nos níveis de cortisol. “A presença dos cães facilita o engajamento dos pacientes e transmite um efeito relaxante à eles”, comenta a psicóloga.

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Texto: Redação Alto Astral